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Contos por contar

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14
Set21

Uma experiência triste

#9 - Desafio 30 dias de escrita da Ana de Deus

Cristina Aveiro

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Era Outubro e já há muito tempo que se falava nesse dia tão importante. Já era uma menina crescida e finalmente ia para a escola. Ia deixar os dias doces passados em casa com a mãe e a irmã pequenina com que tanto tinha sonhado. O desconhecido sempre a assustara! Apenas tinham passado por fora da escola enorme para onde ia, para lhe mostrarem como era, nunca tinha entrado lá dentro e tudo era grande e algo assustador.

Escutara com desmedida atenção o que os pais lhe tinham explicado que devia fazer. Ia ficar lá todo o dia, na sua sala com a Senhora Professora, almoçava, acompanhava sempre os meninos do seu grupo e a professora e quando acabassem as aulas lá pelas quatro horas ia apanhar “o autocarro” para regressar a casa. Não precisava de se preocupar porque bastava dar a senha ao Sr. Faustino e pedir para avisar que saía na Guimarota.

Pronto, estava tudo esclarecido era só fazer como lhe tinham dito! Foi difícil ficar na escola de manhã, não conhecia ninguém. Ao longo do dia tudo foi acontecendo de forma tranquila tal como os pais lhe tinham explicado.

No final das aulas, pelas quatro horas, a professora disse que podiam sair e que os meninos que iam para a carrinha deviam ir para o recreio de cima onde ela já estava (era um enorme autocarro azul e branco). A menina foi e observou, mas o pai tinha-lhe dito para ir no autocarro e a menina sabia bem que era o número três que ia para o seu destino, além do mais a carrinha claramente não era um autocarro, tinha forma e cores bem diferentes. Tratou de tentar procurar a paragem de autocarro que tinha visto junto à escola quando chegaram de manhã. Foi para a paragem, sentou-se e ficou à espera. Passou um autocarro, mas era da linha um e a menina não entrou, passou muito tempo e passou novo autocarro da linha um, e passaram mais uns tantos até que a menina desatou a chorar porque nunca mais passava o seu autocarro e ela estava cheia de vontade de ir para casa, para a sua mãe e certamente que já estavam preocupados por ela não estar a chegar à paragem onde a mãe estava à espera.

As pessoas da paragem começaram a tentar consolar a menina e a tentar perceber o que se passava e porque estava ali sozinha. No meio dos soluços e com pouca voz de tanto chorar lá foi explicando e alguém a levou de novo para dentro da escola e a entregou aos responsáveis. Consolaram a menina e disseram-lhe que devia ter ido na carrinha da escola, a tal azul e branca, mas para não se preocupar porque às sete horas a carrinha voltava a ir levar meninos de novo.

A menina estava inconsolável, não havia telefone em sua casa e não sabia como é que a sua mãe ia saber que só iria chegar às sete horas.

A mãe telefonou para a escola a perguntar pela menina e explicaram-lhe que tinha perdido a carrinha e que só iria na das sete horas.

Aquele tempo de espera foi interminável, tentava parar de chorar, mas só conseguia por pouco tempo.

Quando finalmente saiu da carrinha na sua paragem e pode abraçar a sua mãe é que o seu coração sossegou. Aquele primeiro dia de escola ficou-lhe gravado profundamente na memória.

 

 Texto escrito no âmbito do desafio 30 dias de escrita lançado pela Ana de Deus, e em que participam Ana de Deusbii yueJoão-Afonso MachadoJorge OrvélioJosé da XãMaria Araújo  e eu.

 

 

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