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Contos por contar

Contos por contar

31
Dez21

Avó, o Pai Natal já se foi embora?

Os nossos contos de Natal 2021

Cristina Aveiro

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Era véspera de Ano Novo e a Margarida brincava alegre na casa da avó Miló. A pequena Margarida adorava estar em casa da avó.  Lá ela era a única criança da casa, havia o Bolinhas que era um gatinho pequenino que tinha chegado há pouco tempo e a acompanhava nas brincadeiras.

A menina passava o tempo a brincar tranquilamente com os novos brinquedos que tinha recebido de presente no Natal. Naquela tarde solarenga, junto à varanda da sala, a menina parou de brincar e foi até junto da avó Miló e perguntou com muita curiosidade:

- Avó, o Pai Natal já se foi embora?

A avó Miló parou o que estava a fazer e olhou para a menina com atenção e sorriu. Calmamente pensou no que seria uma boa resposta, não querendo desfazer sonhos e alegrias.

Minha querida é claro que o Pai Natal ainda não se foi embora, apesar de já ter entregue os presentes às crianças há ainda muitas coisas que ele quer ver como estão a acontecer. Quer perceber se as crianças gostaram dos presentes que receberam, quer ter a certeza de que todas as crianças receberam alguns brinquedos, quer saber se todos fizeram a reciclagem das embalagens e dos embrulhos, …

Antes que a avó Miló pudesse continuar a pequena Margarida perguntou muito despachada:

- O Pai Natal quer saber da reciclagem? Ele já é muito velhinho e quando ele era pequeno de certeza que não se preocupavam com isso!

A avó sorridente e orgulhosa da sua pequenina foi-lhe dizendo que embora o Pai Natal seja velhinho ele continua a aprender coisas como todas as pessoas e também ele está preocupado com a reciclagem e agora já escolhe brinquedos que sejam mais resistentes, feitos em materiais amigos do planeta Terra. O Pai Natal também tinha decidido que não valia a pena dar a cada criança muitos, muitos brinquedos, bastavam poucos, mas que fossem importantes e de que as crianças gostassem muito.

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Nessa altura a avó levantou-se, foi a um armário envidraçado da sala e retirou um brinquedo de madeira. Mostrou o brinquedo à menina e explicou-lhe que aquele brinquedo tinha sido da sua mãe e que ela o adorava. Era um brinquedo feito em madeira, muito resistente e que se movia sem usar pilhas ou baterias, apenas baseado em coisas simples e que podemos sempre usar.

A menina segurou o brinquedo, mas insistiu de novo sobre o Pai Natal:

- Avó achas que conseguimos ver o Pai Natal agora, mesmo depois de ele já não estar sentado onde o costumávamos ver antes do Natal?

A avó disse à menina que pensava que sim. Pensava que agora ele não estava a usar as suas roupas vermelhas e usava roupas parecidas com as das pessoas. Quando fossem passear iam estar muito atentas e olhar para os senhores mais velhinhos, sorrir-lhes porque só assim podiam ver no olhar deles se eles seriam ou não o Pai Natal.

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A avó disse ainda que sempre que olhassem com carinho e sorrissem para um senhor mais velhinho ele ia sentir um calor no coração e isso ia-o fazer feliz. Mesmo que o senhor não fosse o Pai Natal, o Pai Natal ia saber daquele sorriso  e ia ficar muito contente.

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Foto: Marco Santos

 

Este texto foi criado desafio "Os nossos contos de Natal 2021" lançado pela  Imsilva do Pessoas e Coisas da Vida e em que participam muitos bloguers deste maravilhoso sapal.

02
Set21

O que se passa com o avô?

Cristina Aveiro

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Todos os dias o menino ia passar algum tempo na casa dos avós, tinha sido sempre assim desde que ele se lembrava. Gostava daquele lanche especial que a avó lhe preparava, das surpresas que lhe fazia, como pipocas doces, ou aquele refresco que ele nunca tinha provado noutro lugar. Havia também o jardim, o quintal com a horta, as galinhas, os patos, aquela liberdade de explorar, cair, sujar-se, limpar-se na torneira do quintal, tudo aquilo era um ninho de liberdade que lhe parecia do tamanho do mundo.

A avó era a rainha suprema de todos aqueles domínios, sabia sobre as plantas, os animais domésticos e tantos outros que por ali apareciam. Os pássaros eram aos montes, mas nem sempre a avó ficava contente com eles, quando era o tempo dos dióspiros, das nêsperas, das nozes, enfim dos frutos apetitosos lá andava a avó a cobrir as árvores com rede fina, ou a pendurar coisas brilhantes ou que fizessem barulho nas árvores, senão os marotos dos pássaros comiam a maior parte da fruta, ou então debicavam e depois a fruta estragava-se. O menino admirava-se porque sabia que a avó gostava de pássaros e achava que não fazia mal eles comeram também os frutos. Conversavam muitas vezes sobre o assunto, mas nunca chegavam a acordo e a avó continuava com as suas engenhocas. O menino pensava que quando tivesse um quintal seu ia deixar os pássaros comerem tudo o que quisessem.

Já mais ao fim do dia, quase ao anoitecer chegava o avô e o menino corria para ir ter com ele. Adorava quando conseguia chegar ao avô antes de ele sair do carro. Assim passava um bom bocado com o avô a explicar-lhe tudo sobre o carro, ou a ajeitar a bicicleta do menino, ou a verem coisas na bancada de trabalho e ferramentas do avô. Outras vezes o menino já encontrava o avô na sala e então ficava ali à conversa. O menino queria saber sobre como funcionavam as máquinas, porque havia a chuva e o vento, como tinham construído os castelos, de onde tinham vindo os bichos-da-seda, … aos poucos o menino ia descobrindo e alargando o seu mundo de criança. O avô sabia sobre muitas coisas, mas às vezes ia ver a livros ou perguntava à avó para responder. Explicava com paciência, atento ao neto e nunca se esquecia do que tinham conversado noutros dias.

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O avô chegava cansado do trabalho e às vezes agitado, mas assim que o neto aprecia tudo isso desaparecia e era como se um novo dia tivesse acabado de começar.

Depois o menino regressava a casa com os pais cansado, com as roupas sujas e com uma esfoladela no braço ou na perna, mas o banho levava todos esses pormenores. E chegava então o jantar e a hora dos mimos dos pais.

O tempo foi passando, o menino ia crescendo e continuava a ir todos os dias a casa dos avós. O avô começou a chegar mais cedo do trabalho, vinha ainda mais cansado do que antes e explicaram ao menino que o avô ia deixar de ir trabalhar porque já tinha muitos anos e ia passar a ter mais tempo livre. O menino ficou radiante! Agora tinha sempre o avô e a avó ao final do dia só para ele. Iam passear, de carro ou a pé, conversavam, tratavam do quintal e do jardim, nunca paravam de fazer coisas e de inventar coisas para descobrir.

Um dia o menino reparou que o avô não se lembrava de onde tinham ido no dia anterior, noutro dia o avô disse que tinha de ir fazer uma coisa que já tinha feito, noutro perguntou-lhe a mesma coisa três vezes e parecia nunca se recordar de ter perguntado antes. Aos poucos estas coisas estranhas começaram a acontecer cada vez mais. O menino ficou perturbado, o avô não parecia o avô.

O menino conversou com os pais sobre o que o preocupava, e disse-lhes que parecia que o avô estava doente. Os pais explicaram que já andavam há algum tempo para terem uma conversa importante sobre o avô, mas que tinham decidido esperar até que o menino notasse alguma mudança no avô.

O menino ficou a saber que o avô ao envelhecer estava a ter problemas com a memória e mesmo com a vontade de fazer coisas e divertir-se. Explicaram que estava a ser tratado pelos médicos, mas que o que era mais importante era que os que mais amava o ajudassem a continuar a descobrir o mundo como tinha feito antes. O avô não precisava que lhe dissessem que já tinha perguntado antes, ou que se aborrecessem por ele não se lembrar do que tinha combinado, ou de onde tinha posto alguma coisa. Afinal quando o menino era pequenino também perguntava a mesma coisa muitas vezes, queria que lhe voltassem a contar a mesma história vezes sem fim e ninguém se aborrecera com isso. Agora era o avô que precisava desse carinho.

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Os pais disseram que era muito importante contar coisas novas ao avô, jogar jogos com ele, passear sem ser sempre pelo mesmo caminho, fazer coisas diferentes e que agora o menino já mais crescido podia ajudar muito o avô a continuar ativo e a manter-se a descobrir o mundo e a ser feliz.

O menino, que já era um rapaz sentiu-se importante nesta sua missão de cuidar e retribuir ao avô o enorme carinho que tinha recebido dele ao longo da vida. Agora trazia amigos para se juntarem a ele na casa dos avós e juntos traziam vida à casa, enchiam-na de gargalhadas, pediam ao avô para contar histórias antigas, ajudavam a avó a fazer os lanches, cuidavam do jardim e do quintal. Um dos amigos tocava guitarra e passou a haver cantorias, descobriram que o avô também sabia tocar, a avó sabia muitas cantigas de outros tempos que todos foram aprendendo. Havia um ambiente de festa que enchia de sol e calor aquela casa grisalha.

O avô continuou a ser cada vez mais diferente do que tinha sido, mas o menino continuou sempre a voltar, a conversar, a jogar, a tocar, enfim a cuidar com muito amor de quem com tanto amor o tinha ajudado a crescer.

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13
Fev21

A Cookie

Cristina Aveiro

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Num dia de Inverno frio e ventoso, a avó decidiu ir até à praia para ver o mar, olhar até muito longe, sentir o cheiro da maresia encher-lhe o peito e dar-lhe energia. Assim que chegou e começou a caminhar pelo longo passeio junto ao mar viu um pequeno cão que por ali andava sozinho mas não prestou grande atenção. No Inverno não havia muitas pessoas naquela praia, poucos lá viviam e quase todas as casas eram de pessoas que viviam noutras terras e só vinham no Verão ou quando havia dias de Sol. A avó gostava daquela tranquilidade das ruas quase sem carros nem pessoas, o som do mar e do vento era tudo o que se ouvia e isso dava-lhe muita energia e paz.

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O passeio ao longo da praia era muito longo e estava deserto e a avó lá ia caminhando rumo a Norte. Atrás da avó, aproximando-se cada vez mais vinha o tal cão pequeno. Durante toda a caminhada de ida e de regresso o cão continuou sempre a seguir a avó sem que ela lhe tenha dado atenção. A avó gostava de animais mas com moderação, não se aproximava deles nem era muito de dar festinhas. Quando a avó chegou à casa da praia o cão continuava atrás dela e subiu as escadas até à casa e entrou assim que a porta se abriu. A avó ficou surpreendida, até espantada, mas não conseguiu resistir ao ar meigo do cão cor de mel com olhos castanhos e que parecia estar a sorrir. Decidiu dar-lhe água e comida porque provavelmente estava perdido e talvez tivesse fome. O cão, que afinal era uma cadelinha, bebeu, comeu e enroscou-se num cantinho muito sossegada a dormir. A avó tentou ver se tinha coleira ou alguma pista para encontrar o dono, mas não havia nada. Procurou saber no café se conheciam a cadelinha e os donos, mas ninguém sabia nada. Ao fim do dia quando a avó voltou a sair para dar mais uma volta o cão seguiu-a de novo para todo o lado como se a avó fosse o seu dono.

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O cão acabou por dormir em casa da avó nessa noite, e no dia seguinte tudo se passou da mesma maneira. Quando chegou a hora da avó deixar a casa da praia e regressar à sua casa não sabia bem o que fazer, mas não estava nos seus planos ter um cão! Ao ver a avó entrar no carro a pequena cadela saltou de imediato lá para dentro e … a avó não teve coragem de não a levar consigo. A cadelinha foi durante todo o caminho em silêncio e portou-se muito bem.

Ao chegar à casa da avó a cadelinha ficou muito feliz e seguia a avó para todo o lado, sempre tranquila e sendo boa companhia. A avó notou que a cadelinha tinha o pescoço inchado e até parecia que lhe doía e pediu ao avô para a levar ao veterinário que a operou e a tratou. A cadelinha olhava para todos com os seus olhos castanhos muito meigos parecendo que estava a agradecer por tomarem conta dela.

Quando as netas vieram visitar a avó nem queriam acreditar, a avó tinha um cãozinho? A avó contou a história e explicou que tinham de ter cuidado porque a cadelinha ainda estava a recuperar da ferida que tinha. O Cãozinho tinha um sorriso estranho com os dentes de baixo sempre à mostra como se não os conseguisse esconder. As meninas primeiro ficaram algo receosas, mas depressa a cadelinha as conquistou com a sua meiguice e tranquilidade. A neta mais nova sonhava há muito tempo ter um cão e ficou totalmente aos pulos quando a avó lhe disse que aquela cadelinha era para ela e que podia escolher o nome que quisesse. A menina ficou a pensar, foi dizendo nomes, todos iam dando opinião até que disse Cookie porque ela era uma verdadeira bolachinha doce. E foi assim que ficou a chamar-se a pequena cadela de orelhas pequenas muito peludas, pelo cor de mel, olhar doce e que se aproximava de todos com doçura e simpatia.

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Os avós passaram a ter uma companhia todos os dias de manhã assim que chegavam à cozinha já a Cookie estava à sua espera na varanda com o seu ar sorridente. Durante todo o dia ela andava contente a acompanhar os avós, a passear pelo quintal, a espreitar as galinhas e os patos da capoeira com curiosidade e também a dormir grandes sestas pachorrentamente.

Quando chegavam as netinhas a casa da avó já era sempre uma festa, mas com a Cookie a festa era ainda maior, ela a correr e a saltar e as meninas a rir e a dar-lhe mimos até mais não. A avó adorava vê-las com a Cookie e ficava muito contente por ter deixado que a Cookie entrasse nas suas vidas. Todos se tinham deixado conquistar pelo encanto da Cookie, mesmo quem não gostava muito de cães não conseguiu resistir.

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A Cookie tinha pedido muito pouco e tinha vindo trazer alegria a todos, arrancava sorrisos a todos só por andar por ali e ficar a olhar com ar de quem estava a sorrir. A avó não podia estar mais contente com tudo o que a Cookie tinha trazido para a sua família.

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