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Contos por contar

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25
Dez21

E foi Natal!

"Os nossos contos de Natal 2021"

Cristina Aveiro

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Naquele tempo viviam-se receios de um terrível micróbio que tinha mudado a forma de viver de todos em todo o mundo.

No estranho ano de 2020 todos tinham ficado fechados em casa durante largos períodos e quando chegou o Natal não foi possível juntar toda a família em casa dos avós. Tinha sido assim com todas as famílias e com todas as crianças. Durante todo o ano foram dizendo que com as vacinas, testes e outros medicamentos, no ano seguinte tudo ia voltar ao que fora antes. Mas 2021 continuou a ser um ano estranho, com muitas máscaras e cuidados, tempos de isolamento em casa devido a amigos, professores ou outras pessoas que tinham ficado doentes e para não espalhar a doença recolher em casa era a melhor forma de travar o micróbio.

Ainda assim durante o tempo quente houve menos doença, pode haver férias de praia e de mar, pode haver aniversários com toda a família junta, tudo parecia começar a ser um pouco como antes. Com a chegada do frio no final do outono e início do inverno tudo começou a ficar mais complicado, mas ainda assim os meninos continuaram a acreditar que o Natal ia ser com todos juntos como eles tanto gostavam.

Lá no alto, naquela casa alta, no oitavo andar de um prédio na cidade grande os dois irmãos estavam ansiosos pela chegada as férias de Natal.

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Durante as férias de Natal iam sempre passar uns dias a casa dos avós. Os avós viviam numa casa enorme, com salas, terraços, sótão, uma lareira com fogueira a sério, jardim e um quintal com árvores e animais. Aquela casa era um lugar onde os rapazes podiam viver com grande liberdade, podiam fazer barulho à vontade, trepar às árvores, construir casas com enormes caixotes de cartão no jardim, ir apanhar laranjas, tangerinas, limões, …

Gostavam de ir ao capoeiro das galinhas buscar os ovos ao ninho, claro que às vezes havia acidentes no transporte porque afinal os ovos não vinham naquelas embalagens do supermercado e eram muito frágeis, mas ninguém se zangava quando se partiam. Havia uma enorme quantidade de histórias em que quase todos já tinha tido os seus acidentes, deixado cair das mãos, do cestinho, ou então como uma vez a tia tinha feito quando era pequenina. Tinha muitos ovos e decidiu colocar no bolso do casaco e depois se esquecera, a seguir fora abrir a porta e encostara-se e todos os ovos que estavam no bolso se tinham partido dentro do bolso do casaco de tricot azul, tinha sido gemada por toda a roupa e cascas partidinhas no bolso durante bastante tempo apesar das lavagens sucessivas.

Os rapazes desejavam sempre não chovesse para poderem passar muito tempo no quintal e no jardim e andar de bicicleta à vontade nas ruas tranquilas perto da casa da avó.

Havia também a casa da tia e das primas que era bem perto e onde havia um sótão enorme cheio de brinquedos, um móvel enorme cheio de legos, jogos e um nunca mais acabar de coisas diferentes das que tinham na sua casa da cidade grande.

Aquela liberdade, os preparativos do Natal na casa da avó e claro a expectativa daquela confusão alegre da troca de prendas deixavam-nos ansiosos por ir.

Na última semana de aulas, tal como já tinha acontecido várias vezes naquele ano, um dos colegas da escola ficou infetado com o maldito Covid e novamente tiveram de ficar em isolamento em casa, sim, isso mesmo, ficar sem poder sair de casa durante muitos dias.

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Os rapazes ficaram muito tristes, mesmo desolados porque assim, tal como no estranho ano de 2020 todos iam ter de ficar em casa no Natal e não iam poder estar com as tias, os tios e as primas. Nunca tinham imaginado que fosse acontecer de novo, mas tinha acontecido.

Nos primeiros dias em casa até se divertiram bastante, continuavam a ter aulas e trabalhos de casa, mas sobrava muito mais tempo porque não tinham que andar nas enormes filas de transito da cidade do mês do Natal. Passavam mais tempo a brincar, a ler, a conversar com o pai e com a mãe, a brincar com a gata, … Estavam a ter dias muito tranquilos, mas quanto mais se aproximava o dia 24 mas difícil era lembrar que não iam para casa dos avós e que não iam passar o Natal com "toda a gente" como eles costumavam dizer.

No dia 24, depois de terem jantado ouviram tocar a campainha e ficaram todos admirados. A mãe foi abrir a porta devagarinho, mas não estava lá ninguém. Os rapazes e a gata também vieram logo ver o quem era e viram logo o enorme saco de serapilheira muito cheio e um monte de envelopes coloridos em cima do saco. Pareciam postais de Natal.

Foi uma alegria levar tudo para dentro de casa, começar e ler os postais e o que estava dentro do saco.

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Mal tinham levado tudo para junto da árvore de Natal e do presépio quando o telefone tocou. O pai atendeu e disse que tinham de vestir os casacos grossos e ir todos para a varanda.

Lá foram todos e começaram a olhar para baixo tal como o pai tinha dito.

Que surpresa!

Estavam lá todos, os avós, os tios e as tias, os primos e as primas e foi pura magia de Natal vê-los e ouvi-los a cantar: Feliz Natal, Feliz Natal, que seja um bom Natal para toodos nóós!

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Este texto foi criado desafio "Os nossos contos de Natal 2021" lançado pela  Imsilva do Pessoas e Coisas da Vida e em que participam muitos bloguers deste maravilhoso sapal.

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