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Contos por contar

Contos por contar

20
Jun20

Quero um Cão!

Cristina Aveiro

Era uma vez uma menina pequenina chamada Matilde, tinha uma carinha redonda e fofa de pele branca e bochechas rosadinhas. A Matilde era muito alegre e divertida, gostava de brincar e de falar com toda a gente.

A Matilde tinha um sonho… queria ter um cão só seu. Ela queria muito ter um amigo especial que seria só dela e ela iria cuidar dele. Nos seus sonhos o seu cão seguia-a para todo o lado, fazia tudo o que ela queria e ia tornar as suas brincadeiras com os amigos ainda mais divertidas e animadas.

Na verdade a Matilde vivia numa bela casa junto ao rio da sua cidade, mas a casa era num prédio, não tinha quintal. Junto à casa da Matilde havia belos jardins e bons sítios para passear e explorar com os seus amigos e claro, nos seus sonhos, com o seu cão.

Outro sítio que a Matilde adorava era a casa da avó que tinha um belo quintal com horta, flores, uma casinha de madeira para brincar e baloiços.

Quando fazia anos ou estava para chegar o Natal e lhe perguntavam qual era a prenda que queria receber, a Matilde dizia: Um cão.

O primeiro cão que recebeu era um cão preto e branco, com patas com rodas e uma cauda que abanava. No nariz vermelho havia uma luz que piscava quando o cão andava. A Matilde gostou muito do presente que recebeu mas explicou a todos que não queria um cão de brincar, queria mesmo um cão a sério! Vivo! Pequenino para crescer com ela.

Os pais foram explicando que como viviam num prédio e a casa não tinha jardim não podiam ter um cão porque ele ia ficar triste fechado em casa quando todos saiam para ir para a escola ou para ir trabalhar. A Matilde ficava a pensar no que lhe tinham dito, mas… continuava a ter muita vontade de ter o seu cão.

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Fez anos de novo e voltou a ser Natal. Perguntavam sempre qual o presente que queria e continuava a responder a mesma coisa: Quero um cão!

Chegou o verão e passar alguns dias na praia. A Matilde, os pais e a irmã adoravam a areia fina e dourada e o mar. Eram dias felizes a sentir o cheirinho a ar puro do mar, a brincar na areia e tomar banhos. Davam grandes passeios e iam à biblioteca da praia ver os livros e ouvir histórias lidas pelo pai ou pela mãe.

Um dia estava na esplanada da biblioteca estava um senhor já velhinho, alto, grande, com belos olhos muito azuis cheios de brilho, um grande sorriso e um cão muito bonito. Os seus cabelos eram parecidos com o pelo do seu cão. O cão era pequeno, muito lindo com pelos brancos e olhar muito meigo. A Matilde ficou logo encantada e foi ter com o cão. Perguntou ao senhor se podia fazer festas e brincar com ele.

O senhor disse que podia brincar à vontade porque a Cookie não fazia mal a ninguém e adorava crianças. A cadelinha era encantadora e mesmo a irmã da Matilde que tinha medo de cães gostou dela.

Todos os dias, naquelas férias havia tempo de brincadeiras com a Cookie. Todos começaram a gostar da cadelinha, a admirar o seu bom comportamento, simpatia e elegância. Sim, a Cookie era vaidosa e andava sempre muito direita, de cabeça erguida, cauda levantada e a abanar levemente, com passos pequeninos e sempre ao mesmo ritmo.

No fim das férias os sonhos da Matilde continuavam, mas agora o seu sonho não era ter um cão, era ter um cão lindo e amigo como a Cookie.

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Ao voltar a casa e regressar à escola contou aos amigos e à professora sobre o cão que tinha conhecido no verão e explicou o quanto era bem comportado, bonito e meigo. Perguntou aos amigos se conheciam alguém que tivesse um cão como a Cookie, mas ninguém conhecia.

De novo a Matilde fez anos e pediu um cão como a Cookie mas não recebeu. A Matilde continuava a falar da Cookie e a mostrar às tias e aos tios como era bonita. Sem dizerem nada à Matilde todos começaram a procurar alguém que tivesse um cão assim.

Um dia, o tio Filipe encontrou uma senhora que tinha uma ninhada de cães pequeninos parecidos com a Cookie, mas não eram brancos, eram da cor do mel. Os pais e o tio combinaram e decidiram fazer uma grande surpresa à Matilde.

Nas férias de Natal, num dia muito frio de dezembro os pais levaram a Matilde a um passeio a um lugar onde ela nunca tinha ido. Não disseram o que iam fazer, e a Matilde pensou que iam simplesmente dar um passeio. Chegaram a uma casa velha junto a uma estação de comboio, subiram as escadas e bateram à porta. Quando a porta se abriu apareceu uma senhora, atrás dela o chão do pequeno hall de entrada estava coberto de … cães, grandes e pequenos bebés, todos a mexer e a tentar ver tudo, muito bonitos.

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A Matilde estava encantada com os cães e começou a imaginar como seria ter um daqueles lindos cães. Os seus olhos estavam a brilhar e a sua carinha redonda estava rosada só de pensar nisso.

Os pais disseram à Matilde que tinham vindo para levar um dos cães para casa para ser seu. A Matilde nem queria acreditar, tinha o coração a bater a toda a velocidade, tudo parecia um sonho, se calhar não tinha percebido bem… Então a senhora disse que a Matilde podia escolher o que mais gostasse. Foi tão difícil, eram todos lindos! Havia um com muito pelo preto e zonas de pelo cor de mel que ela adorou, mas havia também uma pequenina toda cor de mel só com uns pelinhos pretos na cauda e no focinho que era encantadora… e foi especial quando a menina a agarrou. Era uma bolinha de pelo que lhe cabia na mão, era tudo o que a Matilde tinha sonhado e nesse momento a Matilde soube que era aquela.

No regresso a casa a Matilde trouxe a sua pequena cadelinha ao colo. De vez em quando caiam-lhe lágrimas de alegria. Foi um momento que nunca mais ia esquecer, aquele ser pequenino e doce dependia agora de si.

Toda uma nova aventura começava para as duas, a Matilde tinha de cuidar, ensinar e amar a pequenina e estava radiante com o sonho tornado realidade.

A Matilde pensou, nem acredito! Agora tenho o meu cão! Ela é linda! Vamos viver muitas aventuras juntas ...

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