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Contos por contar

Contos por contar

19
Jun20

A Lontra Lola

Cristina Aveiro

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Era uma vez uma lontra chamada Lola que vivia num rio chamado Lis. Era ainda jovem, só tinha um ano e meio, já só faltava meio ano para ser adulta! Sim, as lontras ficam adultas quando fazem dois anos e ela já sabia viver sozinha, sem precisar de ajuda da mãe.

Quando ela era muito pequenina, nem sequer sabia como andar na água, foi a sua mãe que lhe ensinou a nadar. Bem, nos primeiros tempos estava sempre na toca com as irmãs e irmãos, eram cinco e regalavam-se a mamar. A mãe tinha muita paciência e estava sempre a cuidar do seu pelo para ficar bem limpo.

Agora ela já sabia assobiar, chiar e guinchar. Era muito divertido porque assim conseguia que os seus irmãos a ouvissem e por vezes viessem nadar com ela. Gostava muito de nadar, era rápida e conseguia ficar muito tempo debaixo da água. Sempre que mergulhava, os seus ouvidos e as narinas fechavam-se, tal como a sua boca, assim não entrava água nenhuma para incomodar.

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A Lola estava muito orgulhosa das suas patas que eram mesmo especiais… tinham umas membranas entre os dedos que ajudavam a nadar a toda a velocidade.

O seu corpo era muito esguio, com uma bela cauda o que lhe permitia deslizar rapidamente pela água.

O seu pelo era também mesmo especial, tinha duas camadas. A camada mais junto à pele deixava-a sempre quentinha, mesmo na água gelada do Inverno. Tinha outra camada de pelo maior que era um verdadeiro impermeável e permitia que o seu corpo ficasse sempre seco, mesmo debaixo de água, parecia magia.

Durante o dia ela geralmente ficava na sua bela toca. Era um recanto na margem do rio com uma abertura no fundo que dava para entrar logo debaixo de água para o rio, e tinha também uma bela chaminé no topo para entrar o ar fresco. Todo o dia era aproveitado para …dormir! É verdade, durante a noite é que aproveitava para nadar, brincar com as suas amigas e mesmo procurar comida. Gostava muito de pequenos peixes do rio e como vivia junto da nascente onde as águas eram muito puras e cristalinas havia muitos peixes e plantas do rio.

Ela gostava de se passear pelo rio e de aprender com as lontras já muito velhinhas, as que já tinham 6 ou 8 anos. Do que ela mais gostava que lhe ensinassem era sobre sítios escondidos no rio e num lago que ficava muito longe, onde ela nunca tinha ido.

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Estava um dia cinzento e chovia muito, o rio começou a ficar com muita água, havia muito barulho da água a bater nas pedras a toda a velocidade. A Lola saiu da sua toca pela abertura debaixo da água e decidiu aproveitar para descer o rio e ver se chegava até ao grande lago de que falavam as lontras velhinhas.

De repente começou a amanhecer e Lola olhou à volta porque as águas estavam mais calmas. Era uma zona estranha, tinha pontes feitas de pedras, muitas casas e grandes construções com chaminés enormes. Como estava cansada aproximou-se de um regato estreito para procurar um abrigo. Assim que entrou no regato viu que a água era escura, tinha espuma e cheira muito mal. Lola nunca tinha visto nada assim. Procurou peixes porque já estava com fome, mas … não encontrou nem um. Começou a ficar maldisposta, com dor de barriga e de cabeça, sentia-se doente, sem forças e sem conseguir nadar. Parecia que tinha adormecido, não se lembrava de nada e viu que tinha voltado para o rio.

Lá a água era mais limpa, não tanto como na zona da nascente, mas ainda assim era boa para beber. Aqui já conseguia respirar, não havia mau cheiro, que alívio. Estava exausta e encontrou uma zona na margem aconchegada onde finalmente conseguiu deitar-se e dormir. Sim finalmente, já era dia há muito tempo e eram mais do que horas de ir dormir.

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Depois de dormir muito acordou já a noite estava bem escura e a Lua gorda, branca e bem redonda. Foi procurar algo para comer e ficou toda contente porque viu outra lontra ao longe. Nem queria acreditar, ele nadava super bem, Começou a aproximar-se e achou mesmo que ele era lindo e começou a guinchar baixinho para ver se ele a via. Então ele aproximou-se e disse que se chamava Leo. Ele desatou a fazer piruetas, e mostrou-lhe onde podiam ir pescar.

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O Leo tinha nascido num lago e gostava de subir rio acima de vez em quando. O seu sonho era ver a nascente do rio mas devia ser muito longe porque ainda nunca tinha conseguido lá chegar. A Lola quando o ouviu a falar da nascente disse-lhe que era lá que ela vivia. Contou-lhe como a água era limpa e cristalina e como à volta do rio havia arbustos, árvores e montes de pequenas ervas. Tudo era verde, não era como ali naquela zona do rio.

Estavam a Lola e o Leo a descançar e guinchar quando se aproximou um animal com uma rede e o Leo desatou a correr, mas a Lola ficou parada, cheia de medo.

O animal era um caçador que tinha visto os dois e os tinha achado  muito fofos e quis apanha-los. Só apanhou a Lola, e … levou-a para casa porque ia oferece-la à sua filha. A menina achou a Lola bonita, gosta de a ver correr no chão do seu quarto e a dormir durante o dia num cobertor. Duas vezes por dia dava-lhe peixe para a alimentar.

Rapidamente a menina ao olhar com atenção para os olhos da Lola viu que ela não era feliz na sua casa. A menina fica triste e tenta fazer coisas para a Lola estar mais contente, mas … nada resulta. A menina continua a tentar, põe a Lola na banheira a pensar que ela vai ficar feliz, mas os olha da Lola ficam ainda mais tristes e ela nem tenta nadar.

Neste momento a menina percebe que a sua casa não é a casa da Lola! A menina vai a correr chamar o pai. Diz ao pai que gosta muito, muito da Lola e que vai ter muita pena de não a ter, mas que o que quer é que a Lola seja feliz. Então a menina pede ao pai para irem juntos ao sítio onde o pai tinha apanhado a Lola para a deixarem ir em liberdade para a sua casa na natureza.

Quando a Lola se viu na margem do rio nem queria acreditar! Parece que tinha voltado a viver. Desatou a correr para a água, a chiar e a guinchar com esperança de encontrar o Leo para juntos irem para longe. Talvez para a nascente do rio ou para o lago grande. Não demorou muito a que o Leo chegasse ao pé da Lola e todos felizes desataram a nadar rumo à sua casa.

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Agora podes ouvir esta história!

                 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

19
Jun20

O Pirilampo Perdido

Cristina Aveiro

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Era uma vez um pirilampo que ainda não era crescido, mas já não era pequenino. Vivia com os seus pais e irmãos e muitos outros pirilampos num bosque que tinha um ribeirinho e uma grande clareira de relva. Era um lugar bonito, de que as pessoas gostavam muito e que se chamava o Campo dos pirilampos. Nas noites quentes de verão faziam corridas de obstáculos e contornavam as árvores em voltas graciosas e por todo o lado se viam as suas luzes a acender e apagar. Já não havia muitos lugares assim, agora era difícil encontrar pirilampos…

O pirilampo andava muito contente na escola de voo com o professor Asas que era alegre e bem disposto e ensinava todos os pirilampos jovens a voar em segurança. Claro que os primeiros voos tinham sido ou com o pai e com a mãe, mas com o professor Asas e os colegas de escola faziam desafios muito mais complicados e voavam para sítios mais afastados do campo dos pirilampos.

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Agora que era um jovem já sabia alimentar-se sozinho procurando nas flores o néctar e o pólen que lhe davam muita energia para poder voar. Os seus pais ensinavam-lhe como beber sozinho a água do regato, como procurar comida e como encontrar abrigo para dormir durante o dia.

Para falar com os outros pirilampos usava a bela luz que tinham na cauda e as conversas dependiam do tempo que acendiam e apagavam as luzes, tal e qual como as pessoas quando fazem sons para conversar.

O pirilampo estava muito feliz com a sua barriguinha luminosa, era maior que a dos seus amigos e dava uma luz muito forte. Claro que tinha amigos com umas asas maiores e mais fortes que ele também gostaria de ter. O professor Asas tinha-lhe dito que cada um tem algumas coisas em que é mais forte e que ninguém é o mais forte em todas as coisas!

Um dia depois das aulas de voo e quando a noite estava a acabar e ele se preparava para ir dormir começou a ouvir um som forte que ele não conhecia e as árvores começaram a abanar muito… ele sentiu medo e tentou voar mais depressa, mas o vento empurrou-o muito depressa e para muito alto. Então ele tentou sempre ficar no ar e voou, voou, voou. Quando o vento acalmou ele pode parar numa árvore que não conhecia e começou a olhar em volta mas tudo o que via era novo. Não via mais nenhum pirilampo. Estava muito cansado, procurou um esconderijo e foi dormir.

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Assim que voltou a cair a noite o pirilampo começou a voar para tentar voltar para sua casa. Primeiro chegou a um lugar onde havia um grande lago como ele nunca tinha visto e ficou maravilhado a olhar para a água e viu que a sua luz aparecia na superfície do lago. Ficou fascinado, mas o que ele queria mesmo era voltar para casa.

Ao olhar para longe viu muitas luzes e pensou… ali há muitos pirilampos. Vou até lá.

Quando chegou perto das luzes achou estranho porque estavam sempre no mesmo lugar e não acendiam e apagavam… Afinal eram as luzes de uma cidade! Ele nunca tinha visto nada assim. Estava um pouco assustado e sentia-se perdido.

De repente ouviu um som estranho e pousou numas folhas para se esconder. Era uma menina, a Matilde, que ficou encantada por ver o pirilampo. Nunca tinha visto nenhum! Fez uma birra e quis levar o pirilampo para sua casa.

Apanhou-o com cuidado e guardou-o num frasco. Ao chegar ao quarto queria soltar o pirilampo, mas… ela tinha um animal estranho com  muito pelo e uma boca grande que estava a brincar e parecia querer comer o pirilampo. O animal não tinha nenhuma luz no seu corpo, apenas fazia um barulho muito estranho, nada como o som das asas ou das árvores. O som do animal parecia um grito como miau, miau e nunca mais parava.

A mãe da Matilde disse que não podiam ficar com o pirilampo, nem o podiam soltar no quarto. Explicou que o melhor era levarem-no para um campo que a mãe conhecia onde havia muitos pirilampos e aí é que o podiam soltar.

Vê como os pirilampos são bonitos a voar e a piscar!

Agora podes ouvir a história.

 

Publicado por Cristina Aveiro em Sábado, 13 de junho de 2020

 

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