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Contos por contar

Contos por contar

28
Fev21

Mãe quero ir passear, por favor!

Desafio Sonhamos ir por aí! Vá para fora cá dentro... de casa!

Cristina Aveiro

Ponte ondulada.jpg

Naquele dia o rapaz estava cansado de estar em casa, já tinham passado muitos dias e continuavam a não sair. Faziam coisas divertidas em casa, mas ele sentia mesmo a falta de ir ver a rua, de andar lá fora, de ir ver outros lugares. Antes costumavam passear, ir ver cidades, sítios distantes no campo e agora, nada.

Foi ter com a mãe e disse:

- Mãe quero ir passear, por favor!

Ele sabia que tinham que ficar em casa, mas talvez a mãe conseguisse acalmar aquela vontade, afinal as mães sabem sempre tudo, certo?

A mãe disse logo, então vamos! Vamos lá planear o nosso passeio. O que queres fazer, o que queres ir ver?

O menino ficou pensativo e perguntou como é que iam se tinham que ficar em casa. A mãe explicou que sonhando e pensando podemos sempre ir onde quisermos e que esse passeio eles podiam fazer juntos. O menino perguntou então se podiam fazer o que quisessem, mesmo que fossem coisas que não pudessem acontecer na realidade, coisas imaginadas. A mãe disse que sim e começaram juntos a planear a viagem.

O rapaz queria muito andar sobre a água e fazer coisas diferentes. Queria refastelar-se num sofá, fazer um piquenique, andar num baloiço e rodar num pião gigante como no parque infantil, queria sentar-se num banco alto de um bar, queria subir a uma colina e ver tudo à volta…

A mãe perguntou se não estava com demasiadas ideias estranhas, será que ainda queria fazer mais coisas em cima da água. Ele respondeu que sim, queira subir e descer, fazer abanar o mundo, sentir-se num conto de fadas, queria trepar a um relógio alto e agora não se estava a lembrar de mais nada, mas já tinha uma carinha mais animada.

A mãe disse que também queria fazer tudo o que ele tinha vontade, ela também adorava água e fazer tudo aquilo parecia-lhe fantástico. Assim que pudessem sair de casa ficava combinado, iam fazer tudo o que ele tinha pensado.

pontes-da-cidade-piquenique.jpg

O menino olhou para a mãe e perguntou como é que iam fazer aquilo, afinal não havia sofás, colinas, subidas e descidas ou baloiços sobre a água. A mãe sorriu e disse:

- Há uma cidade onde podes fazer tudo o que disseste! Tem um rio, sobre o rio há muitas pontes e penso que podemos fazer o que querias. O menino abriu muito os olhos e perguntou:

- A sério? Cá em Portugal? Onde?

A mãe foi dizendo que sim, era Leiria! Havia a ponte sofá, lá podiam refastelar-se. Havia uma ponte com mesas de piquenique e relva, outra com um relógio alto e magrinho a meio, uma ponte bar com bancos e tudo.

Ponte parque infantil.jpg

O menino disse:

- Mas subir e descer? Brincar no baloiço? Isso não pode haver.

Há sim meu amor. Há a ponde D. Dinis, que sobe muito sobre o rio, parece uma colina com paredes de vidro de onde se pode ver o castelo do rei mesmo de frente, há a ponte ondulada que sobe e desce e onde pudemos pular e tudo fica a abanar na sua estrutura metálica flexível, há uma ponte que é um parque infantil e há mais pontes onde podemos inventar mais coisas para fazer.

ponte-el-rei-dom-dinis.jpg

O menino e a mãe continuaram a planear aquele passeio, ambos se sentiam mais livres e até parecia que já tinham passeado.

Agora era só esperar para irem mesmo ver e viver as pontes a sério.

Ponte bar.jpg

 

Texto no âmbito do desafio "Sonhamos ir por aí"

Neste desafio participo eu, a Oh da guarda peixe frito, a Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Fátima Bento, a Imsilva, a Luísa De Sousa, a Maria, o José da Xâ,  a Rute Justino, a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor,  a Gorduchita, a Miss Lollipop, a Ana Mestre a Ana de Deus, e a bii yue e quem mais quis.

27
Fev21

O gafanhoto com dor de barriga

Cristina Aveiro

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Era uma vez um jovem gafanhoto que era muito traquinas e maroto e estava sempre a dar dores de cabeça à sua mãe.

A mãe gafanhota sentira desde sempre que aquele seu filho era diferente. Quando fizera a postura de cem ovos da sua última ninhada, ao enterrar a barriga na terra para depositar aquele ovo tinha sentido um friozinho estranho. Quando fechara aquele ninho fora especialmente difícil colocar o tampão que protege o ovo até parecia que o ovo não queria ficar fechado. Ao contrário dos irmãos, aquele seu filho não demorara os 100 dias habituais a passar de ovo para ninfa e depois para imago. Foi a primeira ninfa a sair da toca, era lindo, parecia já um gafanhoto adulto mas claro, ainda não tinha asas. A seguir, antes de nada trocara o seu exoesqueleto e passara a imago, um jovem gafanhoto já com asas e tudo. A mãe ao ver como ele era diferente até chegou a recear que do ovo saísse uma lagarta e quem sabe ele se transformasse depois em borboleta, mas tudo aconteceu como o previsto só que mais depressa do que os restantes.

Gafanhoto-Foto-Thanakorn Hongphan - Shutterstock-c

A mãe era muito orgulhosa de todos os seus filhotes, todos belos e elegantes. A mãe não se cansava de olhar para as suas cabeças coroadas por duas antenas curtas, o seu tronco de onde partia o primeiro par de pequenas patas viradas para a frente, da sua bela e longa barriginha saiam mais dois pares de patas viradas para trás. As patas que a mãe mais apreciava eram as maiores, as que ficavam mais atrás, eram enormes, elevavam-se bem acimas das asas, na primeira parte eram muito gordinhas e musculadas e abaixo do joelho passavam a ser fininhas e tinham uma espécie de pequenos espinhos que eram fundamentais para controlar o ar quando saltavam e planavam. Claro que os dois pares de asas sobrepostas, as de fora mais fortes e compactas e as que ficavam escondidas por baixo e só se viam quando eles saltavam e até parecia que estavam a voar com a sua transparência e delicadeza até lhe pareciam as asas de uma libelinha, ou aos seus olhos de mãe pareciam ainda mais bonitas.

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Aquele seu filho andava sempre a explorar novos lugares, a provar tudo quanto encontrava, a tentar conhecer outros gafanhotos, joaninhas, libelinhas e um sem número de outros insetos. O que mais preocupava a mãe é que ele também queria ficar amigo das aves e dos pássaros e por mais que a mãe lhe dissesse para se manter afastado de outros animais, mesmo até de gafanhotos ele não obedecia.

Naquele dia o jovem gafanhoto foi ter com a mãe e mal saltava, até os seus cinco olhos estavam tristes. Sim os cinco olhos, os dois gigantes dos lados da cabeça que funcionavam como um conjunto de centenas de pequenas câmaras e lhe permitiam ver quase em todas as direções e os três pequenos olhos na frente da cabeça que lhe permitiam distinguir o claro do escuro.

Quando chegou junto à mãe começou a dizer que estava cheiinho de  dores de barriga, eram fortes, enormes e ele quase não se conseguia mexer-se. Enquanto explicava o que se passava as suas dobrinhas da barriga estavam sempre a esticar e a encolher, pareciam um acordeão a tocar. A mãe ficou deveras preocupada! Perguntou o que é que ele tinha andado a comer. Perguntou se ele tinha ido para junto dos campos das pessoas e se tinha andado por lá a provar os legumes. Ele começou por dizer que não, mas à medida que a mãe ia perguntando e explicando que era muito importante dizer toda a verdade para o poder tratar. Ele lá foi dizendo que sim, que não tinha resistido àquelas belas alfaces e também às nabiças, mas que tinha sentido um sabor muito amargo e comera muito pouco. A mãe sabia bem o que tinha acontecido, o agricultor devia ter usado aqueles venenos para os insetos não comeram os seus legumes.

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Ficou muito, muito aflita. Deu logo ao pequeno gafanhoto uma erva muito amarga e oleosa que ele não queria comer porque dizia que sabia muito mal. A mãe disse que nem queira ouvir nada, era comer e calar. Nem um minuto depois de comer a erva horrível lá estava ele a vomitar por todos os lados, parecia um jacto de uma mangueira dos bombeiros. Saia uma gosma verde sem fim. Ele estava de rastos, agora estava na mesma com a dor de barriga anterior, aos soluços, enjoado como nunca tinha estado e com novas dores de barriga provocadas por ter estado a vomitar como um vulcão. A mãe explicou-lhe que ainda ia ficar pior antes de ficar melhor. Ele ficou aterrado. Como era possível ficar ainda pior? Oh, céus!

A mãe com muito jeitinho começou a dizer-lhe que ia ter de levar um supositório. O pequeno não sabia o que era. Então a mãe foi procurar uma baga escura de uma planta que ele não conhecia, era negra, arredondada pareceu-lhe uma espécie de pinhão preto. Assim que a mãe lhe explicou o que ia acontecer a seguir o pequeno gafanhoto entrou em pânico, tentava saltar e fugir dali, mas os seus saltos eram minúsculos. A mãe foi conversando, disse-lhe que não era nada do tamanho de um pinhão, que ele tinha que ficar sossegado para tudo ser mais fácil, mas nada. Ele esperneava, desviava-se, virava-se de barriga para cima e depois para baixo, torcia-se e retorcia-se de dores, de medo puro e com a energia que o medo empresta. Tudo no seu corpo lhe dizia para fugir para longe, ele sabia que a mãe não lhe ia fazer nada de mal, que queria trata-lo, mas isto? Que ideia aterradora, como é que aquilo podia ajudar? Por mais que a mãe explicasse o seu cérebro não escutava, os ouvidos apenas ouviam, mas o seu cérebro só gritava fogeeee.

Vieram reforços para resolver a situação, os seus super olhos captavam imagens de um rebanho de gafanhotos a rodeá-lo, a agarrar em todo o lado, pernas, cabeça, barriga, tudo! Por muito que quisesse escapar, pumba, aconteceu. A maléfica semente entrou e aquela sua barriga estava ainda mais enlouquecida. Parecia que tudo estava a saltar lá dentro e que se começava a formar uma onda gigantesca nas suas  entranhas. E a onda crescia, e doía, doía e parecia aproximar-se do fim do seu corpo. Não, não era possível, será que ele nem se ia poder afastar para resolver aquilo? Porque é que todos se estava a afastar rapidamente? Será que o estavam a abandonar? Ele não conseguia conter-se mais, ia começar a sair, nunca imaginou que a sua barriga estivesse tão cheia, parecia novamente que ele estava a deitar um jacto, a barriga continuava a encolher e a esticar-se como um acordeão e ele estava a esguichar para a frente e para trás, parecia quase uma fonte luminosa com dois repuxos. Ele não sabia quanto tempo aquilo ia durar, mas parecia que não ia ter fim.

Toda a família do gafanhoto estava bem perto a ver como ele reagia ao tratamento. Felizmente estava a resultar porque os terríveis venenos estavam a sair e todos estavam com esperança que ele ficasse bem.

Aos poucos o pequeno gafanhoto foi acalmando e começou a sentir-se melhor. A mãe tinha razão, tinha ficado bem pior antes de ficar melhor! A mãe também tinha razão quando lhe dizia para não ir para sítios perigosos e provar tudo o que lhe dava vontade.

O pequeno gafanhoto decidiu que ia passar a escutar e usar os conselhos da mãe, mas sabia que ia ser difícil. Será que ele vai conseguir, ou será que vai voltar a correr riscos desnecessários?

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24
Fev21

Mãe o que é o almoço?

#6 - Laranja - Desafio da Caixa dos Lápis de Cor

Cristina Aveiro

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Era uma vez uma menina que queria sempre saber o que ia ser o almoço e a mãe às vezes aborrecia-se com a pergunta. De vez em quando a mãe dizia “Cascas de tremoço e o jantar são bordas de alguidar”, a menina ria-se e insistia, mas não ficava a saber nada mais.

Naquele sábado a menina perguntou de novo o que era o almoço e a mãe prontamente disse que ia ser uma Sinfonia Laranja, a menina ficou admirada e perguntou o que era isso. A mãe disse que não podia dizer mais nada, ela teria de adivinhar.

Há muito tempo que a mãe andava a imaginar a Sinfonia Laranja e hoje era o dia.

Para começar a mãe tinha feito um creme de abóbora suave e delicado de um laranja intenso. Seguiu-se um salmão no forno com batata doce cor de laranja, cenouras e pedacinhos de pimento laranja, tudo muito bem regado com azeite e ervas aromáticas.

Para sobremesa era um não acabar de delícias. Um enorme prato com fruta laminada, laranja, tangerina, toranja, manga, papaia, pêssego, damasco e fisális para completar. Um enorme prato coberto de fatias finas de dióspiro duro polvilhado de canela que parecia saído de uma receita conventual. Para além da fruta havia uma deliciosa torta húmida de laranja e um cremoso sorvete de clementina.

Para beber havia um enorme jarro de sumo de laranja acabado de espremer e uma bela sangria de champanhe de pêssego para os adultos.

A mãe não tinha a certeza se todos iam gostar da sinfonia, mas tinha a certeza absoluta que iam ficar de boca aberta! Quem é que se ia lembrar de servir apenas delícias cor de laranja?!

Ela, claro! Adorava desafios e tinha-se desafiado a si própria a fazer um belo menu todo cor de laranja. Estava tudo lindo e fazia crescer água na boca.

Quando tudo estava pronto a mãe chamou para virem por a mesa com os pratos brancos mais bonitos e os copos de festa. Todos queriam ir à cozinha ver o que cheirava tão bem, mas a mãe não deixou ninguém ir espreitar à cozinha.

Só quando todos estavam sentados é que a mãe começou a trazer a Sinfonia.

E tudo foi num crescendo até aos retumbantes acordes finais da sobremesa.

A mãe ficou feliz com os sorrisos que foi recebendo do melhor público do mundo.

Um destes dias ia tocar outra sinfonia…

 

Texto no âmbito do #6 Desafio da Caixa dos Lápis de Cor - Laranja

Neste desafio, que eu saiba, participo eu, a Oh da guarda peixe frito, a Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Fátima Bento, a Imsilva, a Luísa De Sousa, a Maria, o José da Xâ,  a Rute Justino, a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor,  a Gorduchita, a Miss Lollipop, a Ana Mestre a Ana de Deus, João-Afonso Machado, e a bii yue.

Todas as quartas-feiras e durante 12 semanas publicaremos um texto novo inspirado nas cores dos lápis da caixa que dá nome ao desafio. Acompanha-nos nos blogues de cada uma, ou através da tag "Desafio Caixa de lápis de Cor". Ou então, junta-te a nós :)

 

20
Fev21

O Hotel de Insetos

Cristina Aveiro

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Era uma vez uma menina que vivia na cidade, mas tinha um enorme terraço onde naquele ano a mãe tinha decidido fazer uma horta. Tinha sido uma diversão arranjar as enormes floreiras, encher com terra fértil e depois decidir e escolher as plantas que iam fazer crescer. A mãe escolheu alfaces, a menina tomates e brócolos, o irmãozinho quis morangos e a lista nunca mais acabava. Depois foi uma animação ir ao horto comprar as plantinhas frágeis e claro que acrescentaram algumas à lista, tal era a variedade e beleza daquelas plantinhas nos seus alvéolos geometricamente ordenados.

Regressaram a casa e o rebuliço continuou, plantar tudo com a mãe a orientar para que não ficassem demasiado juntas, nem demasiado afastadas, deixando espaço para poderem crescer. Por fim de regador em punho as crianças deram o aconchego final às pequenas plantinhas que ficaram instaladas na sua nova casa.

Quando tudo ficou pronto, as crianças ficaram um pouco perdidas, afinal agora a horta tinha de esperar para acontecerem coisas novas. Os meninos não eram nada bons a esperar, ficavam ansiosos, queriam fazer as coisas acontecer.

A mãe percebeu logo que os seus meninos estavam a precisar de um novo desafio. Meninos vamos fazer um hotel de insetos para a nossa horta. Os pequenos acharam divertido, até pensaram que a mãe estava a brincar. Os insetos ficam em hotéis? Então eles não têm um ninho? Andavam de terra em terra a passear e precisavam de ficar num hotel?

A mãe explicou que muitos insetos andavam de terra em terra sempre à procura de alimento e que ficavam um bocado perdidos nas cidades onde era muito difícil encontrar abrigo. A mãe explicou que por todo o Mundo havia pessoas nas cidades que estavam a construir hotéis para insetos para evitar que desaparecessem. Para o hotel que iam construir iam fazer “quartos” perfeitos para os insetos que queriam acolher porque para além de tudo iam ajudar a nova horta a ficar livre de insetos parasitas e iam fazer a polinização das flores.

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Então afinal quem vão ser os nossos hóspedes perguntou a menina em jeito de brincadeira. A mãe disse que eram abelhas solitárias e borboletas para fazer a polinização e as joaninhas e as crisopas que iam comer os insetos prejudiciais às plantas.

A menina perguntou como ia ser na entrada do hotel, a mãe disse que cada um chegava, escolhia o lugar que melhor lhe convinha e instalava-se.

Havia uma caixa oca com um raminho seco no interior e com duas fendas verticais que eram a entrada para as borboletas. Havia um tronco que tinha sido esburacado com muitos furos, onde cada um era um “quarto” para uma abelha solitária.

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Havia uma zona toda cheia com canas ocas bem arrumadinhas que eram os quartos das joaninhas. Finalmente, para as crisopas havia uma zona preenchida com rolos de cartão canelado bem enroladinhos, onde os espaços entre eles eram os quartos perfeitos. Para completar o hotel, todas as zonas acabavam por ser preenchidas com raminhos secos ou canas ocas.

As crianças ficaram muito entusiasmadas por irem construir o hotel. Foi uma aventura procurar os materiais, pedir ajuda ao pai para adaptar uma caixa de madeira e fazer uma espécie de telhado. Quando por fim ficou pronto tiveram de escolher um lugar na horta virado a Sul, elevado para os insetos o poderem avistar e próximo das plantas que iam ter flores.

No final todos estavam orgulhosos da horta e muito especialmente do hotel para insetos. Agora tinham de esperar pacientemente que as plantinhas crescessem e que os insetos viessem instalar-se.

E tu, gostavas de construir um hotel de insetos? 

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19
Fev21

Vai passar

Cristina Aveiro

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                                                      Vai passar
                                                      Vamos voltar ao mar
                                                      Vamos continuar a amar
                                                      Vamos manter-nos a lutar
                                                      Vamos permanecer até tudo acabar.

19
Fev21

Um desafio por um livro

Cristina Aveiro

22019765_ZYvso.jpegImagem do porqueeuposso.blogs.sapo.pt/

Hoje aceitei mais um desafio de escrita lançado pela Fátima Bento na comemoração do 7.º aniversário do seu blog:

Porque eu posso!

E todos nós gostamos tanto de fazer coisas apenas por essa razão.

O desafio é aberto a quem quiser participar. Venham daí, porque podem!

Vamos receber os presentes do 7.º aniversário do Porque eu posso!

 

 

18
Fev21

Desafio "Sonhamos ir por aí!"

Vá para fora cá dentro de ... casa

Cristina Aveiro

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"Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo." 

Luís Vaz de Camões

Confinados não podemos ir por aí, descobrir novos sítios, vadiar como eu gosto de dizer, mas podemos sonhar com vadiagens e podemos despertar desejos de vadiar em almas alheias. Desafio-vos a escrever um conto com a vossa "cidade, vila, terra amada" como pano de fundo que desperte a vontade de visitar esse lugar. Um olhar diferente, um passeio virtual guiado pelo vosso olhar, ... o que quiserem que seja!

Quantas vezes depois de ler um livro não sentimos uma vontade enorme de ir ver onde tudo se passou? Eu já fui a muitos lugares por esse motivo.

 

Desculpem-me a ousadia, mas venho convidar a Oh da guarda peixe frito, a Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Fátima Bento, a Imsilva, a Luísa De Sousa, a Maria, o José da Xâ,  a Rute Justino, a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor,  a Gorduchita, a Miss Lollipop, a Ana Mestre a Ana de Deus, e a bii yue a participarem neste desafio e a estenderem este convite a quem acharem que possa gostar.

Combinamos a publicação para o dia 28 de Fevereiro. Todos os que tiverem vontade de se juntar ao desafio são muito bem-vindos.

 

17
Fev21

Sol de Inverno

#5 - Azul Cobalto - Desafio da Caixa dos Lápis de Cor

Cristina Aveiro

Casinha na Nazare.jpg

O Inverno já ia longo, cheio de dias e dias cinzentos, frio, chuva e mais chuva. Estavam cansados, tinham umas saudades enormes do Verão e da vida junto ao mar. Naquele sábado amanheceu um dia de sol radioso e eles nem pensaram duas vezes, todas as tarefas dos sábados ficaram adiadas. Correram no seu carrinho, atravessaram o pinhal do rei e foram até ao mar de São Pedro de Moel. Depois rumaram a Sul, deleitando-se com tudo o que a estrada atlântica tem para oferecer nos dias de Inverno. Poucos carros, céu límpido, mar calmo como se fosse Verão e daquele azul que enche a alma.

Pararam no Sítio da Nazaré. Pousaram o olhar na vista aérea sobre o casario nazareno, a praia vazia abrigada pelo morro que é o maior para-vento que conheço. Sabiam de cor aquela imagem, mas de quando em quando, o olhar precisava de lá ir, de a rever, de a sentir, de ser banhado pela brisa que ascende guiada pela parede quase vertical até ao mítico cimo. A seguir, o ritual incluía uma descida pelo ascensor que os continuava a fascinar no seu movimento calmo e constante já lá ia mais de um século. A descida suave até ao casario, o contorno de flores dos catos no seu laranja escuro e exótico que bordejava o percurso, fazia parte da viagem que nunca deixava de os fazer sorrir e sentir-se maravilhados.

Depois era deambular pelos recantos da vila, regalar os olhos com as casas branquinhas, com as suas barras azul-cobalto, amarelo mostarda, ou vermelho. Gostavam especialmente dos recantos mais elevados onde pela frente só há o mar, onde o sol se põe e quem lá vive nas suas minúsculas casas se sente rei e não as trocaria por nada.

Na vila ainda se encontram muitos homens e mulheres que orgulhosamente continuam a vestir-se no dia-a-dia com os trajes tradicionais. É única a forma como com naturalidade continuaram a pontear a paisagem com algo que, por cá, só se vê em museus ou momentos de folclore.

O passeio nunca fica completo sem percorrer a marginal, rever os barcos garridos no areal, parar nas peixeiras que secam e vendem ali o carapeto (carapau escalado seco), a petinga e uma ou outra delícia que o sol curtiu.

À medida que o sol vai descendo rumo ao fim do dia, é bom fazer o percurso reverso, como que fazendo um misto de até breve e gravando as imagens pintadas com a luz mais alaranjada que quase chega ao dourado. Voltamos a casa e no coração trazemos um bocadinho de Verão para amenizar os dias de Inverno.

Texto no âmbito do #5 Desafio da Caixa dos Lápis de Cor - Azul Cobalto

 

Neste desafio participo eu, a Oh da guarda peixe frito, a Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Fátima Bento, a Imsilva, a Luísa De Sousa, a Maria, o José da Xâ,  a Rute Justino, a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor,  a Gorduchita, a Miss Lollipop, a Ana Mestre a Ana de Deus, e a bii yue.

Todas as quartas-feiras e durante 12 semanas publicaremos um texto novo inspirado nas cores dos lápis da caixa que dá nome ao desafio. Acompanha-nos nos blogues de cada uma, ou através da tag "Desafio Caixa de lápis de Cor". Ou então, junta-te a nós :)

 

16
Fev21

A princesa triste

Cristina Aveiro

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Era uma vez uma princesa tão gorda que só ocupava espaço, pelo menos era isso que as damas da corte achavam. A princesa era diferente, nunca se tinha interessado por bordados, vestidos, casamentos ou coisas que tais. A princesa gostava de ler, escrever e desenhar, mas poucas eram as pessoas da corte que o sabiam fazer. O monge que a acompanhava desde criança era um mestre de iluminura e desde cedo que a tinha ensinado a ler e a escrever, muito para além da sua missão de orientador espiritual, mas esta era a sua forma de dar alegria àquela menina que era tão triste.

A princesa adorava os pais, mas eles estavam muito ocupados a reinar e nunca estavam com ela. A princesa sentia uma grande tristeza e a tristeza fazia-lhe imensa fome, era como se o seu coração triste tornasse o seu corpo vazio e ela tivesse de comer para o encher. Quando lia e escrevia sentia-se um pouco melhor, mas a maior parte do tempo continuava triste.

Havia também alturas em que a deixavam ir para o campo andar a passear e montar a cavalo, aí também se sentia mais feliz e nessas alturas não ficava tão gorda.

 

Texto no âmbito do Desafio "Era uma vez uma princesa tão gorda que só ocupava espaço" da Ana de Deus

 

 

13
Fev21

A Cookie

Cristina Aveiro

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Num dia de Inverno frio e ventoso, a avó decidiu ir até à praia para ver o mar, olhar até muito longe, sentir o cheiro da maresia encher-lhe o peito e dar-lhe energia. Assim que chegou e começou a caminhar pelo longo passeio junto ao mar viu um pequeno cão que por ali andava sozinho mas não prestou grande atenção. No Inverno não havia muitas pessoas naquela praia, poucos lá viviam e quase todas as casas eram de pessoas que viviam noutras terras e só vinham no Verão ou quando havia dias de Sol. A avó gostava daquela tranquilidade das ruas quase sem carros nem pessoas, o som do mar e do vento era tudo o que se ouvia e isso dava-lhe muita energia e paz.

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O passeio ao longo da praia era muito longo e estava deserto e a avó lá ia caminhando rumo a Norte. Atrás da avó, aproximando-se cada vez mais vinha o tal cão pequeno. Durante toda a caminhada de ida e de regresso o cão continuou sempre a seguir a avó sem que ela lhe tenha dado atenção. A avó gostava de animais mas com moderação, não se aproximava deles nem era muito de dar festinhas. Quando a avó chegou à casa da praia o cão continuava atrás dela e subiu as escadas até à casa e entrou assim que a porta se abriu. A avó ficou surpreendida, até espantada, mas não conseguiu resistir ao ar meigo do cão cor de mel com olhos castanhos e que parecia estar a sorrir. Decidiu dar-lhe água e comida porque provavelmente estava perdido e talvez tivesse fome. O cão, que afinal era uma cadelinha, bebeu, comeu e enroscou-se num cantinho muito sossegada a dormir. A avó tentou ver se tinha coleira ou alguma pista para encontrar o dono, mas não havia nada. Procurou saber no café se conheciam a cadelinha e os donos, mas ninguém sabia nada. Ao fim do dia quando a avó voltou a sair para dar mais uma volta o cão seguiu-a de novo para todo o lado como se a avó fosse o seu dono.

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O cão acabou por dormir em casa da avó nessa noite, e no dia seguinte tudo se passou da mesma maneira. Quando chegou a hora da avó deixar a casa da praia e regressar à sua casa não sabia bem o que fazer, mas não estava nos seus planos ter um cão! Ao ver a avó entrar no carro a pequena cadela saltou de imediato lá para dentro e … a avó não teve coragem de não a levar consigo. A cadelinha foi durante todo o caminho em silêncio e portou-se muito bem.

Ao chegar à casa da avó a cadelinha ficou muito feliz e seguia a avó para todo o lado, sempre tranquila e sendo boa companhia. A avó notou que a cadelinha tinha o pescoço inchado e até parecia que lhe doía e pediu ao avô para a levar ao veterinário que a operou e a tratou. A cadelinha olhava para todos com os seus olhos castanhos muito meigos parecendo que estava a agradecer por tomarem conta dela.

Quando as netas vieram visitar a avó nem queriam acreditar, a avó tinha um cãozinho? A avó contou a história e explicou que tinham de ter cuidado porque a cadelinha ainda estava a recuperar da ferida que tinha. O Cãozinho tinha um sorriso estranho com os dentes de baixo sempre à mostra como se não os conseguisse esconder. As meninas primeiro ficaram algo receosas, mas depressa a cadelinha as conquistou com a sua meiguice e tranquilidade. A neta mais nova sonhava há muito tempo ter um cão e ficou totalmente aos pulos quando a avó lhe disse que aquela cadelinha era para ela e que podia escolher o nome que quisesse. A menina ficou a pensar, foi dizendo nomes, todos iam dando opinião até que disse Cookie porque ela era uma verdadeira bolachinha doce. E foi assim que ficou a chamar-se a pequena cadela de orelhas pequenas muito peludas, pelo cor de mel, olhar doce e que se aproximava de todos com doçura e simpatia.

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Os avós passaram a ter uma companhia todos os dias de manhã assim que chegavam à cozinha já a Cookie estava à sua espera na varanda com o seu ar sorridente. Durante todo o dia ela andava contente a acompanhar os avós, a passear pelo quintal, a espreitar as galinhas e os patos da capoeira com curiosidade e também a dormir grandes sestas pachorrentamente.

Quando chegavam as netinhas a casa da avó já era sempre uma festa, mas com a Cookie a festa era ainda maior, ela a correr e a saltar e as meninas a rir e a dar-lhe mimos até mais não. A avó adorava vê-las com a Cookie e ficava muito contente por ter deixado que a Cookie entrasse nas suas vidas. Todos se tinham deixado conquistar pelo encanto da Cookie, mesmo quem não gostava muito de cães não conseguiu resistir.

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A Cookie tinha pedido muito pouco e tinha vindo trazer alegria a todos, arrancava sorrisos a todos só por andar por ali e ficar a olhar com ar de quem estava a sorrir. A avó não podia estar mais contente com tudo o que a Cookie tinha trazido para a sua família.

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