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Contos por contar

Contos por contar

03
Ago22

Os Sapos do Meu Coração!

2 anos de Contos por Contar

Cristina Aveiro

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Esta família do sapal é algo que nunca esperei ter... Pensava sempre que só podemos sentir carinho, partilha e amizade quando nos conhecemos cara a cara, quando nos abraçamos com os braços e estamos juntos fisicamente. Neste lugar, que considero o Reino Encantado dos Sapos Verdes sinto tranquilidade, carinho e alegria, é por isso que cá venho sempre que posso.

Este tem sido um ano de caminhada muito diferente para mim, e as musas estiveram mais afastadas, mas o sapal continuou a ser o meu lugar.

Há um ano comemorando o primeiro aniversário fiz um balanço que agora reli! Acreditem que não tinha presente a quantidade de aventuras que vivemos juntos nesse ano. 

Neste ano escrevi e li pouco, mas houve dois momentos que mereceram a atenção do governo do Reino.

Destaque - No Reino Encantado dos Sapos Verdes-26-

Contos por Contar - Pag Principal do Sapo-Abril 20

Soube bem receber a atenção quando partilhei o que senti em Coz no lugar de magia da Adega das Monjas, mas mais do que tudo foi receber a vossa atenção e presença, sentir que estavam aí mesmo quando estive mais longe.

Sou muito grata por vos ter!

Sabem que mais, a pintura do Louis Wain fez-me sonhar com um grande encontro dos sapos do reino, numa praia de areia dourada a jogar um jogo qualquer, a conversar, brincar, fazer maluquices, sei lá! Ser criança, ser sapo, ser feliz convosco! Conhecer as vossas caras, os vossos abraços, a voz, as gargalhadas e suspiros, ...

 

 

 

20
Fev22

No reino encantado dos Sapos Verdes

Cristina Aveiro

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Há muito muito tempo, agora mesmo e para sempre havia um reino diferente de todos os outros, um reino encantado, o Reino dos Sapos Verdes. Todos os habitantes do reino tinham chegado de outros lugares e reinos.

As portas do reino estavam sempre abertas para todos, os que chegavam e iam ficando, para os que iam de visita apreciar as criações e construções dos habitantes do reino.

Naquele reino distante e ao mesmo tempo visível da nossa janela, mesmo ali ao lado, os sapos eram todos diferentes, grandes, enormes, pequenos, verdes muito verdes, castanhos, amarelos, era um verdadeiro arco-íris. Havia sapos sempre a transbordar de energia, quais formiguinhas laboriosas que estavam sempre a criar e a desafiar os seus vizinhos para se lançarem em aventuras sem fim, navegarem por mares nunca antes navegados, irem a lugares onde nunca tinham ido, dentro e fora do reino, dentro e fora deles mesmo.

Havia sapos mais tranquilos, quase preguiçosos mas que com o canto e incentivo dos outros habitantes do reino ganhavam energia renovada e desabrochavam em criações magnificas que todos admiravam.

Naquele reino cada sapo era rei e podia usar  a coroa que desejasse, ou então outro qualquer adereço que melhor lhe assentasse consoante o seu sentir do momento ou a sua identidade mais permanente.

O poder de reinar levava os sapos a sentir uma liberdade enorme para criar, partilhar, desafiar, desabafar, ... enfim para encontrar mundos que tantas vezes nem sabiam que tinham dentro de si. A coragem de partilhar as suas descobertas ia aparecendo à medida que caminhavam e que o tempo ia correndo. À medida que iam partilhando e mostrando as suas criações recebiam a atenção dos outros sapos do reino e sentiam alegrias novas nunca antes sentidas. Umas vezes aplausos, outras encorajamento e consolo, e outras silêncios que também existem e têm a sua função. Com o tempo, e com a atenção recebida iam percebendo a importância que tinha para si e davam também a sua atenção aos restantes e retribuíam o que iam recebendo, chamavam abraços a este modo especial de viver no reino.

Podem pensar que um lugar assim não existe, não é real.

Posso garantir que este lugar existe, pode ser difícil de encontrar, mas existe. Para encontrar este lugar é preciso procurar dentro e fora de nós de coração aberto e agarrando aquele pedaço de coragem que é preciso para sair do lugar onde sempre estivemos.

  

 

 

08
Abr21

Carta a uma Amiga

Desafio das Cartas do Correio

Cristina Aveiro

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Foto de Madomistours

 

Querida Paula,

 

Que saudades eu tenho de ti. Os quatro anos que vivemos juntas em Coimbra nos nossos vinte anos foram inesquecíveis. O desafio de viver fora da asa dos pais, a liberdade de explorar uma nova cidade, a alegria de trilhar um caminho novo a aprender, as certezas de quem tem 20 anos. Fomos tão próximas, aquela euforia dos namoricos que se foram transformando em namoros. A casa da D. Estrela, tão frágil e idosa quanto surda e carinhosa. Lembras-te de ela nos dizer meninas parece que anda por aí passarinho novo! E nós intrigadas como é que ela teria descoberto! Só quem tem 20 anos é que não sabe que quando há passarinho novo tudo brilha de outra forma e é fácil adivinhar a quem observa. Fomos felizes naquela casa da D. Estrela, lembro-me frequentemente dela. Cada uma de nós a namorar com o seu Jorge e mais tarde a casar com eles.

Não consigo compreender porque te afastaste de nós depois de te separares do Jorge com quem te casaste. Eu e o meu Jorge continuamos juntos e continuamos a gostar muito de ti. Como fomos os três inseparáveis nesses quatro anos. Sabes que tentei muitas vezes voltar ao teu contacto, mas nunca consegui. Talvez nos vejas como parte de uma fase da tua vida que queres esquecer. Ainda assim nós podíamos viver contigo novos momentos, criar novas memórias boas. Quando as pessoas se separam não é preciso dividirem os amigos que eram de ambos. Nós temos coração grande, onde cabem o ex-teu Jorge e tu, mas se tu me desses a hipótese de escolher entre os dois, eu escolhia-te a ti. Tu apagaste-nos do teu mundo sem sequer nos dar uma hipótese de contacto.

Quero muito que tudo te corra bem e desejo-te felicidades como sempre desejei. Tenho muita pena de não saber nada de ti e de me sentir morta para ti quando estou viva e bem viva e cheia de abraços para te dar.

Abraço-te em pensamento e dou-te os beijos que eu quiser porque a isso não consegues fugir.

Da tua sempre Amiga,

 

Cristina

 

Muito eu gostaria de enviar esta carta, mas não sei o endereço!

Texto no âmbito do desafio das cartas de correio lançado pela Célia no seu ...Raios de Sol .

05
Ago20

O Cisne dos Pés Pretos

Cristina Aveiro

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Era uma vez um cisne branco lindíssimo, com penas tão brancas e suaves que pareciam ser feitas de luz. Era alto, elegante, com um longo pescoço ondulante, flexível e gracioso. Quando nadava os seus movimentos pareciam fazer parte de uma dança clássica, mas quando caminhava sobre a relva tinha passadas lentas e firmes mas bamboleava-se para um lado e para o outro. A culpa era das suas enormes patas triangulares com as membranas entre os dedos. O contraste entre as penas e as pernas e os pés não podia ser maior porque as pernas e os pés eram admiravelmente pretos e destacavam-se muito da brancura das suas penas.

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A beleza do cisne enquadrava-se na perfeição no sítio onde vivia, um sítio encantado, mesmo mágico. O cisne dos pés pretos e a sua companheira viviam num campo enorme cheio de relva sempre verdinha e cuidada o ano inteiro. No campo havia enormes árvores centenárias com troncos muito grossos e contorcidos, havia alfarrobeiras, oliveiras, figueiras, nespereiras, … enfim uma enorme variedade das árvores do Sul. O campo tinha também inúmeras flores de todas as cores e era povoado por cheiros mornos e doces do rosmaninho, do alecrim, das folhas de figueira e também de relva fresca, muitas vezes acabada de cortar.

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O campo tinha também vários pequenos lagos que o cisne partilhava com várias famílias de patos pardos que eram bons companheiros. O andar desengonçado e desajeitado, as penas e o bico pardos tornavam ainda mais visível o porte real e majestático do cisne dos pés pretos.

O campo do cisne dos pés pretos de tão perfeito parece que é irreal, mas … existe. É na Quinta de Benamor, uma quinta centenária onde nasceu um campo de … golfe.

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O cisne dos pés pretos observa os jogadores de roupas multicolores sem perturbar a sua vida, fica a olhar para os estranhos ovos brancos redondos que os jogadores seguem pelo campo fora, dando-lhes pancadas com toda a força que eles até voam no ar. O cisne dos pés pretos não compreende o que eles fazem mas não se incomoda com os jogadores. Os jogadores são silenciosos, tal como os carrinhos em que andam e estão sempre mais interessados nos seus estranhos ovos do que na vida do cisne. O único barulho que os jogadores fazem é quando batem com toda a força nos ovos e eles voam até junto das bandeiras brancas.

Havia, contudo, uma jogadora que olhava para o cisne dos pés pretos com atenção e carinho. Dia após dia vinha ao campo, ia-se aproximando do cisne e ele não se afastava. Um dia ela trouxe umas sementes na mão estendida e ficou ali à espera a ver o que acontecia. O cisne dos pés pretos foi andando muito devagarinho, passo após passo até chegar perto da senhora mas sempre um pouco receoso. Mantendo a máxima distância, esticou o seu longo pescoço o mais que pode e comeu. Era delicioso, a erva que comia no campo era boa mas aquelas sementes eram irresistíveis.

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Assim começou um novo ritual dos dias do cisne dos pés pretos, a senhora chegava com as suas sementes e o cisne ia ter com ela para as comer todo feliz. Passou o Outono, o Inverno e o cisne dos pés pretos já nem passava sem aquele momento especial do dia. Um dia a meio da Primavera a senhora não apareceu. No dia seguinte também, e passou a ser sempre assim.

Alguém disse que a senhora tinha voltado para a Suécia para passar lá o Verão, mas claro que isso o cisne dos pés pretos não podia saber nem entender.

Os dias continuaram a passar felizes para o cisne, passeando no campo junto aos jogadores, nadando nos lagos e bailando com a sua companheira. O tempo começou a arrefecer e num dia igual ao anterior o cisne dos pés pretos viu chegar junto ao arco das heras… a senhora das sementes. O cisne dos pés pretos foi a correr até à senhora, os jogadores no campo voltaram-se admirados com a rapidez do cisne e não percebiam o que se estava a passar.

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Quando o cisne chegou junto à senhora e ela lhe voltou a estender a mão com sementes ele comeu com alegria.

O cisne dos pés pretos ficou muito feliz com o regresso da senhora e ficou a pensar:

- Será que ela volta amanhã ?

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