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Contos por contar

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04
Set21

Um lugar querido

#2 - Desafio 30 dias de escrita da Ana de Deus

Cristina Aveiro

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A minha praia é um lugar feliz. Assim que nos aproximamos atravessando o que era o maior pinhal de Portugal, o cheiro muda, primeiro o pinho e a mata e depois aroma de dunas misturado com mar e finalmente, assim que estamos defronte do mar chega aquele cheiro que não há em mais nenhum lugar que eu conheça. É maresia intensa, quase se sente na boca o sabor das entranhas do mar. Gosto de percebes porque têm o mesmo sabor que o cheiro da minha praia.

É um areal amplo, mas aconchegante, onde cabem todos, tem rochas, tem zonas de mar plano e de mar que afunda, zonas de mais gente e outras de encontro solitário entre nós o mar e a duna. E a areia, como é limpa, macia, de um doce tom amarelo muito claro bordada a pequenas pedras e conchinhas onde as ondas se desmancham sobre a areia. As casas da primeira linha são simples espartanas e estão muitas vezes desgrenhadas pelos efeitos das maresias intensas, não há pretensões ou luxo, simplesmente amor ao mar e à praia e gosto pela vida simples. Há prédios e a arquitetura bela na minha praia foi a que a Natureza produziu, tudo o resto … mas ainda assim a amplitude, a marginal, os barcos da arte Xávega, as gentes da praia, de todo o ano ou os de todos os anos, dão-lhe uma irresistibilidade que enfeitiça o coração de alguns que não passam sem ela.

Nos dias de céu limpo ao lusco-fusco conseguem-se ver os dois faróis que abraçam a minha praia, a Norte o da Serra da Boa Viagem e a Sul o farol do Penedo da Saudade, há ainda a luz do Sol acabado de despedir-se e aqueles dois amigos a acompanhar-nos na noite que vem.

Na minha praia os dias de bandeira verde são celebrados como festas anuais, a bandeira verde tem sempre a cor em todo o seu esplendor, enquanto a bandeira vermelha costuma ter um tom rosado à força de muito uso por dias sem fim. O mar e o tempo são dados a humores intensos com temporadas de nevoeiro cerrado e frio mesmo em pleno Verão, mas nem nessas alturas a minha praia perde o magnetismo.

O silêncio que costuma reinar mesmo no Verão e o som das ondas do mar no Inverno escutadas no ninho dos lençóis são uma música que acalma e envolve num conforto amigo que não encontro noutros lugares.

A minha praia pertence-me desde menina e eu pertenço-lhe e vai continuar a ser sempre assim!

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 Texto escrito no âmbito do desafio 30 dias de escrita lançado pela Ana de Deus, e em que participam Ana de Deusbii yueJoão-Afonso MachadoJorge OrvélioJosé da XãMaria Araújo  e eu.

 

 

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