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Contos por contar

Contos por contar

09
Nov22

A Princesa Pequenina

Cristina Aveiro

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Era uma vez uma princesa muito bonita que deixava todos encantados no reino com a beleza dos seus olhos verdes que pareciam azuis e com os seus caracolinhos loiros. Tinha uma pele branquinha com bochechas rosadas e estava sempre a sorrir.

Como era a única filha do rei e da rainha iria ser ela que um dia iria governar o reino.

A menina ia crescendo e mantinha o seu sorriso alegre e luminoso e os seus caracóis foram crescendo e formando uma farta cabeleira que parecia uma chama amarela a saltitar por onde a menina passava. A menina adorava divertir-se e rir, todos conheciam as suas sonoras gargalhadas que eram contagiantes.

Os anos foram passando e a menina foi crescendo, mas continuava pequenina, já era quase adulta, mas continuava a ser baixinha, elegante e pouco corpulenta. As pessoas começavam a preocupar-se pois sendo ela assim franzina, será que seria suficientemente forte para tomar conta do reino? Os reis costumavam ser homens fortes e altos, e ela ia ser rainha e era baixinha e elegante.

A menina nada sabia destas preocupações porque ainda se ocupava apenas a aprender, a ler, a compreender as contas do reino, a escrever e explicar as suas ideias para grupos grandes de pessoas, enfim tudo aquilo que os crescidos têm de fazer, em especial se tiverem de tomar conta de um reino.

O que a menina mais gostava de fazer era vestir-se de forma simples, levar comida para o caminho e passar o dia a caminhar pelos vales e montes do reino. Com ela iam sempre as suas damas de companhia e alguns guardas. Quando a menina começou com estas caminhadas as damas e os guardas quase não conseguiam acompanhar o passo rápido da princesa, mas com o tempo todos se tornaram fortes e não havia caminho que lhes metesse medo. Não importava se subiam altas montanhas, se tinham de ir visitar grutas e buracas, se iam ver as nascentes dos rios, as cascatas, os lagos e diz-se que até foram junto ao mar. A princesa seguia sempre na frente cheia de entusiasmo com as descobertas que fazia.

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Aos poucos, no reino começou a saber-se que a princesa palmilhava todo o reino, conhecia aldeias e lugares e que mesmo as montanhas e vales sem gentes ela já tinha visitado. As gentes do reino admiravam-se por a princesa não andar montada no seu belo cavalo e preferir pisar o chão do reino com os seus pés, mas ela ia fazendo saber que só assim, mais devagar podia verdadeiramente ficar a conhecer os lugares e que também era importante saber o esforço que as gentes faziam quando percorriam a pé estes trilhos e caminhos.

A menina gostava de conversar com as gentes que encontrava no caminho, aprender sobre as suas vidas, os seus sonhos e os seus receios. Quando chegava a uma aldeia ou vila começava logo a correr a notícia de que a princesa tinha chegado e as pessoas vinham ter com ela trazendo flores, frutos, e procurando vê-la e conversar com ela.

Com o tempo a princesa ficou a conhecer tão bem o reino e as pessoas que nele viviam que até o rei lhe pedia conselhos sobre questões importantes que os governantes não sabiam, pois viviam o tempo todo em palácios.

No palácio a princesa gostava muito de cuidar das suas flores especiais que tinham vindo de um reino distante e eram frágeis e delicadas, adorava contemplar a Lua e as suas mudanças de tamanho, de forma e de cor. Trovão, o seu cão, era a sua companhia favorita e adorava falar com ele sobre tudo o que tinha aprendido em cada dia. Sem falar, mas escutando atentamente, Trovão parecia tudo compreender e o seu olhar e o seu “sorriso” bastavam para que a princesa pudesse sentir-se reconfortada.

 

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O rei continua a reinar, cheio de força e saúde, mas todos no reino agora sabem que quando chegar o tempo da princesa reinar tudo irá correr bem porque mesmo sendo pequenina, a princesa é também forte e poderosa e está mais sábia a cada dia que passa.

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08
Out22

Menina, senhora, fada, bruxa, princesa ou rainha???

Desafio Arte e Inspiração 2.0 - semana #4

Cristina Aveiro

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The Lady off Shalott de John William Waterhouse

Há muito, muito tempo, quando as noites eram escuras como breu porque apenas havia archotes para andar na escuridão, as gentes e a natureza ainda estavam unidas e tudo era muito diferente.

Nesses tempos quando o sol se ia deitar e escurecia, quase todos recolhiam às suas casas pequenas e simples, onde havia uma fogueira para dar luz, calor e cozinhar o que houvesse para a ceia. Quase todas as pessoas viviam em pequenos lugares, com apenas algumas casas, mas distantes umas das outras porque à volta das casas estavam os campos onde as pessoas cultivavam os seus alimentos. Nesse tempo distante não havia lojas ou lugares onde comprar. As pessoas trocavam entre si as coisas que precisavam, se tinham ovos podiam trocar por um pouco de leite com o vizinho que tinha cabras ou vacas, ou se tinham lã podiam trocar por sementes ou outra coisa que precisassem.

Numa dessas casas de pedra, perto do rio e da floresta, vivia uma família com seis rapazes e duas meninas e os seus pais. Tinham animais, três vacas, onze galinhas, dez cabras, sete ovelhas, dois porcos e um burro. Havia sempre muito trabalho para todos, a sua vida era passada a cultivar os campos, a tratar dos animais, enfim a manter o suficiente para poderem comer e aquecer-se todos os dias. As crianças mais velhas tomavam conta das mais novas e ajudam em todas as tarefas.

Os banhos e a lavagem das poucas roupas que tinham fazia-se no rio, fosse verão ou inverno. Os pequenos gostavam de ir ao rio a banhos, era um momento em que havia sempre brincadeiras, risos e gargalhadas. Quando iam secando ao sol e ao vento dois dos irmãos gostavam de se afastar um pouco caminhando ao longo das margens, procuravam uma zona de lagoa onde o rio era mais tranquilo, mas que ficava longe. Eles pensavam que esse lugar existia, mas não tinham a certeza, afinal tinham apenas escutado os irmãos mais velhos e falar sobre a lagoa, mas por vezes eles pregavam-lhes partidas e falavam de coisas que não existiam.

Sempre que podiam iam-se afastando um pouco mais, e mais, até que num dia se afastaram tanto que começou a escurecer e como o rio se tinha separado em dois já nem sabiam bem como regressar a casa.

Aninharam-se debaixo de uns arbustos grandes e espinhosos para ficarem protegidos quando viesse a noite e decidiram descansar. Os sons da floresta eram seus conhecidos, mas começaram a escutar um som diferente, parecia algo a deslizar nas águas do rio, que naquela zona já eram calmas. Começou por aparecer a ponta de um barco grande e preto com uma forma dourada no cimo, depois viram velas pousadas sobre o barco, lindas, perfeitas, brancas. Aos poucos foram aparecendo as mantas mais belas e coloridas que jamais tinham visto, pareciam pintadas com as papoilas e os malmequeres do campo. Por fim apareceu a menina, ou senhora, ou fada, bruxa, princesa ou rainha, mais luminosa e bela que alguma vez podiam ter imaginado. Vestia de branco com vestes longas, tinha cabelos longos e soltos de uma cor quase vermelha e tinha bordados brilhantes e dourados nas suas roupas.

Os rapazes nem respiravam, nem se mexiam, estavam cheios de medo, e ao mesmo tempo com uma enorme vontade de ver tudo o que estava à sua frente e que nunca tinham visto. O barco continuou rio abaixo e a mulher continuou a olhar o rio de frente, bem direita e só, a navegar o barco.

Quando desapareceu, os rapazes ainda ficaram um bocado sem se mexer nem falar, parecia que tinham ficado transformados em estátuas. Aos poucos começaram a falar baixinho um com o outro, a partilhar o que tinham sentido, o medo, o encanto, o espanto…

Veio a noite e ali dormiram, no dia seguinte retomaram o caminho para regressar a casa. Ainda estavam como que enfeitiçados pelo que tinham visto, não conseguiam falar de outra coisa. Estavam preocupados porque sabiam que os pais iam estar zangados com eles por se terem afastado. Estavam também sem saber o que fazer sobre o que tinham visto, se deviam contar (mas talvez ninguém fosse acreditar), se deviam guardar para eles (mas os pais acabavam sempre por descobrir tudo o que eles queriam esconder).

Todo o caminho pensaram e repensaram, e continuaram sem saber o que fazer.

E tu, como farias?

 

Todas as quartas-feiras eu e a Fátima Bento, a Ana D., a Ana de Deus, a Ana Mestre, a bii yue, a Célia, a Charneca Em Flor, , a Imsilva, o João-Afonso Machado, o José da Xã, a Luísa De Sousa, a Maria, a Maria Araújo, a Mia, a Olga, a Peixe Frito, a Sam ao Luar, e SetePartidas publicamos um texto relativo ao quadro da semana, que é apresentado todas as sextas de manhã.

 

  

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