urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontarContos por contarCristina AveiroLiveJournal / SAPO BlogsCristina Aveiro2021-03-13T08:57:54Zurn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:292312021-03-13T08:54:00O Livro Esquecido2021-03-13T08:57:54Z2021-03-13T08:57:54Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 332px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="IMG_2140.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bbc17037c/22039640_m57tb.jpeg" alt="IMG_2140.jpg" width="540" height="436" /></p>
<p style="text-align: justify;">Era uma vez um livro pequeno, aí com umas 20 páginas, pouco alto e pouco grosso e já tinha muitos anos. Talvez pensem que é esquecido por não se lembrar das coisas já que é um pouco velho, mas não é nada disso. Ele lembra-se de tudo, desde quando foi feito na máquina de impressão, aos tempos que passou na prateleira daquela livraria grande, majestosa e ao mesmo tempo colorida e cheia de vida. Ele até tinha ouvido dizer que agora as pessoas iam lá só para ver a beleza da livraria, mas não sabia se era verdade.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 364px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Livraria Lello.jpg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G7b18895d/22039643_H2TMz.jpeg" alt="Livraria Lello.jpg" width="183" height="536" /></p>
<p style="text-align: justify;">Então as pessoas não iam às livrarias para admirar e comprar os livros que liam? Ele pensava que sim, mas já não tinha a certeza. Os tempos eram outros quando ele lá tinha estado na prateleira. Depois de muitas vezes ser admirado, folheado, lido aos bocadinhos, de ter sido pedido de presente aos pais pelas crianças que iam à livraria, lá chegou o grande dia. Ia finalmente ter o seu lar definitivo. chegou uma senhora jovem e foi à seção de livros infantis e juvenis e passou um dia inteiro a escolher e a colocar em enormes pilhas. Foi nesse dia que saiu da prateleira da livraria para não voltar. Adorou o lugar onde foi viver, era uma sala luminosa, cheia de livros, muitas e muitas estantes cheias de prateleiras repletas de livros de todas as cores tamanhos e feitios.</p>
<p style="text-align: justify;">Era uma biblioteca! Mas era uma biblioteca de uma enorme casa que tinha umas vinte salas enormes. O livro estava feliz, tinha um lugar de destaque nos novos livros para crianças e a horas certas elas enchiam a biblioteca e desfolhavam os livros, tentavam ler, outras liam para os amigos, às vezes levavam livros para as salas grandes e outras vezes levavam mesmo os livros para casa para lerem e contarem às suas famílias. Oh, como eram tempos felizes, andar de mão em mão e na companhia dos outros livros seus amigos. Frequentemente as crianças disputavam quem é que o ia ler ou levar para casa. Sentia-se amado e querido, sentia que tinha um propósito, uma missão mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais tarde começaram a vir menos crianças à biblioteca e vinham muitas vezes ver filmes, ver os computadores, e agora até usavam muito os seus pequenos telemóveis e parecia que já nem olhavam para os belos livros nas prateleiras. O pequeno livro até já tinha ouvido dizer que os leitores eram uma espécie em vias de extinção, já quase só havia leitores muito velhos.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro pequeno e outrora colorido com cores intensas e felizes, tinha as cores esbatidas e sentia que tinha sido esquecido. Estava para ali como um velho que não servia para nada, numa prateleira a apanhar pó.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 364px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="IMG_2137.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G13174e6d/22039649_AYPst.jpeg" alt="IMG_2137.jpg" width="720" height="480" /></p>
<p style="text-align: justify;">Um dia chegou uma menina diferente à biblioteca, ela já era crescida e parecia saber muito bem o que ia fazer. Vinha vestida com roupas de Capuchinho Vermelho, uma história que era contada em vários livros seus amigos. A menina trazia um cesto muito bem decorado e um pouco grande que começou a encher com livros. Os livros estavam todos contentes, afinal iam até algum lado, iam arejar. Bem precisavam! Depois de encher o cesto a menina foi a uma das salas grandes e pediu ao professor se podia trazer algumas surpresas para os meninos. Ele disse que sim de imediato. Então a menina tirou um e outro livro e leu bocadinhos ao acaso de cada um deles. As crianças pediam que contasse o resto, mas a menina disse que não era essa a sua missão. Algumas fatias de livro mais tarde, os meninos já estavam com o bichinho da curiosidade aguçado e a menina explicou que se queriam saber o resto das histórias iam ter de ler e que ela podia emprestar alguns livros, mas avisava já que não havia livros para todos. Ao dizer estas palavras piscou o olho ao professor que a observava divertido. E os meninos lá foram pedindo os livros que queriam e quando a euforia terminou, o Lourenço disse admirado:</p>
<p style="text-align: justify;">- Afinal há livros para todos! Não faltam para ninguém e ainda tem mais no cesto.</p>
<p style="text-align: justify;">A menina “Capuchinho Vermelho” sorriu e disse que estavam com sorte, mas só tinham os livros com eles até à próxima semana porque os livros tinham que ir viajar de novo na sua cestinha.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro passou uma semana em beleza a ser lido e contado a todos da família do menino e depois mesmo na sala grande com o professor. Até tinham feito desenhos com a sua história, estava mesmo feliz. Mal tinha sido posto de novo no seu lugar da prateleira da biblioteca chegou um rapaz com uma roupa diferente, ele achava que também era de uma história, ele não tinha a certeza, mas aquele rapaz de óculos redondos, capa preta, sempre com uma varinha na mão fazia-lhe lembrar o personagem de uma história. Achava que se chamava Harry e era de uma coleção de livros recentes. O rapaz chegou à biblioteca e começou a encher caixotes e caixotes de madeira bonitos, que pareciam antigos, dos que antes de haver plástico serviam para levar as frutas ao mercado.</p>
<p style="text-align: justify;">Os livros todos ficaram num frenesim de curiosidade, para onde iriam desta vez? Que aventura os iria agora arrancar de novo ao tédio das prateleiras esquecidas e quase mortas?</p>
<p style="text-align: justify;">Quando já havia uma enorme pilha de caixotes, o tal rapaz levou-os para o recreio, um espaço enorme cheio de crianças alegres a correr, saltar, gritar, enfim, a ser crianças.</p>
<p style="text-align: justify;"><img style="width: 364px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="marktstand.jpg" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B2e176449/22039651_5WdKD.jpeg" alt="marktstand.jpg" width="540" height="481" /></p>
<p style="text-align: justify;">Aproximou-se de uma zona abrigada onde já estavam montada três barraquinhas de feira, todas bonitas e onde o rapaz e a menina vestida de Capuchinho Vermelho começaram a colocar os livros de uma forma quase irresistível, estava tão bonito que só de olhar apetecia levar tudo para casa. As crianças foram-se aproximando curiosas e à medida que os livros iam enchendo as bancadas todas começaram a querer mexer, ver, ler um pouco, como quem escolhe e prova a fruta antes de comprar.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando tudo ficou pronto colocaram um enorme cartaz que dizia:</p>
<p style="text-align: justify;">- Aluguer de livros – 1 semana por um desenho sobre a história!</p>
<p style="text-align: justify;">A notícia caiu como uma bomba. Então os livros que eram da biblioteca agora eram para alugar? Todos tinham o direito de os levar e não tinham que pagar nada por isso. Houve logo um grupo de crianças que disse que não queria alugar, nem pagar, mas que gostava muito de fazer desenhos e queriam levar um livro cada um. O Harry e a menina Capuchinho Vermelho explicaram que o pagamento do aluguer era mesmo o desenho e que claro que podiam levar os livros.</p>
<p style="text-align: justify;">O nosso livro esquecido estava numa zona de livros de contos infantis mais antigos e começou a pensar que as crianças iam preferir os livros novos mais coloridos, mas estava contente só de estar ali a ver toda aquela agitação e alegria.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando já estavam a começar a arrumar a banca, veio uma das senhoras que trabalhava na escola e perguntou se também podia alugar o livro e trazer um desenho da sua sobrinha a quem ia ler a história. Claro que o Harry e a Capuchinho disseram logo que sim, que escolhesse. A senhora foi para a zona dos livros mais antigos e disse, vou levar este, adoro-o, já a minha mãe mo leu quando eu era pequenina, depois lio eu aos meus filhos e agora vai ser à minha sobrinha, adoro contar histórias, faz-me sentir feliz e sinto que faço as crianças felizes.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 364px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="IMG_2139.jpg" src="https://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Ba617b69d/22039652_7Z34D.jpeg" alt="IMG_2139.jpg" width="540" height="478" /></p>
<p style="text-align: justify;">O Harry e a Capuchinho ficaram comovidos, sentiram que tinha valido a pena e iam continuar a trazer os livros da biblioteca cá para fora, para virem até às pessoas, eles iam salvá-los de serem esquecidos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:288602021-03-12T17:10:00O que queres no Natal? - Ilustrações2021-03-12T18:08:28Z2021-03-12T18:08:28Z<p>Estou muito feliz por o José Raimundo ter aceite o desafio de ilustrar o meu conto "O que queres no Natal?".</p>
<p>Gostava de ver as ilustrações do José e perto do Natal atrevi-me a perguntar se gostaria de ilustrar o conto que tinha acabado de escrever.</p>
<p>Em 2 de Janeiro recebi os primeiros esboços</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 503px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="134946193_691563734838460_2550444007231942629_n-1." src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B78178355/22039571_b3OsR.jpeg" alt="134946193_691563734838460_2550444007231942629_n-1." width="784" height="463" /></p>
<p>E perante as hipóteses gostei mais do segundo do lado esquerdo.</p>
<p>Em 16 de Fevereiro chegou a primeira ilustração, o Fernandinho com o seu presente final, eu amei</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 500px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="150421078_456685248753846_7557162944389012460_n.jp" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G43187be7/22039582_FIAIM.jpeg" alt="150421078_456685248753846_7557162944389012460_n.jp" width="958" height="500" /></p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a href="https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=2868229710091997&id=100007149870856&sfnsn=mo" rel="noopener">Ilustração de José Raimundo</a></p>
<p class="sapomedia images">Hoje chegou a ilustração da Francisca e estou maravilhada.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 510px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Francisca-O que queres no Natal-José Raimundo.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B6e176b33/22039604_2ZiKQ.jpeg" alt="Francisca-O que queres no Natal-José Raimundo.jpg" width="720" height="510" /></p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.facebook.com/Jos.illustrator/posts/2879141182334183" rel="noopener">Ilustração de José Raimundo</a></p>
<p>O conto de Natal que fez nascer estas ilustrações foi o "<a href="https://contosporcontar.blogs.sapo.pt/o-que-queres-no-natal-10806" rel="noopener">O que queres no Natal?"</a></p>
<p>Para conhecer outros trabalhos do José vale a pena visitar:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.facebook.com/Jos.illustrator" rel="noopener">https://www.facebook.com/Jos.illustrator</a></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:278452021-03-10T07:18:00A bailarina maléfica2021-03-10T07:19:11Z2021-03-12T11:32:36Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 551px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Alforreca-3.jpg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bd417904d/22035252_GS3io.jpeg" alt="Alforreca-3.jpg" width="954" height="419" /></p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><span style="font-size: 8pt;">Desenho da Matilde Aveiro 2006</span></p>
<p style="text-align: justify;">Era uma vez uma menina que adorava ir para a praia, sempre que o tempo era de Sol, lá ia a família até à praia, tanto no Inverno como no Verão.</p>
<p style="text-align: justify;">No Inverno eram as brincadeiras na areia, as corridas praia fora, aquela liberdade de ter toda a praia para si e para a sua irmã deixavam-nas felizes como pássaros fora da gaiola. No Verão era tudo, praia por inteiro, as infindáveis brincadeiras na areia e o mar, molhar os pés, brincar com a água até mais não poder e o melhor de tudo eram os banhos. A água era fria, o mar assanhado, muitos dias cheio de ondas grandes e perigosas, mas depois havia aqueles poucos dias por ano em que a bandeira verde saia da caixa, estava sempre como nova, ao contrário da vermelha que estava descorada e envelhecida de tanto ser usada. Os dias de bandeira verde eram o pináculo da alegria na praia, eram banhos e banhos até o frio da água levar a melhor. Saiam da água e deitavam-se ao sol até ficarem de novo prontas para ir de novo ao banho. Aquele mar tinha ondas brincalhonas, era muito irrequieto mesmo nos dias de mar calmo, mas era um não parar de brincadeira na água, nunca se estava a fazer a mesma coisa. Furavam as ondas, faziam carreirinhas, iam com os pais lá para a frente, enfim, a menina nesses dias chegava ao pôr do sol, à hora das gaivotas cansada a ponto de adormecer, mas tão feliz quanto se podia ser.</p>
<p style="text-align: justify;">Naquele ano os pais disseram que iam conhecer praia novas, diferentes da sua praia. A menina perguntou como é que as praias podiam ser diferentes, havia mar, havia areia e isso era uma praia. Os pais então perguntaram se gostaria de ir para uma praia onde o mar fosse muito mansinho, a água quentinha e estivesse sempre sol e calor. A menina sorriu e perguntou do alto da sua pequenez de estavam a brincar com ela. Isso seria a praia dos seus sonhos, mas não acreditava que houvesse uma praia assim.</p>
<p style="text-align: justify;">E o Verão chegou, e finalmente chegaram as férias. Foram horas e horas de viagem, durante a qual as pequenas perguntaram vezes sem conta: Estamos a chegar? Por fim chegaram, fazia calor, até a brisa era morna, as meninas ficaram encantadas. Foram logo ver a praia e nem conseguiam acreditar, o mar era de um azul-turquesa transparente e com pequeninas ondas bebé como disse a menina. Molharam os pés e quiseram logo ir ao banho, a água era deliciosamente quentinha comparada com a da sua praia.</p>
<p style="text-align: justify;">Naquelas férias quase não passaram tempo na areia, os banhos e brincadeiras na água do mar ocuparam quase o tempo todo. Muitas vezes os pequenos peixinhos cor de areia vinham junto a eles mordiscar nas pernas, ao princípio era um pouco assustador, mas depois todos achavam divertido. Usavam os óculos para mergulhar a cabeça na água e ver os peixes que andavam por ali junto das pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo corria bem e estavam a ser as férias de sonho, todos estavam felizes. Naquela tarde estavam todos lá bem dentro do mar numa zona do lado da praia que tinha uma parede de rochas, e onde havia algas e ainda mais peixes para observar, estavam a ver mais peixes do que nunca. De repente a menina viu uma espécie de bola com pernas a dançar. Era transparente como gelatina de um cor-de-rosa escuro e nadava como se fosse uma bailarina. A menina adorava o ballet, as roupas cor-de-rosa e as saias de tule e o bichinho parecia a bailarina perfeita, era apenas um pouco mais escura do que as suas roupas de dança.</p>
<p style="text-align: justify;">A menina estava encantada a ver aquele pequeno bichinho, quando sentiu uma enorme picada no pé. Foi uma dor enorme, gritou bem alto, não sabia o que estava a acontecer. Os pais vieram de imediato, pegaram na menina ao colo e todos saíram da água. Foi tempo de a menina ficar a saber que nas águas mais quentes há uns bichinhos maléficos chamados alforrecas. Os pais explicaram que eram de vários tamanhos e cores, transparentes e que se aproximavam sempre do lado de onde soprava o vento. Os bichinhos eram malvados porque tinham um veneno nos seus tentáculos que quando tocava na nossa pele “picava” e fazia uma dor enorme.</p>
<p style="text-align: justify;">A menina chorava e olhava para o seu pezinho todo vermelho e que lhe doía tanto e dizia que não ia voltar mais para o mar. A zona picada foi tratada com creme e massagens de mimos mágicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos poucos foi acalmando e a mãe disse-lhe para fazer um desenho com a alforreca maléfica, afinal ninguém gosta que o desenhem com cara de mau. E foi o que a menina fez.</p>
<p style="text-align: justify;"><img style="width: 684px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Alforreca.jpg" src="https://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B0f177266/22035248_8FjnD.jpeg" alt="Alforreca.jpg" width="960" height="497" /></p>
<p style="text-align: justify;">Os banhos no mar continuaram, mas agora sempre bem atentos para ver se não havia maléficas por ali.</p>
<p style="text-align: justify;">No fim das férias a menina disse aos pais que aquelas praias eram quase perfeitas, mas tinham as maléficas alforrecas e não tinham o cheiro a mar da praia deles. A menina tinha gostado muito de ir ali, mas a sua praia favorita era mesmo a deles.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/desafio-vamos-pintar-com-palavras-434723" rel="noopener">Texto no âmbito do #8 Desafio da Caixa dos Lápis de Cor - Cor-de-Rosa</a></p>
<p>Neste desafio, que eu saiba, participo eu, a <a href="https://ohdaguardapeixefrito.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Oh da guarda peixe frito</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://aconcha.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Concha, </a>a <a title="autor do comentário" href="https://a3face.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">A 3ª Face</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://cantinhodacasa.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Maria Araújo</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Fátima Bento</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://imsilva.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Imsilva</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://umapepitadesucesso.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Luísa De Sousa</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://abrigodasletras.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Maria,</a> o <a href="https://josedaxa.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">José da Xâ</a>, a <a href="https://omeumaiorsonho.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Rute Justino</a>, a <a href="https://greenideas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana D</a>., a <a href="https://raiosechuvas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Célia</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://happy-stiletto.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Charneca Em Flor</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://avidadagorduchita.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Gorduchita,</a> a <a href="https://fantasiasnoreinodalollipop.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Miss Lollipop</a>, a <a href="https://sopalavrasminhas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana Mestre</a> a <a href="https://rainyday.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana de Deus</a>, <a href="https://fugasdomeutinteiro.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">João-Afonso Machado</a>, <a href="https://amarquesademarvila.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">A Marquesa da Marvila</a> e a <a href="https://desabafamento.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">bii yue</a>.</p>
<p>Todas as quartas-feiras e durante 12 semanas publicaremos um texto novo inspirado nas cores dos lápis da caixa que dá nome ao desafio. Acompanha-nos nos blogues de cada uma, ou através da tag "Desafio Caixa de lápis de Cor". Ou então, junta-te a nós :)</p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:282682021-03-08T08:07:00Desafio "Sonhamos ir por aí!" - Resultados do Sonho2021-03-08T08:13:27Z2021-03-08T08:13:27Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 406px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Sapos em Viagem.jpg" src="https://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B3c18a7ef/22035729_g6sOO.jpeg" alt="Sapos em Viagem.jpg" width="605" height="289" /></p>
<p>Olá sapinhos viajantes, para melhor podermos usufruir dos sonhos de todos fiz a compilação dos sonhos de vadiagem:</p>
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<p>- Braga - "<a href="https://contosporcontar.blogs.sapo.pt/desafio-sonhamos-ir-por-ai-21333" rel="noopener">Vá para fora cá dentro de ... casa</a>" <a href="https://cantinhodacasa.blogs.sapo.pt/desafio-sonhamos-ir-por-ai-1974534" rel="noopener">Maria Araújo</a></p>
<p>- Cabo Espichel - "Uma história" <a href="https://aconcha.blogs.sapo.pt/uma-historia-desafio-sonhamos-ir-por-50462" rel="noopener">Concha</a></p>
<p>- Costa da Caparica - <a href="https://sopalavrasminhas.blogs.sapo.pt/desafio-sonhamos-ir-por-ai-costa-da-27159" rel="noopener">Ana Mestre</a></p>
<p>- Espinho - "Roteiro" - <a href="https://oultimofechaaporta.blogs.sapo.pt/espinho-289527" rel="noopener">O último</a></p>
<p>- Ericeira - "<a href="https://imsilva.blogs.sapo.pt/o-meu-sitio-o-meu-canto-150356" rel="noopener">O meu sitio, o meu canto</a>" <a href="https://imsilva.blogs.sapo.pt/o-meu-sitio-o-meu-canto-150356" rel="noopener">Isabel</a></p>
<p>- Estrada Atlântica - "<a href="https://desabafamento.blogs.sapo.pt/estrada-atlantica-ate-a-zambujeira-do-241242" rel="noopener">Estrada Atlântica até à Zambujeira do Mar</a>" <a href="https://desabafamento.blogs.sapo.pt/estrada-atlantica-ate-a-zambujeira-do-241242" rel="noopener">Bii yue</a></p>
<p>- Farol da Barra - "Carta a meu neto" <a href="https://greenideas.blogs.sapo.pt/carta-a-meu-neto-30521" rel="noopener">Ana D.</a></p>
<p>- Ilha da Madeira - "<a href="https://umapepitadesucesso.blogs.sapo.pt/desafio-sonhamos-ir-por-ai-prometo-te-265417" rel="noopener">Prometo-te o Céu!</a>" <a href="https://umapepitadesucesso.blogs.sapo.pt/desafio-sonhamos-ir-por-ai-prometo-te-265417" rel="noopener">Luísa de Sousa</a></p>
<p>- Leiria - "Mãe quero ir passear, por favor!" <a href="https://contosporcontar.blogs.sapo.pt/mae-quero-ir-passear-por-favor-21895" rel="noopener">Cristina Aveiro</a></p>
<p>- Mafra - "O sonho de Ofélia" <a href="https://abrigodasletras.blogs.sapo.pt/contoo-sonho-de-ofelia-202370" rel="noopener">Maria</a></p>
<p>- Mafra - "<a href="https://marta-omeucanto.blogs.sapo.pt/mafra-tapada-convento-era-uma-vez-uma-1093509" rel="noopener">Mafra Tapada (Con)vento: era uma vez uma vila assombrada..." </a><a href="https://marta-omeucanto.blogs.sapo.pt/mafra-tapada-convento-era-uma-vez-uma-1093509" rel="noopener">Marta</a></p>
<p>- Serra da Estrela - "<a href="https://josedaxa.blogs.sapo.pt/passeio-pela-aldeia-101238" rel="noopener">Passeio pela aldeia!</a>" <a href="https://josedaxa.blogs.sapo.pt/passeio-pela-aldeia-101238" rel="noopener">José da Chã</a></p>
<p>- Serra de Montejunto - "<a href="https://happy-stiletto.blogs.sapo.pt/sonho-num-dia-de-inverno-157616" rel="noopener">Sonho num dia de Inverno</a>" <a href="https://happy-stiletto.blogs.sapo.pt/sonho-num-dia-de-inverno-157616" rel="noopener">Charneca em flor</a></p>
<p>- Oleiros - "Terras encantadoras da Beira Baixa" <a href="https://raiosechuvas.blogs.sapo.pt/terras-encantadoras-da-beira-baixa-224538" rel="noopener">Célia</a></p>
<p>- Nagasaki - "Vá para fora dentro de casa" <a href="https://rainyday.blogs.sapo.pt/va-para-fora-dentro-de-casa-279804" rel="noopener">Ana de Deus</a></p>
<p>- Seixal - "Por este Seixal a fora à boleia da vontade" <a href="https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/por-este-seixal-fora-a-boleia-da-467310" rel="noopener">Fátima Bento</a></p>
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<p>Sinto que me faltam textos, mas não consegui apanhar com a tag de pesquisa :(</p>
<p>Peço que ajudem enviando o link nos comentários. Gostava muito que estivessem todos, quero fazer o roteiro.</p>
<p>Obrigada a todos por terem aceite este desafio.</p>
<p> </p>
<p><a href="https://ohdaguardapeixefrito.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Oh da guarda peixe frito</a>, <a title="autor do comentário" href="https://aconcha.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Concha,</a> <a title="autor do comentário" href="https://a3face.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">A 3ª Face</a>, <a title="autor do comentário" href="https://cantinhodacasa.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Maria Araújo</a>, <a title="autor do comentário" href="https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Fátima Bento</a>, <a title="autor do comentário" href="https://imsilva.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Imsilva</a>, <a title="autor do comentário" href="https://umapepitadesucesso.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Luísa De Sousa</a>, <a title="autor do comentário" href="https://abrigodasletras.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Maria,</a> <a href="https://josedaxa.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">José da Xâ</a>, <a href="https://omeumaiorsonho.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Rute Justino</a>, <a href="https://greenideas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana D</a>., <a href="https://raiosechuvas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Célia</a>, <a title="autor do comentário" href="https://happy-stiletto.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Charneca Em Flor</a>, <a title="autor do comentário" href="https://avidadagorduchita.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Gorduchita,</a> <a href="https://fantasiasnoreinodalollipop.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Miss Lollipop</a>, <a href="https://sopalavrasminhas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana Mestre</a>, <a href="https://rainyday.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana de Deus</a>, e <a href="https://desabafamento.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">bii yue</a>.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:253392021-03-08T07:14:00Porque eu posso!2021-03-08T07:17:09Z2021-03-08T07:17:09Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 606px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Eu-porque eu posso.JPG" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Ba517a830/22024109_3ZEFl.jpeg" alt="Eu-porque eu posso.JPG" width="960" height="458" /></p>
<p style="text-align: justify;">Quero continuar a escrever contos, receitas de cozinha, pensamentos alegres, tristes, sérios, tolos, o que me apetecer, porque eu posso.</p>
<p style="text-align: justify;">A escrever sinto uma liberdade total, não tenho chefe, prazo, tutela, o que seja! Eu escrevo porque eu posso e como eu quero. Posso não escrever bem, mas isso que importa se ainda assim eu tiver prazer nisso? Posso tentar escrever mais e melhor, ou então escrever pouco e devagar.</p>
<p style="text-align: justify;">Quero escrever coisas que ainda não sei, coisas que vão acontecer e que me vão levar a imaginar outras, num rodopio imparável que é a vida a acontecer, e o indomável e veloz pensamento a galopar. Vou regalar-me a inventar fantasias de mundos imaginados onde tudo é possível, desde prédios que andam, a vacas que voam, a pássaros que vêm da lua e a peixes que andam pelos bosques, e tudo isto porque eu posso. Que ninguém se atreva a impor regras, muros ou portas nesta vontade de fazer diferente do que há e do que está à nossa volta. De repente, pode não haver gravidade e passamos a levitar e não há peso, ou as pessoas começam a mudar de cor quando andam por aí como os camaleões.</p>
<p style="text-align: justify;">Quero escrever sobre as pessoas, o que sentem, o que fazem, ou faziam no passado. Não quero agora escrever sobre pessoas que não sejam boas, neste mundo das letras não quero que haja maldade, e vai ser assim, porque eu posso!</p>
<p style="text-align: justify;">Quero escrever sobre as perguntas do como e do porquê que me enchiam a cabeça quando era pequenina. Queria saber como eram feitas as coisas, como funcionavam os motores, as fábricas, a eletricidade, os aviões e como viviam os animais e as plantas aqui e em lugares distantes. Vou escrever sobre estas coisas, vou falar do que aprendi e aprender mais, porque eu posso.</p>
<p style="text-align: justify;">Vou escrever para as crianças, para usar as histórias como forma de lhes transmitir valores de amor à Terra, às pessoas e aos animais.</p>
<p style="text-align: justify;">Quero usar a escrita para deixar o Mundo um pouco melhor do que o encontrei, porque eu posso.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/quem-quer-ganhar-livros-giveaway-458408" rel="noopener">Texto escrito para a comemoração dos 7 anos do "porqueeuposso.blogs.sapo.pt" Sorteio dos 7 livros</a></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:175352021-03-06T07:09:00O Pedro e a vela2021-03-06T07:20:23Z2021-03-06T07:20:23Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 549px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="382140_172127432878976_563780354_n.jpg" src="https://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B4d172726/22034066_LR8p6.jpeg" alt="382140_172127432878976_563780354_n.jpg" width="960" height="369" /></p>
<p style="text-align: justify;">Era uma vez um menino chamado Pedro que vivia na Praia da Barra. Pedro não tinha irmãos, nem irmãs e gostava muito das suas duas primas. Estava sempre à espera das férias de Verão para estarem todos juntos durante mais tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">Naquele Verão os três primos foram para a escola de vela, era um sonho da tia do Pedro que quando era pequenina gostava de ter aprendido a velejar. Pedro e as primas iam de manhã bem cedo para as aulas, equipavam-se com os fatos de surfista pretos justos ao corpo para não terem frio, com os coletes salva-vidas vermelhos e lá iam pôr os pequenos barcos na ria. Os barcos eram <em>optimist</em>, pequenos barquinhos onde apenas cabia uma criança, pareciam quase umas banheiras grandes.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos os dias aprendiam coisas novas, era uma aventura fascinante conduzir o barco. Às vezes quando havia mais vento e o barco se inclinava muito fazia um pouco de medo, mas era um desafio controlar o barco e manobrar com rapidez. Aprenderam a virar o barco e depois a voltar a pô-lo de novo sobre a água. A prima mais nova não gostava nada de fazer estes exercícios, dizia sempre que não queria que o barco se virasse, por isso não tinha nenhuma vontade de o virar de propósito. O professor que os acompanhava explicava que tinham que aprender a virar de novo o barco porque ele podia virar-se e eles tinham de ser capazes de resolver o problema lá no meio da ria sem estar à espera de ajuda.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 551px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="1016798_469374273154289_1044714672_n.jpg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B4118c72d/22034082_pZ1zp.jpeg" alt="1016798_469374273154289_1044714672_n.jpg" width="960" height="416" /></p>
<p style="text-align: justify;">Ao final do dia tinham que tirar os barcos da água, lavá-los e arrumá-los para o dia seguinte. Quando tudo acabava, às vezes ainda iam a mais um banho na ria. A seguir, tinham que ir comer, estavam sempre esfomeados e muito cansados, mas felizes.</p>
<p style="text-align: justify;">Passou a primeira semana e como tinham gostado tanto, ficaram mais outra semana e cada vez iam mais longe, conseguiam aguentar vento mais forte e já eram capazes de participar nas regatas entre os alunos. Havia alunos que já faziam cursos há muito tempo e que conseguiam andar com mais velocidade e ser mais certeiros nas manobras com o barco, mas os três primos conseguiam fazer os percursos e todos diziam que eles tinham feito enormes progressos.</p>
<p style="text-align: justify;">As férias acabaram e as primas foram embora, mas o Pedro queria aprender mais, gostava que o Verão e aulas de vela não acabassem. O bichinho da vela tinha entrado nos seus sonhos, ele gostava de andar de bicicleta, de jogar futebol, mas a vela tinha-lhe dado momentos muito especiais.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 550px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="11033890_819549284803451_2475957175439249217_n.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B1d17f889/22034168_DCBwB.jpeg" alt="11033890_819549284803451_2475957175439249217_n.jpg" width="960" height="350" /></p>
<p style="text-align: justify;">Foi então que os seus pais lhe perguntaram se ele queria continuar durante todo o ano. O Pedro ficou muito contente e disse logo que sim. Nesse ano todos os fins-de-semana lá ia ele todo satisfeito para a ria. No Inverno era mais duro, fazia frio, o vento era mais forte, a ria estava muito mais agitada e as correntes eram muito fortes, o desfio era maior, mas estar ao leme do pequeno barco, dominar a vela e tentar ultrapassar os amigos da vela eram os melhores momentos da semana.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltou o Verão, e as primas regressaram para novo curso com o Pedro, e voltaram a ir os três, mas que diferença, o Pedro já parecia um professor, ia com os mais velhos, os que faziam vela o ano inteiro. Quando estavam os três era o Pedro que dava conselhos e ensinava técnicas para entrar melhor na doca, ou vencer a corrente mais facilmente. Quando o Pedro fez anos, teve uma surpresa que o encheu de orgulho, recebeu o seu primeiro barco e não cabia em si de contente, adorava-o. Se numa saída para a água fazia um pequeno risco, ou se uma peça se partia, ficava todo triste, aquele seu barquinho era o seu orgulho.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 551px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="P1060296.JPG" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B7618718d/22034106_D7Uo9.jpeg" alt="P1060296.JPG" width="960" height="371" /></p>
<p style="text-align: justify;">Começou a ir a regatas a sério em várias cidades, a ir ver regatas com os barcos da ria e outras com barcos sofisticados.</p>
<p style="text-align: justify;">O Pedro foi crescendo e depois já não cabia nos barcos pequenos. Foi o tempo de se despedir do seu barquinho adorado. Uma nova aventura começava, agora passou a andar num 420, um barco maior que era tripulado por duas pessoas, o Pedro e um grande amigo seu, que formavam uma equipa. Era um barco grande com três velas, com um mastro enorme que fazia parecer o casco minúsculo. Os desafios foram sendo cada vez maiores, foi a muitas regatas e continuava a adorar velejar, agora já ia para o mar aberto, para os grandes portos e cruzava com navios de carga enormes.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro sonhava com barcos maiores, com equipas com muitas pessoas, sonhava mesmo pilotar barcos grandes a motor em viagens à volta do mundo,… Quem sabe, tudo pode acontecer quando queremos muito e nos esforçamos por conseguir. Nunca podemos saber até onde o sonho e a vela nos podem levar.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 500px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="61023715_2525700800774999_2884305186212282368_o.jp" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B7018f0f6/22034104_S0V36.jpeg" alt="61023715_2525700800774999_2884305186212282368_o.jp" width="960" height="341" /></p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 499px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Pedro no barco da equipa.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B2317198a/22034175_oTjTg.jpeg" alt="Pedro no barco da equipa.jpg" width="706" height="454" /></p>
<p> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:262662021-03-03T09:46:00O berço de todos2021-03-03T09:47:51Z2021-03-12T11:34:03Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 500px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Berco 1.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B531843c5/22027584_udTBT.jpeg" alt="Berco 1.jpg" width="369" height="381" /></p>
<p style="text-align: justify;">Foi há mais de cinquenta anos que a avó comprou aquele singelo berço com pés em vime e alcofa em entrançado de folhas de palmeira. Era um berço grande porque a avó tinha poucos recursos e queria que o seu bebé coubesse nele durante alguns meses. A alcofa também permitia transportar o bebé porque nessa altura não havia cadeirinhas especiais e carrinhos para passear o bebé. Carrinhos para passear até havia, com belas alcofas, mas essas a avó não podia comprar.</p>
<p style="text-align: justify;">Com todo o cuidado e sabedoria de costureira vestiu aquela estrutura e aquela alcofa tornando-as dignas de um rei, criou um verdadeiro berço de ouro.</p>
<p style="text-align: justify;">Começou por escolher um piquê de algodão com relevos arredondados em azul-celeste, assim estaria perfeito quer nascesse um menino ou uma menina. A alcofa tinha dois folhos longos rematados por um singelo bordado branco que acentuava a delicadeza e pureza que a alcofa transmitia. As pegas da alcofa foram revestidas com tiras de tecido da mesma cor e tudo parecia fazer parte daquele cantinho de céu azul. A forra à volta da caminha tinha um enchimento de esponja para tudo ser fofo e suave para o bebé, e de novo o azul recobria aquela macieza. No final o berço estava lindo, era requintado e singelo, confortável e diferente dos berços que a avó fazia para as pessoas abastadas que usavam tecidos luxuosos, mas também diferente dos singelos berços de madeira que eram mais habituais entre os vizinhos e familiares.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 616px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Berco-3.jpg" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9618addc/22027596_BuVdu.jpeg" alt="Berco-3.jpg" width="960" height="320" /></p>
<p style="text-align: justify;">E nasceu a menina que estreou o berço, depois outra menina e ainda outra. Todas usaram o berço e foram-se afeiçoando a ele ao vê-lo ser usado pelas irmãs.</p>
<p style="text-align: justify;">Passaram trinta anos desde que tinha sido feito e quando a primeira menina estava para ser mãe quis aquele berço para o seu bebé. Tudo foi arranjado e limpo, mas a roupa do berço estava como se tivesse sido acabada de fazer. E nasceu uma menina, e depois outra e as três irmãs e a avó deliciaram-se a vê-las no bercinho que todas sentiam como seu.</p>
<p style="text-align: justify;">Anos mais tarde a irmã do meio voltou ao sótão da avó para ir buscar de novo o berço. E nasceu uma menina, e depois outra e as três irmãs, a avó e as netas deliciaram-se a vê-las no seu berço.</p>
<p style="text-align: justify;">E o tempo nunca para e aquelas irmãs todas sonhavam ser mães e foi a vez de a menina mais nova ir buscar o berço. Tinha passado muito tempo desde que o berço tinha sido criado e desta vez todos ficaram a saber que vinham aí dois belos meninos de uma só vez. E foi tempo de a avó inventar um berço novo “irmão” do berço de todos. Jazendo jus à diferença entre os dois meninos, a avó comprou de novo tecido de algodão azul-celeste e usou bordado branco, mas este novo berço não ia ser igual ao antigo. A avó fez um berço que combinava na perfeição com o antigo mas que era um pouco diferente. Quando nasceram os dois meninos todos ficaram maravilhados com os belos bebés perfeitamente emoldurados pelos berços azul-celeste. A avó maravilhava-se com os seus meninos, as suas primeiras meninas e as suas queridas netas e pensava que o berço provavelmente não iria receber outro bebé nós próximos anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando veio a notícia de que vinha lá um irmãozinho para os gémeos a avó nem conseguia acreditar, quase rebentava de alegria.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora o berço é a casa do bebé que já nasceu nestes tempos estranhos e o berço de todos continua a embalar como se fosse um céu azul.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem será que ele vai acolher ainda?</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/desafio-vamos-pintar-com-palavras-434723" rel="noopener">Texto no âmbito do #7 Desafio da Caixa dos Lápis de Cor - Azul Céu</a></p>
<p>Neste desafio, que eu saiba, participo eu, a <a href="https://ohdaguardapeixefrito.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Oh da guarda peixe frito</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://aconcha.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Concha, </a>a <a title="autor do comentário" href="https://a3face.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">A 3ª Face</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://cantinhodacasa.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Maria Araújo</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Fátima Bento</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://imsilva.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Imsilva</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://umapepitadesucesso.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Luísa De Sousa</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://abrigodasletras.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Maria,</a> o <a href="https://josedaxa.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">José da Xâ</a>, a <a href="https://omeumaiorsonho.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Rute Justino</a>, a <a href="https://greenideas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana D</a>., a <a href="https://raiosechuvas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Célia</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://happy-stiletto.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Charneca Em Flor</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://avidadagorduchita.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Gorduchita,</a> a <a href="https://fantasiasnoreinodalollipop.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Miss Lollipop</a>, a <a href="https://sopalavrasminhas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana Mestre</a> a <a href="https://rainyday.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana de Deus</a>, <a href="https://fugasdomeutinteiro.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">João-Afonso Machado</a>, e a <a href="https://desabafamento.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">bii yue</a>.</p>
<p>Todas as quartas-feiras e durante 12 semanas publicaremos um texto novo inspirado nas cores dos lápis da caixa que dá nome ao desafio. Acompanha-nos nos blogues de cada uma, ou através da tag "Desafio Caixa de lápis de Cor". Ou então, junta-te a nós :)</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:218952021-02-28T08:13:00Mãe quero ir passear, por favor!2021-02-28T08:18:32Z2021-02-28T08:18:32Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 580px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Ponte ondulada.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B1f185e4c/22010133_Muf2w.jpeg" alt="Ponte ondulada.jpg" width="960" height="322" /></p>
<p style="text-align: justify;">Naquele dia o rapaz estava cansado de estar em casa, já tinham passado muitos dias e continuavam a não sair. Faziam coisas divertidas em casa, mas ele sentia mesmo a falta de ir ver a rua, de andar lá fora, de ir ver outros lugares. Antes costumavam passear, ir ver cidades, sítios distantes no campo e agora, nada.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi ter com a mãe e disse:</p>
<p style="text-align: justify;">- Mãe quero ir passear, por favor!</p>
<p style="text-align: justify;">Ele sabia que tinham que ficar em casa, mas talvez a mãe conseguisse acalmar aquela vontade, afinal as mães sabem sempre tudo, certo?</p>
<p style="text-align: justify;">A mãe disse logo, então vamos! Vamos lá planear o nosso passeio. O que queres fazer, o que queres ir ver?</p>
<p style="text-align: justify;">O menino ficou pensativo e perguntou como é que iam se tinham que ficar em casa. A mãe explicou que sonhando e pensando podemos sempre ir onde quisermos e que esse passeio eles podiam fazer juntos. O menino perguntou então se podiam fazer o que quisessem, mesmo que fossem coisas que não pudessem acontecer na realidade, coisas imaginadas. A mãe disse que sim e começaram juntos a planear a viagem.</p>
<p style="text-align: justify;">O rapaz queria muito andar sobre a água e fazer coisas diferentes. Queria refastelar-se num sofá, fazer um piquenique, andar num baloiço e rodar num pião gigante como no parque infantil, queria sentar-se num banco alto de um bar, queria subir a uma colina e ver tudo à volta…</p>
<p style="text-align: justify;">A mãe perguntou se não estava com demasiadas ideias estranhas, será que ainda queria fazer mais coisas em cima da água. Ele respondeu que sim, queira subir e descer, fazer abanar o mundo, sentir-se num conto de fadas, queria trepar a um relógio alto e agora não se estava a lembrar de mais nada, mas já tinha uma carinha mais animada.</p>
<p style="text-align: justify;">A mãe disse que também queria fazer tudo o que ele tinha vontade, ela também adorava água e fazer tudo aquilo parecia-lhe fantástico. Assim que pudessem sair de casa ficava combinado, iam fazer tudo o que ele tinha pensado.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 580px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="pontes-da-cidade-piquenique.jpg" src="https://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B0b1850bf/22010140_NOEnH.jpeg" alt="pontes-da-cidade-piquenique.jpg" width="960" height="324" /></p>
<p style="text-align: justify;">O menino olhou para a mãe e perguntou como é que iam fazer aquilo, afinal não havia sofás, colinas, subidas e descidas ou baloiços sobre a água. A mãe sorriu e disse:</p>
<p style="text-align: justify;">- Há uma cidade onde podes fazer tudo o que disseste! Tem um rio, sobre o rio há muitas pontes e penso que podemos fazer o que querias. O menino abriu muito os olhos e perguntou:</p>
<p style="text-align: justify;">- A sério? Cá em Portugal? Onde?</p>
<p style="text-align: justify;">A mãe foi dizendo que sim, era Leiria! Havia a ponte sofá, lá podiam refastelar-se. Havia uma ponte com mesas de piquenique e relva, outra com um relógio alto e magrinho a meio, uma ponte bar com bancos e tudo.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 551px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Ponte parque infantil.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B98171b5c/22010131_EAkH2.jpeg" alt="Ponte parque infantil.jpg" width="960" height="420" /></p>
<p style="text-align: justify;">O menino disse:</p>
<p style="text-align: justify;">- Mas subir e descer? Brincar no baloiço? Isso não pode haver.</p>
<p style="text-align: justify;">Há sim meu amor. Há a ponde D. Dinis, que sobe muito sobre o rio, parece uma colina com paredes de vidro de onde se pode ver o castelo do rei mesmo de frente, há a ponte ondulada que sobe e desce e onde pudemos pular e tudo fica a abanar na sua estrutura metálica flexível, há uma ponte que é um parque infantil e há mais pontes onde podemos inventar mais coisas para fazer.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 578px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="ponte-el-rei-dom-dinis.jpg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B7018d6ae/22010130_ygsHm.jpeg" alt="ponte-el-rei-dom-dinis.jpg" width="960" height="299" /></p>
<p style="text-align: justify;">O menino e a mãe continuaram a planear aquele passeio, ambos se sentiam mais livres e até parecia que já tinham passeado.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora era só esperar para irem mesmo ver e viver as pontes a sério.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 580px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Ponte bar.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Be517f5da/22010129_QpCZo.jpeg" alt="Ponte bar.jpg" width="960" height="440" /></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://contosporcontar.blogs.sapo.pt/desafio-sonhamos-ir-por-ai-21333" rel="noopener">Texto no âmbito do desafio "Sonhamos ir por aí"</a></p>
<p style="text-align: justify;">Neste desafio participo eu, a <a href="https://ohdaguardapeixefrito.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Oh da guarda peixe frito</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://aconcha.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Concha, </a>a <a title="autor do comentário" href="https://a3face.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">A 3ª Face</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://cantinhodacasa.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Maria Araújo</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Fátima Bento</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://imsilva.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Imsilva</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://umapepitadesucesso.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Luísa De Sousa</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://abrigodasletras.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Maria,</a> o <a href="https://josedaxa.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">José da Xâ</a>, a <a href="https://omeumaiorsonho.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Rute Justino</a>, a <a href="https://greenideas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana D</a>., a <a href="https://raiosechuvas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Célia</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://happy-stiletto.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Charneca Em Flor</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://avidadagorduchita.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Gorduchita,</a> a <a href="https://fantasiasnoreinodalollipop.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Miss Lollipop</a>, a <a href="https://sopalavrasminhas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana Mestre</a> a <a href="https://rainyday.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana de Deus</a>, e a <a href="https://desabafamento.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">bii yue</a> e quem mais quis.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:268632021-02-27T09:05:00O gafanhoto com dor de barriga2021-02-27T09:33:31Z2021-02-27T09:33:31Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 550px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="3880309489_1d8248d8f0_b-Richard.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Be317105e/22028964_o2Zqr.jpeg" alt="3880309489_1d8248d8f0_b-Richard.jpg" width="960" height="370" /></p>
<p style="text-align: justify;">Era uma vez um jovem gafanhoto que era muito traquinas e maroto e estava sempre a dar dores de cabeça à sua mãe.</p>
<p style="text-align: justify;">A mãe gafanhota sentira desde sempre que aquele seu filho era diferente. Quando fizera a postura de cem ovos da sua última ninhada, ao enterrar a barriga na terra para depositar aquele ovo tinha sentido um friozinho estranho. Quando fechara aquele ninho fora especialmente difícil colocar o tampão que protege o ovo até parecia que o ovo não queria ficar fechado. Ao contrário dos irmãos, aquele seu filho não demorara os 100 dias habituais a passar de ovo para ninfa e depois para imago. Foi a primeira ninfa a sair da toca, era lindo, parecia já um gafanhoto adulto mas claro, ainda não tinha asas. A seguir, antes de nada trocara o seu exoesqueleto e passara a imago, um jovem gafanhoto já com asas e tudo. A mãe ao ver como ele era diferente até chegou a recear que do ovo saísse uma lagarta e quem sabe ele se transformasse depois em borboleta, mas tudo aconteceu como o previsto só que mais depressa do que os restantes.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 559px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Gafanhoto-Foto-Thanakorn Hongphan - Shutterstock-c" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B231843d0/22028965_23bKL.jpeg" alt="Gafanhoto-Foto-Thanakorn Hongphan - Shutterstock-c" width="960" height="377" /></p>
<p style="text-align: justify;">A mãe era muito orgulhosa de todos os seus filhotes, todos belos e elegantes. A mãe não se cansava de olhar para as suas cabeças coroadas por duas antenas curtas, o seu tronco de onde partia o primeiro par de pequenas patas viradas para a frente, da sua bela e longa barriginha saiam mais dois pares de patas viradas para trás. As patas que a mãe mais apreciava eram as maiores, as que ficavam mais atrás, eram enormes, elevavam-se bem acimas das asas, na primeira parte eram muito gordinhas e musculadas e abaixo do joelho passavam a ser fininhas e tinham uma espécie de pequenos espinhos que eram fundamentais para controlar o ar quando saltavam e planavam. Claro que os dois pares de asas sobrepostas, as de fora mais fortes e compactas e as que ficavam escondidas por baixo e só se viam quando eles saltavam e até parecia que estavam a voar com a sua transparência e delicadeza até lhe pareciam as asas de uma libelinha, ou aos seus olhos de mãe pareciam ainda mais bonitas.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 400px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Olho complexo do gafanhoto.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Be3189639/22028966_Tu0LT.jpeg" alt="Olho complexo do gafanhoto.jpg" width="709" height="240" /></p>
<p style="text-align: justify;">Aquele seu filho andava sempre a explorar novos lugares, a provar tudo quanto encontrava, a tentar conhecer outros gafanhotos, joaninhas, libelinhas e um sem número de outros insetos. O que mais preocupava a mãe é que ele também queria ficar amigo das aves e dos pássaros e por mais que a mãe lhe dissesse para se manter afastado de outros animais, mesmo até de gafanhotos ele não obedecia.</p>
<p style="text-align: justify;">Naquele dia o jovem gafanhoto foi ter com a mãe e mal saltava, até os seus cinco olhos estavam tristes. Sim os cinco olhos, os dois gigantes dos lados da cabeça que funcionavam como um conjunto de centenas de pequenas câmaras e lhe permitiam ver quase em todas as direções e os três pequenos olhos na frente da cabeça que lhe permitiam distinguir o claro do escuro.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando chegou junto à mãe começou a dizer que estava cheiinho de dores de barriga, eram fortes, enormes e ele quase não se conseguia mexer-se. Enquanto explicava o que se passava as suas dobrinhas da barriga estavam sempre a esticar e a encolher, pareciam um acordeão a tocar. A mãe ficou deveras preocupada! Perguntou o que é que ele tinha andado a comer. Perguntou se ele tinha ido para junto dos campos das pessoas e se tinha andado por lá a provar os legumes. Ele começou por dizer que não, mas à medida que a mãe ia perguntando e explicando que era muito importante dizer toda a verdade para o poder tratar. Ele lá foi dizendo que sim, que não tinha resistido àquelas belas alfaces e também às nabiças, mas que tinha sentido um sabor muito amargo e comera muito pouco. A mãe sabia bem o que tinha acontecido, o agricultor devia ter usado aqueles venenos para os insetos não comeram os seus legumes.</p>
<p style="text-align: justify;"><img style="width: 516px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Imagem1.png" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B5c189a8c/22028970_odtdt.png" alt="Imagem1.png" width="516" height="291" /></p>
<p style="text-align: justify;">Ficou muito, muito aflita. Deu logo ao pequeno gafanhoto uma erva muito amarga e oleosa que ele não queria comer porque dizia que sabia muito mal. A mãe disse que nem queira ouvir nada, era comer e calar. Nem um minuto depois de comer a erva horrível lá estava ele a vomitar por todos os lados, parecia um jacto de uma mangueira dos bombeiros. Saia uma gosma verde sem fim. Ele estava de rastos, agora estava na mesma com a dor de barriga anterior, aos soluços, enjoado como nunca tinha estado e com novas dores de barriga provocadas por ter estado a vomitar como um vulcão. A mãe explicou-lhe que ainda ia ficar pior antes de ficar melhor. Ele ficou aterrado. Como era possível ficar ainda pior? Oh, céus!</p>
<p style="text-align: justify;">A mãe com muito jeitinho começou a dizer-lhe que ia ter de levar um supositório. O pequeno não sabia o que era. Então a mãe foi procurar uma baga escura de uma planta que ele não conhecia, era negra, arredondada pareceu-lhe uma espécie de pinhão preto. Assim que a mãe lhe explicou o que ia acontecer a seguir o pequeno gafanhoto entrou em pânico, tentava saltar e fugir dali, mas os seus saltos eram minúsculos. A mãe foi conversando, disse-lhe que não era nada do tamanho de um pinhão, que ele tinha que ficar sossegado para tudo ser mais fácil, mas nada. Ele esperneava, desviava-se, virava-se de barriga para cima e depois para baixo, torcia-se e retorcia-se de dores, de medo puro e com a energia que o medo empresta. Tudo no seu corpo lhe dizia para fugir para longe, ele sabia que a mãe não lhe ia fazer nada de mal, que queria trata-lo, mas isto? Que ideia aterradora, como é que aquilo podia ajudar? Por mais que a mãe explicasse o seu cérebro não escutava, os ouvidos apenas ouviam, mas o seu cérebro só gritava fogeeee.</p>
<p style="text-align: justify;">Vieram reforços para resolver a situação, os seus super olhos captavam imagens de um rebanho de gafanhotos a rodeá-lo, a agarrar em todo o lado, pernas, cabeça, barriga, tudo! Por muito que quisesse escapar, pumba, aconteceu. A maléfica semente entrou e aquela sua barriga estava ainda mais enlouquecida. Parecia que tudo estava a saltar lá dentro e que se começava a formar uma onda gigantesca nas suas entranhas. E a onda crescia, e doía, doía e parecia aproximar-se do fim do seu corpo. Não, não era possível, será que ele nem se ia poder afastar para resolver aquilo? Porque é que todos se estava a afastar rapidamente? Será que o estavam a abandonar? Ele não conseguia conter-se mais, ia começar a sair, nunca imaginou que a sua barriga estivesse tão cheia, parecia novamente que ele estava a deitar um jacto, a barriga continuava a encolher e a esticar-se como um acordeão e ele estava a esguichar para a frente e para trás, parecia quase uma fonte luminosa com dois repuxos. Ele não sabia quanto tempo aquilo ia durar, mas parecia que não ia ter fim.</p>
<p style="text-align: justify;">Toda a família do gafanhoto estava bem perto a ver como ele reagia ao tratamento. Felizmente estava a resultar porque os terríveis venenos estavam a sair e todos estavam com esperança que ele ficasse bem.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos poucos o pequeno gafanhoto foi acalmando e começou a sentir-se melhor. A mãe tinha razão, tinha ficado bem pior antes de ficar melhor! A mãe também tinha razão quando lhe dizia para não ir para sítios perigosos e provar tudo o que lhe dava vontade.</p>
<p style="text-align: justify;">O pequeno gafanhoto decidiu que ia passar a escutar e usar os conselhos da mãe, mas sabia que ia ser difícil. Será que ele vai conseguir, ou será que vai voltar a correr riscos desnecessários?</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 550px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="istockphoto-1007643590-612x612.jpg" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B3418acbd/22028968_pzb5j.jpeg" alt="istockphoto-1007643590-612x612.jpg" width="612" height="372" /></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:256862021-02-24T10:01:00Mãe o que é o almoço?2021-02-24T10:22:04Z2021-03-12T11:37:11Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 468px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="soup-carrot-ginger-food-preview.jpg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bb51820e4/22026811_hQFmD.jpeg" alt="soup-carrot-ginger-food-preview.jpg" width="728" height="316" /></p>
<p style="text-align: justify;">Era uma vez uma menina que queria sempre saber o que ia ser o almoço e a mãe às vezes aborrecia-se com a pergunta. De vez em quando a mãe dizia <em>“Cascas de tremoço e o jantar são bordas de alguidar”</em>, a menina ria-se e insistia, mas não ficava a saber nada mais.</p>
<p style="text-align: justify;">Naquele sábado a menina perguntou de novo o que era o almoço e a mãe prontamente disse que ia ser uma <strong>Sinfonia Laranja</strong>, a menina ficou admirada e perguntou o que era isso. A mãe disse que não podia dizer mais nada, ela teria de adivinhar.</p>
<p style="text-align: justify;">Há muito tempo que a mãe andava a imaginar a <strong>Sinfonia Laranja</strong> e hoje era o dia.</p>
<p style="text-align: justify;">Para começar a mãe tinha feito um creme de abóbora suave e delicado de um laranja intenso. Seguiu-se um salmão no forno com batata doce cor de laranja, cenouras e pedacinhos de pimento laranja, tudo muito bem regado com azeite e ervas aromáticas.</p>
<p style="text-align: justify;">Para sobremesa era um não acabar de delícias. Um enorme prato com fruta laminada, laranja, tangerina, toranja, manga, papaia, pêssego, damasco e fisális para completar. Um enorme prato coberto de fatias finas de dióspiro duro polvilhado de canela que parecia saído de uma receita conventual. Para além da fruta havia uma deliciosa torta húmida de laranja e um cremoso sorvete de clementina.</p>
<p style="text-align: justify;">Para beber havia um enorme jarro de sumo de laranja acabado de espremer e uma bela sangria de champanhe de pêssego para os adultos.</p>
<p style="text-align: justify;">A mãe não tinha a certeza se todos iam gostar da sinfonia, mas tinha a certeza absoluta que iam ficar de boca aberta! Quem é que se ia lembrar de servir apenas delícias cor de laranja?!</p>
<p style="text-align: justify;">Ela, claro! Adorava desafios e tinha-se desafiado a si própria a fazer um belo menu todo cor de laranja. Estava tudo lindo e fazia crescer água na boca.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando tudo estava pronto a mãe chamou para virem por a mesa com os pratos brancos mais bonitos e os copos de festa. Todos queriam ir à cozinha ver o que cheirava tão bem, mas a mãe não deixou ninguém ir espreitar à cozinha.</p>
<p style="text-align: justify;">Só quando todos estavam sentados é que a mãe começou a trazer a Sinfonia.</p>
<p style="text-align: justify;">E tudo foi num crescendo até aos retumbantes acordes finais da sobremesa.</p>
<p style="text-align: justify;">A mãe ficou feliz com os sorrisos que foi recebendo do melhor público do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Um destes dias ia tocar outra sinfonia…</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/desafio-vamos-pintar-com-palavras-434723" rel="noopener">Texto no âmbito do #6 Desafio da Caixa dos Lápis de Cor - Laranja</a></p>
<p>Neste desafio, que eu saiba, participo eu, a <a href="https://ohdaguardapeixefrito.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Oh da guarda peixe frito</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://aconcha.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Concha, </a>a <a title="autor do comentário" href="https://a3face.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">A 3ª Face</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://cantinhodacasa.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Maria Araújo</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Fátima Bento</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://imsilva.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Imsilva</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://umapepitadesucesso.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Luísa De Sousa</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://abrigodasletras.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Maria,</a> o <a href="https://josedaxa.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">José da Xâ</a>, a <a href="https://omeumaiorsonho.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Rute Justino</a>, a <a href="https://greenideas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana D</a>., a <a href="https://raiosechuvas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Célia</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://happy-stiletto.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Charneca Em Flor</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://avidadagorduchita.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Gorduchita,</a> a <a href="https://fantasiasnoreinodalollipop.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Miss Lollipop</a>, a <a href="https://sopalavrasminhas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana Mestre</a> a <a href="https://rainyday.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana de Deus</a>, <a href="https://fugasdomeutinteiro.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">João-Afonso Machado</a>, e a <a href="https://desabafamento.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">bii yue</a>.</p>
<p>Todas as quartas-feiras e durante 12 semanas publicaremos um texto novo inspirado nas cores dos lápis da caixa que dá nome ao desafio. Acompanha-nos nos blogues de cada uma, ou através da tag "Desafio Caixa de lápis de Cor". Ou então, junta-te a nós :)</p>
<p style="text-align: center;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:250092021-02-20T09:08:00O Hotel de Insetos2021-02-20T10:10:02Z2021-02-20T11:25:48Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 378px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="IMG_20200528_152945.jpg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B351738f6/22023588_VCGv4.jpeg" alt="IMG_20200528_152945.jpg" width="567" height="476" /></p>
<p style="text-align: justify;">Era uma vez uma menina que vivia na cidade, mas tinha um enorme terraço onde naquele ano a mãe tinha decidido fazer uma horta. Tinha sido uma diversão arranjar as enormes floreiras, encher com terra fértil e depois decidir e escolher as plantas que iam fazer crescer. A mãe escolheu alfaces, a menina tomates e brócolos, o irmãozinho quis morangos e a lista nunca mais acabava. Depois foi uma animação ir ao horto comprar as plantinhas frágeis e claro que acrescentaram algumas à lista, tal era a variedade e beleza daquelas plantinhas nos seus alvéolos geometricamente ordenados.</p>
<p style="text-align: justify;">Regressaram a casa e o rebuliço continuou, plantar tudo com a mãe a orientar para que não ficassem demasiado juntas, nem demasiado afastadas, deixando espaço para poderem crescer. Por fim de regador em punho as crianças deram o aconchego final às pequenas plantinhas que ficaram instaladas na sua nova casa.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando tudo ficou pronto, as crianças ficaram um pouco perdidas, afinal agora a horta tinha de esperar para acontecerem coisas novas. Os meninos não eram nada bons a esperar, ficavam ansiosos, queriam fazer as coisas acontecer.</p>
<p style="text-align: justify;">A mãe percebeu logo que os seus meninos estavam a precisar de um novo desafio. Meninos vamos fazer um hotel de insetos para a nossa horta. Os pequenos acharam divertido, até pensaram que a mãe estava a brincar. Os insetos ficam em hotéis? Então eles não têm um ninho? Andavam de terra em terra a passear e precisavam de ficar num hotel?</p>
<p style="text-align: justify;">A mãe explicou que muitos insetos andavam de terra em terra sempre à procura de alimento e que ficavam um bocado perdidos nas cidades onde era muito difícil encontrar abrigo. A mãe explicou que por todo o Mundo havia pessoas nas cidades que estavam a construir hotéis para insetos para evitar que desaparecessem. Para o hotel que iam construir iam fazer “quartos” perfeitos para os insetos que queriam acolher porque para além de tudo iam ajudar a nova horta a ficar livre de insetos parasitas e iam fazer a polinização das flores.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 284px; padding: 10px;" title="joaninha-21.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bd318b1fd/22023596_8o5IC.jpeg" alt="joaninha-21.jpg" width="302" height="213" /><img style="width: 305px; padding: 10px;" title="crisopa-depredador.jpg" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B0117905f/22023591_INZr2.jpeg" alt="crisopa-depredador.jpg" width="960" height="208" /></p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 321px; padding: 10px;" title="Pólen-Para-Abelha-6.jpg" src="https://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B45177172/22023592_iFHmM.jpeg" alt="Pólen-Para-Abelha-6.jpg" width="768" height="236" /><img style="width: 307px; padding: 10px;" title="images.jpg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bc718749e/22023595_tMASK.jpeg" alt="images.jpg" width="259" height="236" /></p>
<p style="text-align: justify;">Então afinal quem vão ser os nossos hóspedes perguntou a menina em jeito de brincadeira. A mãe disse que eram <strong>abelhas solitárias</strong> e <strong>borboletas</strong> para fazer a polinização e as <strong>joaninhas</strong> e as <strong>crisopas</strong> que iam comer os insetos prejudiciais às plantas.</p>
<p style="text-align: justify;">A menina perguntou como ia ser na entrada do hotel, a mãe disse que cada um chegava, escolhia o lugar que melhor lhe convinha e instalava-se.</p>
<p style="text-align: justify;">Havia uma caixa oca com um raminho seco no interior e com duas fendas verticais que eram a entrada para as borboletas. Havia um tronco que tinha sido esburacado com muitos furos, onde cada um era um “quarto” para uma abelha solitária.</p>
<p><img style="width: 330px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="insect-using-built-habitat.jpg" src="https://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B1e1887e4/22023597_ogw2q.jpeg" alt="insect-using-built-habitat.jpg" width="500" height="330" /></p>
<p style="text-align: justify;">Havia uma zona toda cheia com canas ocas bem arrumadinhas que eram os quartos das joaninhas. Finalmente, para as crisopas havia uma zona preenchida com rolos de cartão canelado bem enroladinhos, onde os espaços entre eles eram os quartos perfeitos. Para completar o hotel, todas as zonas acabavam por ser preenchidas com raminhos secos ou canas ocas.</p>
<p style="text-align: justify;">As crianças ficaram muito entusiasmadas por irem construir o hotel. Foi uma aventura procurar os materiais, pedir ajuda ao pai para adaptar uma caixa de madeira e fazer uma espécie de telhado. Quando por fim ficou pronto tiveram de escolher um lugar na horta virado a Sul, elevado para os insetos o poderem avistar e próximo das plantas que iam ter flores.</p>
<p style="text-align: justify;">No final todos estavam orgulhosos da horta e muito especialmente do hotel para insetos. Agora tinham de esperar pacientemente que as plantinhas crescessem e que os insetos viessem instalar-se.</p>
<p style="text-align: justify;">E tu, gostavas de construir um hotel de insetos? </p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 570px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="bijenhotel.jpg" src="https://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Ba11701b7/22023598_PJPHt.jpeg" alt="bijenhotel.jpg" width="960" height="326" /></p>
<p> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:244902021-02-19T09:45:00Vai passar2021-02-19T09:50:35Z2021-02-19T09:50:35Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 355px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="IMG_0957.JPG" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B39182a1b/22022978_wRzum.jpeg" alt="IMG_0957.JPG" width="540" height="469" /></p>
<p> Vai passar<br /> Vamos voltar ao mar<br /> Vamos continuar a amar<br /> Vamos manter-nos a lutar<br /> Vamos permanecer até tudo acabar.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:239642021-02-19T09:30:00Um desafio por um livro2021-02-19T09:38:54Z2021-02-19T09:38:54Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="width: 510px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="22019765_ZYvso.jpeg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B5b189fd5/22022975_w9Y8Z.jpeg" alt="22019765_ZYvso.jpeg" width="960" height="346" /><span style="font-size: 8pt;">Imagem do </span><span style="font-size: 8pt;">porqueeuposso.blogs.sapo.pt/</span></p>
<p>Hoje aceitei mais um desafio de escrita lançado pela Fátima Bento na comemoração do 7.º aniversário do seu blog:</p>
<p>Porque eu posso!</p>
<p>E todos nós gostamos tanto de fazer coisas apenas por essa razão.</p>
<p>O desafio é aberto a quem quiser participar. Venham daí, porque podem!</p>
<p><a href="https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/quem-quer-ganhar-livros-giveaway-458408" rel="noopener">Vamos receber os presentes do 7.º aniversário do Porque eu posso!</a></p>
<p> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:213332021-02-18T17:16:00Desafio "Sonhamos ir por aí!"2021-02-18T17:17:12Z2021-02-18T17:17:12Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="width: 473px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="frogs-897387_1280 em viagem.jpg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B6e17e0c1/22009546_NotJZ.jpeg" alt="frogs-897387_1280 em viagem.jpg" width="960" height="318" /></p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><span style="font-size: 12pt;">"Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,</span><br /><span style="font-size: 12pt;">Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo." </span></p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><span style="font-size: 10pt;">Luís Vaz de Camões</span></p>
<p style="text-align: justify;">Confinados não podemos ir por aí, descobrir novos sítios, vadiar como eu gosto de dizer, mas podemos sonhar com vadiagens e podemos despertar desejos de vadiar em almas alheias. Desafio-vos a escrever um conto com a vossa "cidade, vila, terra amada" como pano de fundo que desperte a vontade de visitar esse lugar. Um olhar diferente, um passeio virtual guiado pelo vosso olhar, ... o que quiserem que seja!</p>
<p style="text-align: justify;">Quantas vezes depois de ler um livro não sentimos uma vontade enorme de ir ver onde tudo se passou? Eu já fui a muitos lugares por esse motivo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Desculpem-me a ousadia, mas venho convidar a <a href="https://ohdaguardapeixefrito.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Oh da guarda peixe frito</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://aconcha.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Concha, </a>a <a title="autor do comentário" href="https://a3face.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">A 3ª Face</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://cantinhodacasa.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Maria Araújo</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Fátima Bento</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://imsilva.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Imsilva</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://umapepitadesucesso.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Luísa De Sousa</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://abrigodasletras.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Maria,</a> o <a href="https://josedaxa.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">José da Xâ</a>, a <a href="https://omeumaiorsonho.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Rute Justino</a>, a <a href="https://greenideas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana D</a>., a <a href="https://raiosechuvas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Célia</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://happy-stiletto.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Charneca Em Flor</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://avidadagorduchita.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Gorduchita,</a> a <a href="https://fantasiasnoreinodalollipop.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Miss Lollipop</a>, a <a href="https://sopalavrasminhas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana Mestre</a> a <a href="https://rainyday.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana de Deus</a>, e a <a href="https://desabafamento.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">bii yue</a> a participarem neste desafio e a estenderem este convite a quem acharem que possa gostar.</p>
<p style="text-align: justify;">Combinamos a publicação para o dia 28 de Fevereiro. Todos os que tiverem vontade de se juntar ao desafio são muito bem-vindos.</p>
<p style="text-align: center;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:228202021-02-17T07:39:00Sol de Inverno2021-02-17T07:39:33Z2021-02-17T07:39:33Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 665px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Casinha na Nazare.jpg" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B7517ea08/22011720_ALo27.jpeg" alt="Casinha na Nazare.jpg" width="857" height="561" /></p>
<p style="text-align: justify;">O Inverno já ia longo, cheio de dias e dias cinzentos, frio, chuva e mais chuva. Estavam cansados, tinham umas saudades enormes do Verão e da vida junto ao mar. Naquele sábado amanheceu um dia de sol radioso e eles nem pensaram duas vezes, todas as tarefas dos sábados ficaram adiadas. Correram no seu carrinho, atravessaram o pinhal do rei e foram até ao mar de São Pedro de Moel. Depois rumaram a Sul, deleitando-se com tudo o que a estrada atlântica tem para oferecer nos dias de Inverno. Poucos carros, céu límpido, mar calmo como se fosse Verão e daquele azul que enche a alma.</p>
<p style="text-align: justify;">Pararam no Sítio da Nazaré. Pousaram o olhar na vista aérea sobre o casario nazareno, a praia vazia abrigada pelo morro que é o maior para-vento que conheço. Sabiam de cor aquela imagem, mas de quando em quando, o olhar precisava de lá ir, de a rever, de a sentir, de ser banhado pela brisa que ascende guiada pela parede quase vertical até ao mítico cimo. A seguir, o ritual incluía uma descida pelo ascensor que os continuava a fascinar no seu movimento calmo e constante já lá ia mais de um século. A descida suave até ao casario, o contorno de flores dos catos no seu laranja escuro e exótico que bordejava o percurso, fazia parte da viagem que nunca deixava de os fazer sorrir e sentir-se maravilhados.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois era deambular pelos recantos da vila, regalar os olhos com as casas branquinhas, com as suas barras azul-cobalto, amarelo mostarda, ou vermelho. Gostavam especialmente dos recantos mais elevados onde pela frente só há o mar, onde o sol se põe e quem lá vive nas suas minúsculas casas se sente rei e não as trocaria por nada.</p>
<p style="text-align: justify;">Na vila ainda se encontram muitos homens e mulheres que orgulhosamente continuam a vestir-se no dia-a-dia com os trajes tradicionais. É única a forma como com naturalidade continuaram a pontear a paisagem com algo que, por cá, só se vê em museus ou momentos de folclore.</p>
<p style="text-align: justify;">O passeio nunca fica completo sem percorrer a marginal, rever os barcos garridos no areal, parar nas peixeiras que secam e vendem ali o carapeto (carapau escalado seco), a petinga e uma ou outra delícia que o sol curtiu.</p>
<p style="text-align: justify;">À medida que o sol vai descendo rumo ao fim do dia, é bom fazer o percurso reverso, como que fazendo um misto de até breve e gravando as imagens pintadas com a luz mais alaranjada que quase chega ao dourado. Voltamos a casa e no coração trazemos um bocadinho de Verão para amenizar os dias de Inverno.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/desafio-vamos-pintar-com-palavras-434723" rel="noopener">Texto no âmbito do #5 Desafio da Caixa dos Lápis de Cor - Azul Cobalto</a></p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p>Neste desafio participo eu, a <a href="https://ohdaguardapeixefrito.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Oh da guarda peixe frito</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://aconcha.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Concha, </a>a <a title="autor do comentário" href="https://a3face.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">A 3ª Face</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://cantinhodacasa.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Maria Araújo</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Fátima Bento</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://imsilva.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Imsilva</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://umapepitadesucesso.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Luísa De Sousa</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://abrigodasletras.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Maria,</a> o <a href="https://josedaxa.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">José da Xâ</a>, a <a href="https://omeumaiorsonho.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Rute Justino</a>, a <a href="https://greenideas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana D</a>., a <a href="https://raiosechuvas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Célia</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://happy-stiletto.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Charneca Em Flor</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://avidadagorduchita.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Gorduchita,</a> a <a href="https://fantasiasnoreinodalollipop.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Miss Lollipop</a>, a <a href="https://sopalavrasminhas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana Mestre</a> a <a href="https://rainyday.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana de Deus</a>, e a <a href="https://desabafamento.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">bii yue</a>.</p>
<p>Todas as quartas-feiras e durante 12 semanas publicaremos um texto novo inspirado nas cores dos lápis da caixa que dá nome ao desafio. Acompanha-nos nos blogues de cada uma, ou através da tag "Desafio Caixa de lápis de Cor". Ou então, junta-te a nós :)</p>
<p style="text-align: center;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:234662021-02-16T17:39:00A princesa triste2021-02-16T17:52:12Z2021-02-16T21:49:05Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 334px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Princesa Gorda.jpg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B5f173f51/22020946_fsnP4.jpeg" alt="Princesa Gorda.jpg" width="293" height="488" /></p>
<p style="text-align: justify;">Era uma vez uma princesa tão gorda que só ocupava espaço, pelo menos era isso que as damas da corte achavam. A princesa era diferente, nunca se tinha interessado por bordados, vestidos, casamentos ou coisas que tais. A princesa gostava de ler, escrever e desenhar, mas poucas eram as pessoas da corte que o sabiam fazer. O monge que a acompanhava desde criança era um mestre de iluminura e desde cedo que a tinha ensinado a ler e a escrever, muito para além da sua missão de orientador espiritual, mas esta era a sua forma de dar alegria àquela menina que era tão triste.</p>
<p style="text-align: justify;">A princesa adorava os pais, mas eles estavam muito ocupados a reinar e nunca estavam com ela. A princesa sentia uma grande tristeza e a tristeza fazia-lhe imensa fome, era como se o seu coração triste tornasse o seu corpo vazio e ela tivesse de comer para o encher. Quando lia e escrevia sentia-se um pouco melhor, mas a maior parte do tempo continuava triste.</p>
<p style="text-align: justify;">Havia também alturas em que a deixavam ir para o campo andar a passear e montar a cavalo, aí também se sentia mais feliz e nessas alturas não ficava tão gorda.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://anadedeus.blogs.sapo.pt/era-uma-vez-uma-princesa-tao-gorda-que-26499" rel="noopener">Texto no âmbito do Desafio "Era uma vez uma princesa tão gorda que só ocupava espaço" da Ana de Deus</a></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:158812021-02-13T07:06:00A Cookie2021-02-13T07:09:15Z2021-02-13T07:09:15Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 355px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="6118720-cookie-de-chocolate-chip.jpg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B7717cc94/22017739_hvHsb.jpeg" alt="6118720-cookie-de-chocolate-chip.jpg" width="783" height="328" /></p>
<p style="text-align: justify;">Num dia de Inverno frio e ventoso, a avó decidiu ir até à praia para ver o mar, olhar até muito longe, sentir o cheiro da maresia encher-lhe o peito e dar-lhe energia. Assim que chegou e começou a caminhar pelo longo passeio junto ao mar viu um pequeno cão que por ali andava sozinho mas não prestou grande atenção. No Inverno não havia muitas pessoas naquela praia, poucos lá viviam e quase todas as casas eram de pessoas que viviam noutras terras e só vinham no Verão ou quando havia dias de Sol. A avó gostava daquela tranquilidade das ruas quase sem carros nem pessoas, o som do mar e do vento era tudo o que se ouvia e isso dava-lhe muita energia e paz.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 570px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="PraiasInverno_OssoBaleia.jpg" src="https://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B38189ebe/22017735_CE34F.jpeg" alt="PraiasInverno_OssoBaleia.jpg" width="570" height="320" /></p>
<p style="text-align: justify;">O passeio ao longo da praia era muito longo e estava deserto e a avó lá ia caminhando rumo a Norte. Atrás da avó, aproximando-se cada vez mais vinha o tal cão pequeno. Durante toda a caminhada de ida e de regresso o cão continuou sempre a seguir a avó sem que ela lhe tenha dado atenção. A avó gostava de animais mas com moderação, não se aproximava deles nem era muito de dar festinhas. Quando a avó chegou à casa da praia o cão continuava atrás dela e subiu as escadas até à casa e entrou assim que a porta se abriu. A avó ficou surpreendida, até espantada, mas não conseguiu resistir ao ar meigo do cão cor de mel com olhos castanhos e que parecia estar a sorrir. Decidiu dar-lhe água e comida porque provavelmente estava perdido e talvez tivesse fome. O cão, que afinal era uma cadelinha, bebeu, comeu e enroscou-se num cantinho muito sossegada a dormir. A avó tentou ver se tinha coleira ou alguma pista para encontrar o dono, mas não havia nada. Procurou saber no café se conheciam a cadelinha e os donos, mas ninguém sabia nada. Ao fim do dia quando a avó voltou a sair para dar mais uma volta o cão seguiu-a de novo para todo o lado como se a avó fosse o seu dono.</p>
<p><img style="width: 294px; padding: 10px; float: left;" title="IMG_4212.jpeg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B2c17f331/22017740_dR9RI.jpeg" alt="IMG_4212.jpeg" width="809" height="263" /></p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 275px; padding: 10px;" title="IMG_4203.jpeg" src="https://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B7d17dcf6/22017745_yZbjE.jpeg" alt="IMG_4203.jpeg" width="747" height="266" /></p>
<p style="text-align: justify;">O cão acabou por dormir em casa da avó nessa noite, e no dia seguinte tudo se passou da mesma maneira. Quando chegou a hora da avó deixar a casa da praia e regressar à sua casa não sabia bem o que fazer, mas não estava nos seus planos ter um cão! Ao ver a avó entrar no carro a pequena cadela saltou de imediato lá para dentro e … a avó não teve coragem de não a levar consigo. A cadelinha foi durante todo o caminho em silêncio e portou-se muito bem.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao chegar à casa da avó a cadelinha ficou muito feliz e seguia a avó para todo o lado, sempre tranquila e sendo boa companhia. A avó notou que a cadelinha tinha o pescoço inchado e até parecia que lhe doía e pediu ao avô para a levar ao veterinário que a operou e a tratou. A cadelinha olhava para todos com os seus olhos castanhos muito meigos parecendo que estava a agradecer por tomarem conta dela.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando as netas vieram visitar a avó nem queriam acreditar, a avó tinha um cãozinho? A avó contou a história e explicou que tinham de ter cuidado porque a cadelinha ainda estava a recuperar da ferida que tinha. O Cãozinho tinha um sorriso estranho com os dentes de baixo sempre à mostra como se não os conseguisse esconder. As meninas primeiro ficaram algo receosas, mas depressa a cadelinha as conquistou com a sua meiguice e tranquilidade. A neta mais nova sonhava há muito tempo ter um cão e ficou totalmente aos pulos quando a avó lhe disse que aquela cadelinha era para ela e que podia escolher o nome que quisesse. A menina ficou a pensar, foi dizendo nomes, todos iam dando opinião até que disse Cookie porque ela era uma verdadeira bolachinha doce. E foi assim que ficou a chamar-se a pequena cadela de orelhas pequenas muito peludas, pelo cor de mel, olhar doce e que se aproximava de todos com doçura e simpatia.</p>
<p style="text-align: left;"> <img style="width: 288px; padding: 10px;" title="IMG_4223.jpeg" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9117f8c9/22017741_44g9j.jpeg" alt="IMG_4223.jpeg" width="717" height="290" /><img style="width: 292px; padding: 10px;" title="IMG_4217.jpeg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B7217741b/22017743_zwEzz.jpeg" alt="IMG_4217.jpeg" width="723" height="289" /></p>
<p style="text-align: justify;">Os avós passaram a ter uma companhia todos os dias de manhã assim que chegavam à cozinha já a Cookie estava à sua espera na varanda com o seu ar sorridente. Durante todo o dia ela andava contente a acompanhar os avós, a passear pelo quintal, a espreitar as galinhas e os patos da capoeira com curiosidade e também a dormir grandes sestas pachorrentamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando chegavam as netinhas a casa da avó já era sempre uma festa, mas com a Cookie a festa era ainda maior, ela a correr e a saltar e as meninas a rir e a dar-lhe mimos até mais não. A avó adorava vê-las com a Cookie e ficava muito contente por ter deixado que a Cookie entrasse nas suas vidas. Todos se tinham deixado conquistar pelo encanto da Cookie, mesmo quem não gostava muito de cães não conseguiu resistir.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 466px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="IMG_4218.jpeg" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B1b176551/22017742_vFeKt.jpeg" alt="IMG_4218.jpeg" width="828" height="402" /></p>
<p style="text-align: justify;">A Cookie tinha pedido muito pouco e tinha vindo trazer alegria a todos, arrancava sorrisos a todos só por andar por ali e ficar a olhar com ar de quem estava a sorrir. A avó não podia estar mais contente com tudo o que a Cookie tinha trazido para a sua família.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 360px; padding: 10px;" title="IMG_4211 (2).jpeg" src="https://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bb1178e69/22017748_IvS3j.jpeg" alt="IMG_4211 (2).jpeg" width="791" height="330" /><img style="width: 250px; padding: 10px; float: left;" title="IMG_1393.JPG" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B281810cc/22017738_FEOo2.jpeg" alt="IMG_1393.JPG" width="540" height="328" /></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:207912021-02-10T09:02:00É uma laranja ou um limão?2021-02-10T09:03:05Z2021-02-10T09:03:05Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 555px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="IMG_3127.jpg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B7918e32e/22008486_oWdtf.jpeg" alt="IMG_3127.jpg" width="960" height="374" /></p>
<p>Era aquele dia tão especial, fazia anos que tinham dado o primeiro beijo.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela lembrava-se de cada detalhe do momento. Tinha acabado de escurecer e andavam às voltas pelo bairro de pequenas vivendas com jardim à frente, conversavam sem se cansar. Nesse último mês tinham dado muitos passeios, tinham ido aos jardins quase todos da cidade. Ela no início tinha medo de que se acabassem os temas de conversa mas, tinha entretanto percebido que isso não acontecia. Naquele dia sentia-se uma tensão no ar, mas era uma tensão boa. Ambos viram uma árvore ao longe na frente de uma das casas do bairro e ela disse que o fruto no chão era um limão, ele disse que era uma laranja e os dois aproximaram-se para ver o fruto ao mesmo tempo e aconteceu. Ele tinha a barba algo crescida e ela a pele muito delicada, a emoção do instante não deixou perceber o que estava a acontecer e no fim ela estava com os lábios em brasa. Um pouco embaraçada quando ele a olhou interrogativamente ela foi dizendo que a barba picava um pouco e tinha arranhado. Riram os dois e nem quiseram saber afinal qual era o fruto. Ficaram apenas com a pergunta que às vezes repetiam como um código só deles: É uma laranja ou um limão?</p>
<p style="text-align: justify;">Ela estava algo desiludida porque ele parecia ter-se esquecido do dia, antes não tinha falado em planos para um jantar, ou uma escapadinha. No dia não tinha dito nada, nem deixado um recadinho, uma flor, enfim, alguma coisa. Ela estava triste, mas tinha escolhido fazer de conta que também não se tinha lembrado, sabia que dava muito mais importância a estas coisas do que ele. Ela gostava dos pequenos gestos que lembravam o que sentiam um pelo outro e sabia que para ele bastava vivê-lo nos momentos normais da vida do quotidiano.</p>
<p style="text-align: justify;">Como de costume foi ter com ele ao fim do dia ao escritório, ele saiu com o seu fato e a mala do computador de todos os dias, nada de flores… Ficou admirada quando ele sugeriu que fossem ao jardim favorito dela. Era misterioso com as suas árvores centenárias, de troncos cheios de musgo verde escuro, quase parecia pertencer a um livro de contos infantis com fadas e duendes. Ele sugeriu que se sentassem num banco, pousou a mala do computador e tirou de lá uma robusta garrafa verde escura, dois flutes e uma cestinha em madeira cheia de morangos gordos e perfumados.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela ficou sem palavras. Ele tirou com carinho o cogumelo de cortiça e foi com sorrisos que ouviram o som festivo e encheram os copos. A vibração que ela sentiu no coração e nas entranhas não se pode descrever, o momento trouxe-lhe uma memória forte e boa do instante inicial de tudo o que partilhavam. Ele ficou feliz por ver a emoção dela. Sabia que estavam ligados por um fio longo, frágil mas muito luminoso e queria guardá-lo para sempre.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/desafio-vamos-pintar-com-palavras-434723" rel="noopener">Texto no âmbito do #4 Desafio da Caixa dos Lápis de Cor - Verde Escuro</a></p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p>Neste desafio participo eu, a <a href="https://ohdaguardapeixefrito.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Oh da guarda peixe frito</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://aconcha.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Concha, </a>a <a title="autor do comentário" href="https://a3face.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">A 3ª Face</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://cantinhodacasa.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Maria Araújo</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Fátima Bento</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://imsilva.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Imsilva</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://umapepitadesucesso.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Luísa De Sousa</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://abrigodasletras.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Maria,</a> o <a href="https://josedaxa.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">José da Xâ</a>, a <a href="https://omeumaiorsonho.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Rute Justino</a>, a <a href="https://greenideas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana D</a>., a <a href="https://raiosechuvas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Célia</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://happy-stiletto.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Charneca Em Flor</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://avidadagorduchita.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Gorduchita,</a> a <a href="https://fantasiasnoreinodalollipop.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Miss Lollipop</a>, a <a href="https://sopalavrasminhas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana Mestre</a> a <a href="https://rainyday.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana de Deus</a>, e a <a href="https://desabafamento.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">bii yue</a>.</p>
<p>Todas as quartas-feiras e durante 12 semanas publicaremos um texto novo inspirado nas cores dos lápis da caixa que dá nome ao desafio. Acompanha-nos nos blogues de cada uma, ou através da tag "Desafio Caixa de lápis de Cor". Ou então, junta-te a nós :)</p>
<p style="text-align: center;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:224172021-02-06T07:20:00A festa dos burros2021-02-06T07:23:37Z2021-02-06T07:23:37Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 440px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="vitoria_6.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gc717e3ba/22010559_WEZNg.jpeg" alt="vitoria_6.jpg" width="336" height="579" /></p>
<p style="text-align: justify;">Há muito tempo, num quente mês de Agosto, estava a família de veraneio na Praia de Paredes de Vitória. Paredes de Vitória era um lugar singular, meia dúzia de casas baixas de um só andar, três ruas, um vale arenoso percorrido por um vivo ribeiro sempre cheio de água com um caudal forte no seu leito estreito e verdejante, mesmo nos meses de Verão.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 540px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="2b35e56d-0783-4552-b609-9fc8ee2424a7.jpeg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G531864e8/22010590_LHNgI.jpeg" alt="2b35e56d-0783-4552-b609-9fc8ee2424a7.jpeg" width="1024" height="324" /></p>
<p style="text-align: justify;">O vale era todo cultivado, cheio de hortas, todos os cantinhos de terra cultivados com esmero. Aquele lugar pequeno era cheio de magia. A praia era extensa, plana e parecia estar guardada por dois gigantes. A Norte havia um rochedo imponente, castanho, altivo a que chamavam castelo. À filha mais velha da família aquele rochedo parecia-lhe a esfinge dos livros de História, era enorme. A Sul erguia-se um morro orgulhoso, com cor de barro vermelho com laivos suaves de um tom esbranquiçado, da mesma altura do castelo. A meio da praia corria o ribeiro que se espraiava e fazia as delícias da criançada, em especial nos dias de mar bravo.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 522px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="h.2265140.795.500.0.ffffff.213c3dad.jpg" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Ga5188b09/22010567_ZhAhs.jpeg" alt="h.2265140.795.500.0.ffffff.213c3dad.jpg" width="795" height="333" /></p>
<p style="text-align: justify;">Nas manhãs, todo o vale ficava coberto por um espesso manto de neblina que deixava tudo refrescado, como que borrifado com zeloso cuidado. Pelo vale acima subia o fumo da única padaria do lugar, que enchia todo o vale com o cheiro doce do pão cozido e da lenha de pinho queimada. As meninas desciam pelo carreiro do vale até à padaria para comprar o pão da manhã e depois regressavam à casa por cima de uma das várias azenhas que havia bem ao fundo do vale mais perto da nascente.</p>
<p style="text-align: justify;">Os dias de praia corriam doces, alguns eram passados dentro da barraca de lona que alugavam ao banheiro a que todos chamavam Boguinhas. Esses eram os dias de neblina, que mesmo assim eram divertidos com infindáveis jogos de cartas, jogos com pedrinhas ou conchinhas, o jogo dos três cantinhos desenhado na areia, nesses dias o tempo parecia gigante, quase sem fim.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dia os pais avisaram as meninas que ia haver uma romaria muito importante à capelinha de Nossa Senhora da Vitória. As meninas não sabiam o que era uma romaria e os pais explicaram que era uma festa e que neste caso era muito diferente das que já tinham visto. No dia 15 de Agosto vinha um longo cortejo de Pataias com muitas pessoas, transportadas em carroças de burros que vinham todas enfeitadas com flores e ramagens e mesmo os burros vinham com as cabeças enfeitadas com flores do campo.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 600px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="romaria anos 50-60, 1.png" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gfd17f6e7/22010561_1iAir.png" alt="romaria anos 50-60, 1.png" width="600" height="376" /></p>
<p style="text-align: justify;">As meninas ficaram cheias de curiosidade, não imaginavam uma procissão com burros e ainda mais enfeitados. Elas costumavam ver às vezes as mulheres que vinham em carroças de burro cheias de roupa para a lavarem no ribeiro, e secar nas margens, desaparecendo ao final do dia, de regresso a Pataias, de acordo com o que lhes tinham dito.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 569px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="e8487bf2-6782-4957-85b8-227fb94f0322.jpeg" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G0d17f4b9/22010600_PnSSP.jpeg" alt="e8487bf2-6782-4957-85b8-227fb94f0322.jpeg" width="1024" height="340" /></p>
<p style="text-align: justify;">Agora ficaram a imaginar como seria tudo aquilo enfeitado. O pai das meninas levou-as até ao paredão para conhecerem o Zé Ilhóca, um ancião que sabia incontáveis histórias sobre aquela terra. Ele começou por dizer que aquele lugar que era agora tão pequeno, já tinha sido um importante porto de mar, o maior daquelas costas. Era de tal forma importante que D. Dinis tinha concedido Carta de Foral no ano de 1282. As pequenas nem conseguiam desviar o olhar do rosto bronzeado, cheio de rugas fundas sempre com a boina pousada na cabeça um pouco descaída para trás. Com o passar dos séculos, o mar tinha mudado tudo o que ali havia, a invasão da areia fora aos poucos matando o porto. Das 17 caravelas e do forte para defesa do porto nada restava, e até a paróquia de Paredes tinha sido mudada para Pataias, corria o ano de 1536. Desde essa data as gentes de Pataias passaram a fazer a romagem a Nossa Senhora da Vitória, padroeira de Paredes.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando chegou o dia, bem cedo estavam junto à ermida de Nossa Senhora da Vitória e começaram a ver lá ao longe na estrada, rasgada no meio do imenso pinhal do rei, as primeiras carroças enfeitadas. Numa delas vinha o Anjo a cantar as loas, havia também um Juiz e uma Juíza e todos estavam vestidos de modo especial, festivo e respeitoso, alegre, mas devoto.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 621px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="61314593_2500526869978015_1591868626841894912_n.jp" src="https://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gf4184cfa/22010560_q9cfg.jpeg" alt="61314593_2500526869978015_1591868626841894912_n.jp" width="390" height="427" /></p>
<p style="text-align: justify;">Ao chegarem à ermida os romeiros celebraram em animada refeição, havia música e dança. As carroças, os burros e as gentes todos descansavam e refaziam-se da longa caminhada. No final da tarde celebraram a missa, fizeram a procissão com a Senhora da Vitória e regressaram então a Pataias.</p>
<p style="text-align: justify;">As meninas desceram do morro da ermida e continuaram a falar sem parar de tudo o que tinham visto. Sentiam-se contentes, cansadas, mas cheias de imagens coloridas e sons alegres que estavam já a formar uma memória que elas não sabiam, mas que iria durar para sempre.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 577px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="b141087a-1ff4-46c4-9445-7bcb6e65fa20.jpeg" src="https://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G36177fe7/22010604_zmlu2.jpeg" alt="b141087a-1ff4-46c4-9445-7bcb6e65fa20.jpeg" width="1024" height="343" /></p>
<p>A festa dos burros continua a realizar-se no dia 15 de Agosto mantendo a tradição secular.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:191492021-02-03T10:09:00Leiria e os gatos pretos2021-02-03T10:09:29Z2021-02-03T15:30:48Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 481px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="gato_preto-2.jpg" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gc11855af/22006882_EKWzq.jpeg" alt="gato_preto-2.jpg" width="481" height="535" /></p>
<p style="text-align: justify;">Há muito tempo, os gatos eram apenas gatos, não tinham raças especiais, apenas tinham cores diferentes do pelo. Eram gatos da rua ou da família, mas mesmo esses, viviam entre a casa e a rua. Muitas casas tinham uma porta especial apenas destinada aos gatos, a gateira.</p>
<p style="text-align: justify;">Gosto muito de gatos pela sua disponibilidade para mimos e ronronadelas e ao mesmo tempo pela sua grande liberdade, independência e pela beleza dos seus movimentos e poses.</p>
<p style="text-align: justify;">Em casa da minha avó havia sempre vários, mas os que eu preferia eram os gatos pretos. A elegância, o porte, os olhos verdes a contrastar com aquele pelo sempre luzidio. A maioria das pessoas não gostava dos gatos pretos, preferia os riscados ou os amarelos, mas para mim só os pretos tinham “a roupa” de gala, super-elegantes como um galã num dos filmes a preto e branco de que eu tanto gostava. Nesses tempos eu sentia-me algo sozinha nesta admiração aos felinos negros.</p>
<p style="text-align: justify;">Na minha Leiria há um largo que todos conhecem como Largo do Gato Preto porque nele havia uma pensão assim chamada. A parede da antiga pensão tem um painel de azulejo com um gato preto no meio da parede de azulejo verde esmeralda. Sempre gostei deste prédio e do seu gato, parecia quase um desenho de criança e não tinha um ar tão sisudo como as outras paredes da cidade. Este parecia de um livro infantil e com o gato na cor certa!</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 595px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="DSC_0064.JPG" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G59171035/22006884_Ls9nF.jpeg" alt="DSC_0064.JPG" width="1280" height="399" /></p>
<p style="text-align: justify;">O tempo passou, e concluo que há certamente uma paixão por gatos pretos na minha cidade. Recentemente passámos a ter o maior gato preto que eu conheço. Na cobertura de um edifício, está a escultura enorme que nos prende o olhar e domina os telhados do casario antigo de Leiria.</p>
<p style="text-align: justify;">Este belo gato enorme integra-se na paisagem, contrastando pela modernidade mas integrando-se porque é um Gato Preto.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 574px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="117384749_3513234162029834_35353159534049967_o-200" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G7118ba97/22006887_QLk0F.jpeg" alt="117384749_3513234162029834_35353159534049967_o-200" width="1280" height="349" /></p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/desafio-vamos-pintar-com-palavras-434723" rel="noopener">Texto no âmbito do #3 Desafio da Caixa dos Lápis de Cor - Preto</a></p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p>Neste desafio participo eu, a <a href="https://ohdaguardapeixefrito.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Oh da guarda peixe frito</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://aconcha.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Concha, </a>a <a title="autor do comentário" href="https://a3face.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">A 3ª Face</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://cantinhodacasa.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Maria Araújo</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Fátima Bento</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://imsilva.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Imsilva</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://umapepitadesucesso.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Luísa De Sousa</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://abrigodasletras.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Maria,</a> o <a href="https://josedaxa.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">José da Xâ</a>, a <a href="https://omeumaiorsonho.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Rute Justino</a>, a <a href="https://greenideas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana D</a>., a <a href="https://raiosechuvas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Célia</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://happy-stiletto.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Charneca Em Flor</a>, a <a title="autor do comentário" href="https://avidadagorduchita.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Gorduchita,</a> a <a href="https://fantasiasnoreinodalollipop.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Miss Lollipop</a>, a <a href="https://sopalavrasminhas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana Mestre</a> a <a href="https://rainyday.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Ana de Deus</a>, e a <a href="https://desabafamento.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">bii yue</a>.</p>
<p>Todas as quartas-feiras e durante 12 semanas publicaremos um texto novo inspirado nas cores dos lápis da caixa que dá nome ao desafio. Acompanha-nos nos blogues de cada uma, ou através da tag "Desafio Caixa de lápis de Cor". Ou então, junta-te a nós :)</p>
<p style="text-align: center;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:203592021-02-02T11:58:00Desafio Manuscrito2021-02-02T12:24:40Z2021-02-02T13:12:33Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 625px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Desafio Manuscrito.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G2a17c4c4/22008570_EVnQM.jpeg" alt="Desafio Manuscrito.jpg" width="625" height="960" /></p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a href="https://oultimofechaaporta.blogs.sapo.pt/desafio-manuscrito-282283" rel="noopener">Desafio Manuscrito de "O último fecha a porta"</a></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:199222021-02-01T20:30:00Pintando com palavras2021-02-01T20:41:20Z2021-02-01T20:57:45Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="Rosto por terminar-Desenhar com palavras.jpeg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B47176b8c/22008255_Ky7Mk.jpeg" alt="Rosto por terminar-Desenhar com palavras.jpeg" width="960" height="450" /></p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><span style="font-size: 8pt;">Imagem de Ana de Deus</span></p>
<p style="text-align: justify;">A jovem mãe na casa dos trinta anos tinha uma fresca pele levemente morena, um forte cabelo castanho com caracóis largos indomáveis que usava penteados para trás, num enrolado na nuca, entre um nó e um carrapito. O rosto oval, de contorno doce e meigo como o sorriso que habitualmente tinha. Lábios delicados e carnudos muito desenhados, ladeados por vincos de quem ri e sorri com vontade. As bochechas levantadas de tom levemente rosado eram a base de um olhar límpido de grandes olhos esverdeados e pestanudos. As ligeiras olheiras eram parte das marcas da maternidade recente, mas não retiravam beleza ao conjunto encimado por sobrancelhas grossas, muito bem arqueadas e com o mesmo ar indomável. algo rebelde, que também tinham os cabelos.</p>
<p style="text-align: justify;">O seu pescoço elegante e bem definido completava aquela face de beleza natural, serena, cheia de vida, e ao mesmo tempo complexa e plena de distinção.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta menina mulher é a minha irmã mais nova, de quem fui um pouco mãe pois quase vinte anos nos separam. Sinto um enorme orgulho nos seus feitos e na sua beleza de mãe radiosa e mulher forte e generosa que impressiona os que partilham o seu caminho.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://anadedeus.blogs.sapo.pt/o-desafio-de-desenhar-com-palavras-27068" rel="noopener">Texto no âmbito do Desafio "Desenhar com palavras" da Ana de Deus</a></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:192712021-01-31T16:39:00Avô, porque tens abelhas no quintal?2021-01-31T17:13:01Z2021-01-31T17:13:01Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 550px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="7e4cc00953976be1b0858d1205b3223a.jpg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B0017e63e/22007162_4ezeL.jpeg" alt="7e4cc00953976be1b0858d1205b3223a.jpg" width="960" height="418" /></p>
<p style="text-align: justify;">Era uma vez uma menina que adorava ir à casa dos avós, em especial ao quintal que havia atrás da casa. O quintal era todo rodeado por um muro de pedra “insonsa”, ou seja, tinha sido cuidadosamente com pedras irregulares grandes e pequenas pousadas de modo a ficarem perfeitamente encaixadas e que subiam a uma altura grande sem terem mais nada a segurar.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 431px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="alvenaria-de-pedra-seca.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Be11776f0/22007161_aZYMZ.jpeg" alt="alvenaria-de-pedra-seca.jpg" width="600" height="329" /></p>
<p style="text-align: justify;">No quintal havia um grande cercado com as galinhas e os galos, tinha ameixieiras lá dentro, era enorme. Do outro lado havia as coelheiras construídas em madeiras, com telhado em telhas vermelhas e umas portas em rede com buracos em forma de bolas, lá havia coelhos de todos os tamanhos e cores. Havia mais de dez laranjeiras enormes, com folhas de um verde escuro e onde havia sempre laranjas. Os seus troncos eram muito grossos, até pareciam de pinheiros velhos. Os troncos e ramos das laranjeiras eram verdes, cobertos de musgo muito baixinho. Nessa zona do quintal não se conseguia ver o céu, as densas copas das laranjeiras não deixavam o sol chegar ao chão.</p>
<p style="text-align: justify;">Lá mais para o fundo do quintal, não havia árvores e era uma zona cheia de sol, flores e colmeias de abelhas que assustavam a menina. Bastava aproximar-se daquela zona para o som das abelhas a voar a fazer ficar com medo. Havia umas tábuas que formavam uma espécie de banco onde estavam pousadas seis cascas de sobreiro que quase pareciam troncos, só que eram apenas a cortiça que antes cobria o tronco. O avô chamava-lhe cortiços e dizia-lhe que eram casas para as abelhas. A menina achava que pareciam um pouco casas porque até tinham telhas a cobrir o topo, mas não tinham janelas, havia apenas uma fenda horizontal em baixo com uma espécie de rampa para entrar.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 438px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="cork-bee-hives_11039_pic10_size2.jpg" src="https://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bd9189d86/22007174_cZRbY.jpeg" alt="cork-bee-hives_11039_pic10_size2.jpg" width="500" height="332" /></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">A menina tinha perguntado ao avô:</p>
<p style="text-align: justify;">- Avô, porque tens abelhas no quintal? Elas podem picar-nos e são perigosas. Eu tenho muito medo delas.</p>
<p style="text-align: justify;">O avô tinha-lhe dito que as abelhas eram as suas amigas doces. Eram elas que faziam o mel que usavam lá em casa para adoçar o café, o cacau, os bolos dos Santos e era também um ótimo remédio quando se estava constipado ou com dor de garganta. O avô levou a menina até à cozinha e mostrou-lhe o enorme frasco de vidro com uma boca bem larga e uma tampa esmerilada de vidro que até parecia das farmácias antigas. O frasco estava meio cheio de mel escuro e muito espesso. Noutro frasco mais pequeno tinham mel em favos de cera nova que também estava muito bem fechado.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 430px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="unnamed.jpg" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B6718c1af/22007181_IceY0.jpeg" alt="unnamed.jpg" width="320" height="328" /></p>
<p style="text-align: justify;">O avô tirou uma colher pequenina com o mel espesso e deu à menina, ela olhou para a cor escura que parecia caramelo, sentiu aquele cheiro doce e quente do mel “velho”, viu o granulado que parecia grãos de açúcar e fez o que o avô lhe dizia, pôs na boca como se fosse um chupa e saboreou devagar. Era muito forte o sabor! O avô disse-lhe para ir chupando devagarinho, não era para comer, era para sentir e saborear.</p>
<p style="text-align: justify;">O avô disse-lhe que depois de ter acabado aquela guloseima estava pronta para ir ver as obreiras mais de perto. A menina disse que tinha medo, mas o avô disse que não havia nada a temer. Tinham de se aproximar das colmeias devagar, com movimentos suaves, respeitando as viagens das abelhas. A menina lá foi apertando muito a mão grossa e calejada. Sentaram-se no banco onde estavam pousados os cortiços e o avô foi mostrando como elas iam e vinham, mostrou as patinhas cheias de pólen, mostrou como elas aproveitavam as flores da avó ali do quintal para colher o néctar com que faziam o mel.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 484px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="https___amybrattebo.avenuehq.com_wp-content_upload" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B3c18d9a5/22007185_gIBMn.jpeg" alt="https___amybrattebo.avenuehq.com_wp-content_upload" width="960" height="330" /></p>
<p style="text-align: justify;">Elas iam até às zínias, sécias, brincos de princesa e mesmo aos pampilhos e malmequeres selvagens que havia por ali. O avô mostrou também a taça larga de barro com água que ele tinha ali no banco para as abelhas terem sempre água por perto. A menina aos pouco foi ficando com menos medo, embora se mantivesse muito quieta, e estava a adorar poder ver as temíveis abelhas tão de perto e tão entretidas na sua vida que não queriam saber nem da menina, nem do avô. As abelhas eram muito ocupadas e estavam sempre com pressa a trazer néctar e pólen e a voltar de novo às flores.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 493px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="5b0045f732aab44f5b4287ade40f9cb2.jpg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B6c1769c8/22007175_0nZOf.jpeg" alt="5b0045f732aab44f5b4287ade40f9cb2.jpg" width="768" height="360" /></p>
<p style="text-align: justify;">O avô disse que mais tarde ia retirar os favos de mel dos cortiços porque já estava na altura certa. A menina ficou admirada, como vais conseguir tirar os favos, lá dentro está tudo cheio de abelhas, vais incomodá-las, vão ficar zangadas e vão-te picar todo!!!</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 505px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="honey-comb2-56a020495f9b58eba4af14fb.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B08185a73/22007179_1F8Y8.jpeg" alt="honey-comb2-56a020495f9b58eba4af14fb.jpg" width="768" height="343" /></p>
<p style="text-align: justify;">O avô explicou que havia um truque que era usado há muitos, muitos, anos, usava-se uma engenhoca que fazia um fumo espesso que ajudava a acalmar as abelhas quando se ia mexer na colmeia. Para fazer o fumo usava-se bostas de vaca secas e ervas meio secas. O defumador tinha um fole que fazia sair mais ou menos fumo conforme a agitação das abelhas. As abelhas reagem ao fumo, não se sabe se é por reagirem à aproximação de um fogo, e se organizam para reagir ao fogo, ou se é porque o fumo as põe tontas e incapazes de ficar agressivas. O certo é que elas com o fumo não atacavam o invasor.</p>
<p style="text-align: justify;">O avô disse à menina que ela podia ver tudo da janela da sala da casa, mas que não podia vir cá para fora porque mesmo com o fumo ia haver algumas abelhas zangadas.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 425px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="p91900441.jpg" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B0417c384/22007178_2MDFt.jpeg" alt="p91900441.jpg" width="540" height="561" /></p>
<p style="text-align: justify;">Quando chegou o dia de tirar o mel, a menina ficou com a carinha colada à janela a ver todos os passos. Viu o avô colocar o cócó de vaca seco e as ervas no defumador, acender, começar a mandar o fumo com o fole à volta do primeiro cortiço. Passado algum tempo o avô retirou as duas telhas que faziam de telhado da colmeia, e lentamente metia a mão lá dentro e cuidadosamente cortava com a navalha pedaços dos favos e colocava numa panela alta de alumínio. Ia tirando favos claros quase cor de caramelo leve, outros mais escuros e alguns quase de um tom acastanhado. Em cada cortiço o avô via cuidadosamente para não retirar o sítio onde estavam as abelhas que iam nascer e também tinha cuidado para manter a abelha-rainha dentro do cortiço no final da colheita. O avô já lhe tinha dito que nunca se retirava todo o mel, afinal ele era a reserva de alimento para as abelhas, só podiam retirar o que não lhes ia fazer falta, o resto ficava para elas poderem viver nas alturas em que não havia néctar, nem pólen para produzirem mais mel.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando tudo acabou, o avô trouxe a grande panela para a cozinha e ficaram a ver como os favos eram perfeitos e tinham cores bonitas. A menina viu que os favos tinham uma espécie de tampa que fechava o hexágono para o mel não sair. O avô escolheu um dos favos mais claros, de mel novo, que tinha ainda um forte cheiro e sabor a flores e cortou uns bocadinhos que pareciam rebuçados e deu à menina. Disse-lhe para pôr na boca, deixar sair o mel e chupar e depois deitar fora a cera. A menina assim fez e ficou deliciada. O avô também fez o mesmo e perguntou:</p>
<p style="text-align: justify;">- Então meu amor, já sabes porque tenho abelhas no quintal?</p>
<p style="text-align: justify;">A menina respondeu com um sorriso lambuzado e feliz.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 569px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="d0bcd0b5d0b4-d0b2-d181d0bed182d0b0d185-d0bfd0bed0b" src="https://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B07181273/22007176_yiDMn.jpeg" alt="d0bcd0b5d0b4-d0b2-d181d0bed182d0b0d185-d0bfd0bed0b" width="600" height="388" /></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:184822021-01-28T17:40:00O Sapo Apaixonado, a Rã e a Cobra Verdinha2021-01-28T18:03:39Z2021-01-28T18:03:39Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="width: 463px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Sapo-Matilde Aveiro.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B3418da3d/22005125_uAcMN.jpeg" alt="Sapo-Matilde Aveiro.jpg" width="825" height="405" /><span style="font-size: 10pt;"><em>Desenho da Matilde Aveiro</em></span></p>
<p style="text-align: justify;">Era uma vez um sapo lindo, lindo, muito jovem e que todos no jardim adoravam, em especial a sua mãe. A mãe sempre lhe dissera que ele era simpático, elegante, que tinha uma graciosidade invulgar, que parecia que tudo nele era perfeito. Nem todos o viam desta maneira, ele dava pequenos pulos pois era pesado e com as suas patas curtas e o seu corpo achatado e gorducho não conseguia dar saltos verdadeiros, quando andava era desajeitado mas todos gostavam dele na mesma, era boa companhia, quer na água quer em terra, nas margens do lago.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 452px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="sapo-lindo.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Ba318361c/22005132_RuWd5.jpeg" alt="sapo-lindo.jpg" width="326" height="363" /></p>
<p style="text-align: justify;">O sapinho vivia num jardim muito grande com colinas, um longo riacho, um lago grande e um sem número de animais onde as pessoas gostavam passear. Havia libelinhas, patos, patinhos, relas, rãs, muitos pássaros e aves. Havia melros, pegas, pardais e nem sei quantos mais!</p>
<p style="text-align: justify;">Quando uma criança se aproximava da margem do riacho do jardim, parecia que tinha começado uma prova de salto em comprimento, só se via as relas e as rãs a saltarem para a água e a desaparecerem no meio das ervinhas verdes redondas que cobriam as águas do riacho.</p>
<p>As crianças ficavam todas divertidas ao verem os saltos rápidos e altos que elas conseguiam fazer. Nestas corridas e saltos quem ganhava eram as relas porque as suas pernas enormes e o seu corpo pequeno e mais leve levavam-nas mais alto.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 653px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Kikker.jpg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B60188689/22005133_cklUn.jpeg" alt="Kikker.jpg" width="600" height="370" /></p>
<p>O sapinho quando sentia passos a aproximarem-se procurava um sítio mais escondido entre os juncos e as ervas mais altas e ficava muito quieto à espera que se afastassem. Muitas vezes ficava ali no seu cantinho sossegado a ver os saltos das suas atléticas e esguias vizinhas e a escutar enquanto coaxavam. Ele gostava muito de as escutar, as relas pareciam patos a grasnar enquanto as rãs faziam sem parar.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 516px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Rana_perezi_bigger.jpg" src="https://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bfb176157/22005137_sFZJ7.jpeg" alt="Rana_perezi_bigger.jpg" width="516" height="320" /></p>
<p style="text-align: justify;">O sapinho achava as rãs lindas, com a sua pele tão lisa e brilhante, sempre molhadinha daquele verde com as manchinhas escuras pelo corpo. Adorava também aqueles olhinhos esbugalhados. A boca delas também o fascinava achava que até já tinha visto os dentinhos de cima de uma delas quando lançava a língua a um mosquito. Ele não sabia, mas até começava a pensar que estava a apaixonar-se.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 650px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="rã a nadar.jpg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Ba21854f7/22005138_NRU6r.jpeg" alt="rã a nadar.jpg" width="960" height="361" /></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Começou a tentar aproximar-se e a fazer os seus cantos mágicos, mas elas não reparavam sequer. E ele continuava a fazer bréiii, bréiii mas elas nem reparavam. As pernas delas eram longas, fortes e muito musculadas, com os seus pezinhos delicados com cinco longos dedos unidos por membranas que as faziam deslizar velozes na água como nenhum outro bicho do lago.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 464px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Rela.jpg" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9317469b/22005142_THhKy.jpeg" alt="Rela.jpg" width="446" height="464" /></p>
<p style="text-align: justify;">Será que elas não olhavam para ele por ter a pele rugosa com aquelas bolinhas salientes, ou seria por ser um bocado gordo e não conseguir saltar, enfim dava pulos, mas era algo desajeitado.</p>
<p style="text-align: justify;">Tentou mostrar-se melhor erguendo-se nas quatro patas, mas nem assim elas mostraram interesse. A caminhar ele tinha sempre uns passos pesados e algo desajeitados mas era forte e sabia que ia encontrar a sua apaixonada, talvez não fosse uma rã, ia continuar a procurar e tinha a certeza que ia encontrar alguém de quem gostasse.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 651px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="1024px-Bufo_bufo-defensive_reaction1.jpg" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B60182a46/22005145_WZzek.jpeg" alt="1024px-Bufo_bufo-defensive_reaction1.jpg" width="960" height="493" /></p>
<p style="text-align: justify;">Num dia foi até ao estrado de madeira onde as pessoas costumavam passar e ficou lá em baixo no espaço escuro e fresco entre as tábuas e o chão. Olhou para cima e no espaço entre duas tábuas, bem direita e a esticar-se estava uma linda cobrinha verde, muito elegante e esguia. O sapinho ficou fascinado. Como ela era bonita. Começou a andar pelas tábuas em pequenos pulos, até se atreveu a ir para a parte de cima para a ver melhor. Parecia que não controlava o que fazia, queria ir até perto dela, queria beijá-la, talvez ela fosse o amor que andava à procura. A cobrinha olhou para ele, começou a aproximar-se e já estava até a esticar a boca pensando num belo petisco, mas quando olhou melhor desistiu logo. Era um sapo, não servia para comer, se o abocanhasse ao apertar ele deitava um veneno e ela podia até morrer, livra, o melhor era ir para outro sítio porque com sapos é que ela não queria nada.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="Cobra Verdinha.jpg" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B03181e37/22005146_cM4id.jpeg" alt="Cobra Verdinha.jpg" width="960" height="322" /></p>
<p style="text-align: justify;">O sapinho ao ver a cobra verdinha a afastar-se ficou triste e decidiu voltar para junto do lago. Lá foi aos pulinhos, comendo um mosquito aqui, uma aranha acolá, enfim comida não lhe faltava.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando chegou perto do lago, já a noite ia alta e ele sentiu vontade de cantar as suas tristezas e lá começou a coaxar a sua música. Algum tempo depois sentiu movimento atras de si. Olhou e nem queria acreditar, era uma enorme e maravilhosa sapinha, bem corpulenta, com uns bracinhos curtos e gordinhos e uns olhos cheios de ternura. Assim que os olhares se cruzaram houve encantamento e desde esse dia nunca mais se separaram. Todos os anos faziam longas linhas com os seus ovinhos negros nas folhas das plantas mesmo junto da água. Todos os anos nasciam centenas de girinos que iam crescendo e depois se transformavam em minúsculos sapinhos que eram o seu orgulho.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 651px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="100508ut072-avang.jpg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B8b1844ac/22005148_vb455.jpeg" alt="100508ut072-avang.jpg" width="594" height="344" /></p>
<p>Quando olhava para a sua sapinha pensava sempre como tinha sido tonto ao pensar que estava apaixonado pela rã e depois pela cobra verdinha. Só depois de sentir o verdadeiro amor é que percebia como ela era bela, como estava encantada por ele e como tanto tinham em comum.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 653px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="1280px-Amplexus_Bufo_bufo_2010-03-29.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bbf180574/22005149_tFd5L.jpeg" alt="1280px-Amplexus_Bufo_bufo_2010-03-29.jpg" width="960" height="431" /></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:contosporcontar:181372021-01-26T18:04:00A Senhora das Castanhas2021-01-26T20:03:12Z2021-01-26T20:03:12Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 512px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="IMG_0434-692x1024.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B0a181636/22003584_gqB8e.jpeg" alt="IMG_0434-692x1024.jpg" width="487" height="746" /></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;">Não há ninguém em Leiria e arredores que não conheça a <strong>Senhora das Castanhas</strong>! Novos, velhos, da cidade, das aldeias em redor e mesmo quem visita a cidade nos tempos frios.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;">Há mais de 50 anos que o triciclo verde, com a bilha de barro furada aquecida pelo calor forte do carvão mineral, enchem o ar do Largo do Papa e da avenida com o perfume único do fumo cinzento azulado que anuncia as castanhas a assar. Só de sentir o cheiro já se sente o conforto e aconchego do sabor doce e levemente salgado deixado pela casca crepitante e estaladiça ao descascar. Quando se agarra o cartuxo cónico de papel e se sente o calor nas mãos já há um conforto que antecipa o descascar e saborear das belas castanhas amarelinhas aninhadas no seu ninho que era castanho e que é agora uma crosta acinzentada crocante.</span></p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 512px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="IMG_0404-1024x683.jpg" src="https://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B2d18be34/22003713_51jb9.jpeg" alt="IMG_0404-1024x683.jpg" width="960" height="348" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;">Há pessoas que só gostam de castanhas destas, das que se assam e comem na rua porque o seu sabor é especial. Mesmo quem assa em casa nunca consegue alcançar a magia que aquele carrinho mágico acrescenta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;">A certeza de ver ano, após ano a Senhora das Castanhas voltar, dá aquele conforto de que a vida é e vai continuar a ser boa e tranquila como sempre foi. As meninas e os meninos crescem e voltam anos mais tarde com os seus meninos e meninas para também eles comerem as castanhas do carrinho mágico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;">A Senhora das Castanhas tem o rosto vincado dos anos, mas o seu sorriso é jovem, contagia, parece que ela não quereria estar a fazer o que quer que fosse que não estar ali, a assar as castanhas para nós.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">Bem-haja por tudo!</span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/desafio-vamos-pintar-com-palavras-434723" rel="noopener">Texto no âmbito do Desafio Caixa de Lápis de Cor</a></span></p>