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Contos por contar

Contos por contar

19
Jun20

A Aranha Baganha

Cristina Aveiro

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Era uma vez uma aranha que se chamava Baganha. A aranha Baganha tinha oito patas longas e um corpo pequenino e magrinho. Ela não tinha antenas como as borboletas e outros insectos, claro que não! As aranhas não são insectos, logo não têm antenas. A aranha Baganha passava o tempo a fazer obras maravilhosas, as suas teias. Nem sempre corria bem a sua tarefa, às vezes mal começava a prender os primeiros fios para criar a estrutura e… ups, lá vinha o vento, ou algum animal a passar e pronto. Caia tudo por terra.

A aranha Baganha vivia no jardim de uma casa muito grande, cheia de crianças pequenas que adoravam brincar no jardim. Estes meninos pequenos não gostavam dos trabalhos que a Baganha ia deixando por todo o jardim, as suas maravilhosas teias, ou os fios que também gostava de deixar quando descia das árvores ou das roseiras. Baganha gostava de tornar mais bonitos os cantos das janelas da casa que davam para o jardim e fazia bonitas teias que quase pareciam cortinados. Baganha gostava muito de ver como ficavam depois de cair uma chuva suave que deixava pequenas gotas nas teias e as tornavam bem visíveis para todos.

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Mas por algum motivo estranho todas as semanas ia uma senhora com uma grande vassoura e destruía todas as teias. Baganha que era uma orgulhosa tecedeira nessas alturas ficava toda agitada, não conseguia controlar as suas longas pernas, ficava cheia de tremedeira, tinha vontade de gritar e gritava mas parece que a senhora não ouvia nada do que ela dizia. Mas estranhamente, quando ela gritava as outras aranhas do jardim vinham para perto dela e ficavam a olhar com muito espanto do alto dos seus quatro olhos… Elas também já estavam habituadas a ver destruídas as suas belas teias e não sabiam o que fazer.

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Eram todas aranhas bondosas que gostavam de fazer em silêncio e meticulosamente as suas teias. Do seu corpo saia um fio finíssimo, branquinho, suave e elástico. O fio era muito resistente, mas também era flexível e conseguia ser muito comprido. Todas começavam por lançar os fios que faziam uma espécie de estrela, todos a partir do centro, em geral faziam estrelas com vinte pernas. A seguir começavam a andar à volta do centro prendendo o fio nas linhas das pernas da estrela e era aí nessa magia que cada aranha mostrava as suas artes e aquilo de que era capaz. Nunca havia duas teias iguais. Elas inventavam sempre novas formas e desenhos com os fios.

Quando as crianças andavam no jardim, às vezes gritavam com medo das aranhas, Baganha pensava que era por terem muitas pernas e talvez por andarem de uma forma desajeitada. Quase todas detestavam as teias e sempre que podiam passavam as mãos com força e rebentavam os fios e pronto, lá ficava tudo estragado. Havia um menino que era diferente, que gostava muito de ficar parado no jardim a ver os pequenos animais. Ele sentava-se com um caderninho e olhava com atenção a ver tudo o que se passava. De vez em quando desenhava os bichinhos e as suas casas.

 

Um dia o menino estava sentado junto a uma das janelas no jardim e viu a aranha Baganha que tinha começado a fazer uma bela teia quase redonda. Ela primeiro nem o viu, estava ocupada a tecer, mas ele aproximou-se mais e ela ficou totalmente parada, congelada, cheia de medo e de tremedeira. Baganha esperava o pior, ele estava tão perto que ela nunca conseguiria fugir… Baganha gritou a pedir ajuda às suas amigas do jardim e também a ver se assustava o menino. O menino continuou a olhar, mas não aconteceu nada. Baganha começou a acalmar! Até tinha ficado com suores frios. Devia estar com péssimo aspeto, toda transpirada, logo ela que era vaidosa e gostava sempre de estar bem limpa e arranjada. Aos poucos Baganha foi acalmando e começou a ganhar coragem e decidiu que ia continuar a fazer a sua teia, que sabe, talvez o menino gostasse do que ela fazia. Baganha teceu com afinco e o menino continuou a vê-la e até começou a desenhar no seu caderninho.

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Já a tarde estava a chegar ao fim quando a mãe do menino o chamou para jantar. A mãe chegou ao pé do menino e perguntou-lhe o que estava a fazer e porque é que estava sozinho. Ele começou por dizer que estava a ver o que as aranhas faziam e como os outros meninos não gostavam de aranhas não queriam estar ali. Então ele mostrou à mãe a bonita teia que a aranha Baganha tinha estado a fazer durante a tarde e mostrou também o seu desenho que tinha a teia muito bem desenhada e a aranha Baganha deitada, repinpada, no centro da sua teia. A mãe disse-lhe que o desenho estava muito bonito e que devia mostra-lo às outras crianças. O menino disse também que os outros meninos não deviam ter medo das aranhas porque elas quando os viam tentavam apenas fugir e nem se aproximavam deles, só queriam ir à sua vida.

A mãe concordou com o menino e disse-lhe que era assim com quase todos os outros animais, devemos vê-los e deixá-los ir à sua vida, eles não querem nada connosco.

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